Em Ipioca, Igreja de N. S. do Ó é patrimônio do povo alagoano

Igreja de N.S. do Ó em 1924

Igreja de N.S. do Ó em 1924

A história da Igreja de Nossa Senhora do Ó está vinculada diretamente ao surgimento e crescimento do povoado de Ipioca, num período da história de Alagoas em que o poder político e econômico era exercido por senhores de engenho sobre comunidades organizadas em paróquias, onde a igreja cumpria, muitas vezes, o papel do Estado, passando a ser a mais importante referência quando se tenta conhecer a história local.

Ipioca se desenvolveu em torno da nascente indústria do açúcar que predominava em toda a região norte da província. É provável que o povoamento do hoje Distrito de Floriano Peixoto tenha precedido ao de Maceió, que também se originou da exploração da cana de açúcar. Não há registros precisos do início do povoamento de Ipioca, mas, um antigo cruzeiro que ficava em frente à igreja tinha uma inscrição com a data de 1627, que pode ser o ano do início do povoamento.

Igreja de N.S. do Ó em 1940

Igreja de N.S. do Ó em 1940

Sobre a igreja, também não se tem dados precisos sobre a data da sua construção que tem características arquitetônicas dos fins do século XVIII. Outra fonte de pesquisa situa a sua construção já em 1785 e que sofreu intervenções ornamentais no século XIX.

Há registros que datam a criação da freguesia de Ipioca em 1713 e a instalação da Irmandade do Santíssimo Sacramento do Meirim em 19 de dezembro de 1878, quando o local ainda era conhecido como Santo Antônio do Meirim e a Matriz também era do Meirim, sob o curato de Nossa Senhora do Ó. O vigário era o padre Pedro Pacífico de Barros.

O desenvolvimento do povoado era tal que em 1819 já existiam 12 capelas na freguesia e a matriz era reconhecida pela riqueza de seus ornamentos e o esplendor do culto. Nesse período, o vigário era o padre Francisco de Assis Barbosa.

Igreja de Nossa Senhora do Ó em 1971

Igreja de Nossa Senhora do Ó em 1971

No início do XIX, Ipioca superava Maceió e o seu movimentado porto. É o que mostram as estatísticas de 1847, que foram organizadas pelo chefe de polícia, dr. João Paulo de Miranda. Havia uma população de 6.726 indivíduos livres e 3.205 escravos.

A prosperidade da região era o resultado de uma economia movimentada por plantadores de cana, fabricantes de açúcar bruto e criadores de gado. Em 1870, Ipioca contava 56 engenhos de açúcar e uma população de 13.994 indivíduos, dos quais 3.326 escravos.

A riqueza produzida na região também era compartilhada com a irmandade responsável pela igreja, que tinha em 1860 um patrimônio considerável de terras ao redor da matriz, além de algumas partes no engenho Cachoeira do Meirim.

Igreja de Nossa Senhora do Ó antes do início da reforma

Igreja de Nossa Senhora do Ó antes do início da reforma

Depois de alguns anos abandonada, inclusive sofrendo interdição da Defesa Civil em 2013, a histórica igreja de N. S. do Ó recebeu em 2015 investimentos para a sua recuperação.

Os recursos, na ordem de R$ 1,8 milhão, foram conseguidos junto Ministério da Cultura pela ação política do deputado federal Paulão (PT), senadora Ada Mello e senador Fernando Collor.

A reforma foi realizada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e respondeu a uma reivindicação dos moradores de Ipioca, que se mobilizaram de forma organizada sob a liderança da Prefeitura Comunitária e da Paróquia.

3 Comments on Em Ipioca, Igreja de N. S. do Ó é patrimônio do povo alagoano

  1. Clemente silva // 30 de agosto de 2015 em 10:53 //

    Sou morador de Ipioca e me sinto muito feliz de ver esta matéria excelente sobre a igreja e sobre a nossa comunidade. Sempre me preocupei com as restaurações feitas antigamente, mas agora estou tranquilo porque foi tombada e está sob os cuidados do Iphan. Obrigado por compartilhar estas informações tão importantes.

  2. Aloisio monteiro de Carvalho Júnior // 3 de agosto de 2017 em 20:33 //

    parabens pela matéria muito esclarecedora, sou de Ipioca minha familia também, e sabemos da importancia dessa igreja para nossa história

  3. TENHO ORGULHO DE TER NASCIDA EM IPIOCA, E DE TER SIDO BATIZADA NA IGREJA DE NOSSA SENHORA DO O, E DE SER CONTERRÂNEA DO SEGUNDO PRESIDENTE DO BRASIL, O NOSSO, MARECHAL FLORIANO PEIXOTO…

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