João Lins Vieira Cansanção, o Visconde de Sinimbu

João Lins Vieira Cansanção nasceu em são Miguel dos Campos
Visconde se Sinimbu

Visconde se Sinimbu

O primeiro e único Barão e Visconde com grandeza de Sinimbu, recebeu o título em 16 de maio de 1888. Nasceu em São Miguel dos Campos, no Engenho Sinimbu, em 20 de novembro de 1810, e faleceu no Rio de Janeiro, em 27 de dezembro de 1906.

Era filho do capitão de ordenanças Manuel Vieira Dantas e Ana Maria José Lins, duas figuras lendárias das lutas republicanas de 1817 e 1874. Ana Lins descendia dos holandeses e de Cristovão Lins, de Porto Calvo, enquanto Manuel Vieira era sertanejo, da região do São Francisco.

img154Seu pai foi a maior liderança alagoana nas lutas de 1817, na Revolução Pernambucana, e de 1824, na Confederação do Equador. Foi encarcerado e condenado a morte, mas fugiu espetacularmente de uma fortaleza em Pernambuco, contando com a ajuda do filho Manoel. O capitão Manuel Vieira Dantas e outro filho, Frederico, tiveram que fugir de Alagoas por anos.

Em 1824, João Lins Vieira e sua mãe, Ana Lins, se entrincheiraram na casa grande do Engenho Sinimbu e travaram a última batalha da Confederação do Equador, enfrentando à bala as tropas imperiais até que a falta de munição levou-os a se renderem. Ana Lins e seu filho, futuro Visconde de Sinimbu, foram levados para a Cadeia Pública de Alagoas.

Casa Grande do Engenho sinimbu, onde houve a última batalha da Confederação do Equador

Casa Grande do Engenho sinimbu, onde houve a última batalha da Confederação do Equador

Carreira política

Em Pernambuco, estudou Direito na Academia Jurídica de Olinda e teve uma vida ativa como jornalista, escrevendo para o Olindense ou para o Eco de Olinda, criado por ele. Dirigiu ainda o Equinocial e o Velho Pernambuco, jornais importantes na época.

Não demorou em Pernambuco e seguiu para a Europa onde aperfeiçoou seus estudos. Em Paris, durante um ano estudou medicina legal e química. Depois seguiu para a Alemanha, em 1835, e obteve um doutorado na Universidade de Iena.

Após formado, foi para Cantagalo, em Minas Gerais, onde assumiu a função de Juiz de Direito. De volta a Alagoas, foi eleito deputado para a 3ª legislatura e ainda assumiu a vice-presidência e presidência da Província de Alagoas.

Casou-se em 1846 com Valéria Touner Vogler, que tinha conhecido em suas andanças pela Europa. Com ela teve quatro filhos.

Visconde de Sinimbu

Visconde de Sinimbu

Envolveu-se destacadamente no episódio da transferência do tesouro provincial para Maceió, quando assumiu o governo na capital ao saber que o presidente Agostinho da Silva Neves estava em prisão domiciliar, cercado por revoltosos na cidade das Alagoas, hoje Marechal Deodoro.

Imediatamente, diante da dualidade de poder, organizou as forças legalista e pediu ajuda à Bahia e Pernambuco, além de, como vice-presidente, ordenar ao comandante do barco que levaria o presidente detido em Marechal Deodoro para a Bahia, que o deslocasse para Maceió, onde reassumiu o poder.

Por sua ação destemida, logo após o fim do governo de Silva Neves, João Lins Vieira foi nomeado para presidir a sua província. Tinha 30 anos de idade.

Foi ainda presidente da província de Sergipe, deputado geral, ministro-presidente junto ao Uruguai, então província brasileira.

Como jornalista,  ocupou também o cargo de redator-chefe do Diário Oficial do Império. Depois foi presidente da províncias da Bahia e do Rio Grande do Sul. Assumiu ainda a chefia de Polícia da Corte, o Ministério do Exterior, da Agricultura.

Foi eleito para o Senado do Império e ocupou o cargo de Conselheiro Extraordinário, presidente do Conselho de Ministros e presidente da Câmara Vitalícia.

Como monarquista convicto, foi surpreendido com a proclamação da República em 1889, quando já estava prestes a completar 80 anos.

“Sou monarquista, morrerei monarquista, mas nunca conspirei contra a República. Receio que o Brasil se fragmente em republiquetas, o que será uma desgraça”, vaticinou. Não viveu para assistir a atuação do seu conterrâneo Floriano Peixoto, que impediu a fragmentação.

Faleceu em sua casa na Rua da Serra, zona rural do Rio de Janeiro, no dia 21 de dezembro de 1906. Morreu pobre, recusando receber uma pensão do Governo Republicano, que reconhecia os relevantes serviços que ele tinha prestado ao país. Para sustentar a família, vendia os seus livros, jóias e condecorações.

Fonte: pesquisa do professor Douglas Apratto para o caderno Memórias Legislativas, publicado em 11 de janeiro de 1998 pela Assembleia Legislativa de Alagoas.

1 Comentário on João Lins Vieira Cansanção, o Visconde de Sinimbu

  1. Fernando A. Goncalves de Lima | Maceio-AL. // 11 de abril de 2016 em 09:25 //

    Outra brilhante pessoa. Merecedora deste relato.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*