Zeppelin em Maceió

Hindenburg pousado em Recife
Graf Zeppelin em Recife

Graf Zeppelin em Recife, no Campo do Jequiá

Na década de 1930, quando os aviões ainda não tinham autonomia para cruzar o Atlântico, as viagens aéreas entre a Europa e as Américas eram realizadas pelos grandes dirigíveis alemães Zeppelin.

Entre 1930 e 1937, as principais linhas aéreas comerciais exploradas pelos Zeppelins ligavam a Alemanha aos Estados Unidos e ao Brasil. O primeiro a chegar ao Brasil, às 18h35 de 22 de maio de 1930, pousou em Recife no Campo de Jequiá.

O prefeito, que tinha decretado feriado, colocou holofotes no local, destacando a fuselagem prateada do Graf Zeppelin e permitindo ler a matrícula D-LZ127. Esse dirigível tinha decolado, às 17h do dia 18 de maio, de Friedrichshafen na Alemanha.

Graf Zeppelin sobrevoando Maceió em 1934

A multidão que foi assistir à chegada do Graf Zeppelin ficou impressionada com as suas dimensões: eram 236,6 metros de comprimento e 30 metros de altura, superando muitos navios transatlânticos e qualquer aeronave, mesmo as atuais.

As mais de 15 mil pessoas que estavam no Campo do Jequiá pagaram ingresso e durante a atracação, os carros da cidade que estavam lá — praticamente todos — fizeram um “buzinaço“. Mais de mil policiais faziam a segurança de todos.

O Graf Zeppelin realizou 147 voos ao Brasil antes de ser substituído em 1936 pelo D-LZ129 Hindenburg. O voo inaugural do novo dirigível ao Brasil decolou para o Rio de Janeiro em 31 março de 1936.

Apenas 14 meses depois, no dia 6 de maio de 1937, um acidente com o Hindenburg pôs fim ao transporte aéreo por dirigível. Pouco antes de pousar em Lakehurst, New Jersey, nos Estados Unidos, um incêndio destruiu a aeronave e matou 13 passageiros e 22 tripulantes, além de uma pessoa no solo.

Zeppelin em Alagoas

Hindenburg sobrevoando a Praça do Centenário em 1936

Hindenburg sobrevoando a Praça do Centenário em 1936

No trajeto de Recife para o Rio de Janeiro, o Zeppelin e o Hindenburg sobrevoavam o litoral de Alagoas, o que permitiu a existência de muitos registros fotográficos das duas aeronaves, principalmente quando estavam sobre Maceió.

Mas, no dia 26 de novembro de 1935, Maceió recebeu o Zeppelin por alguns minutos, após o dirigível ter sido impedido de pousar em Recife por ação das forças rebeldes que tentavam a tomada do poder no país, no episódio que ficou conhecido como a Revolução de 35.

No dia anterior, o Zepellin deveria ter descido no Campo do Jequiá às 17h, mas foi avisado que a área estava ocupada por rebelados, com ocorrência de tiroteios com as forças do governo.

Torre para atracação do Graf Zeppelin no Campo do Jequiá em Recife

Torre para atracação do Graf Zeppelin no Campo do Jequiá em Recife

Por rádio, a direção da empresa orientou que o dirigível deveria ir para o Rio de Janeiro, mas, como a sua carga era somente de malotes postais, sobrevoou Recife por mais uma hora até que resolveram se deslocar até Maceió, para onde o hidroavião Taquari da Condor foi enviado para receber a correspondência vinda da Europa e levá-la imediatamente para o Rio de Janeiro.

O Zeppelin chegou em Maceió às 16h52 do dia 26 e sobrevoou o aeroporto até que que soldados do 20º BC conseguiram segurar os cabos jogados da aeronave, mantendo-a parada o tempo suficiente para que descessem os malotes postais.

Após esta operação, voltou para Pernambuco onde, nas proximidades da costa, encontrava-se o navio España, pertencente a Lufthansa, que numa operação semelhante à de Maceió, embarcou água e gêneros alimentícios para o dirigível.

Como fim da rebelião em Recife, o Zeppelin consegui pousar no Campo do Jequiá às 13h do dia 27 de novembro de 1935, onde foi reabastecido e, dias depois, seguiu viagem. Essa prolongada permanência no ar terminou por estabelecer um novo recorde mundial, de 119 horas de voo sem pouso.

Fontes:
– Jornais da época.
– Cultura Aeronáutica (http://culturaaeronautica.blogspot.com.br/).
– Selos do Brasil (http://selosdobrasil.forumeiros.com/).

3 Comments on Zeppelin em Maceió

  1. Delma Conceição de Lima // 3 de Março de 2016 em 09:22 //

    Fantástico!!!

  2. José Alberto Espirito Santo // 3 de Março de 2016 em 22:46 //

    Sou fã do Zeppelin!

  3. Iremar Marinho // 17 de julho de 2017 em 21:26 //

    É conhecida a história de que na época em que o Zepellin sobrevoou Alagoas, muitas pessoas acreditaram que era o fim do mundo e se embrenharam nas matas, temendo a catástrofe final.

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