Viçosa, a Atenas de Alagoas

Viçosa em 1940. Trecho da Avenida Firmino Maia
Matriz de Viçosa em 1921

Matriz de Viçosa em 1921

O hoje município de Viçosa surgiu em terras que foram habitadas por índios caambembes, subtribo dos caetés. A palavra caambembe, segundo Alfredo Brandão, é uma corruptela de caamemby, vocábulo indígena que significa, literalmente, mato de gaitas ou de flautas.

Após a morte do primeiro bispo do Brasil, os caetés foram duramente perseguidos pelas forças de Jerônimo de Albuquerque. Os vencedores, na sua vingança, mostraram-se mais selvagens do que os próprios índios. Os poucos caetés que escaparam, se deslocaram para o sertão.

Quilombos

A presença dos quilombos nos vales do Paraíba e do Mundaú se estendia desde a cabeceira destes rios até poucas léguas de distância das lagoas, e estendendo-se para o norte, ao longo do cordão de “matas bravias”, ocupava uma região que ficava além dos atuais limites com Pernambuco.

Praça em Viçosa de 1921

Praça em Viçosa de 1921

Os pontos de maior concentração dos mocambos eram onde as matas eram mais férteis, ricas em palmeiras e caças, além de criarem barreiras naturais que dificultassem o acesso. Em Alagoas, as matas de União dos Palmares e Viçosa apresentavam condições ideais para quem fugia dos engenhos da capitania.

No povoado Bananal e sítios adjacentes, Anel e também nas fazendas Bom Sucesso, Mata Limpa e Floresta, já em Chã Preta, foram localizados vestígios dos quilombolas, tais como armadilhas para caça, bananeirais, canaviais e outras plantações. Os mocambos de Andalaquituche, Osenga e Sabalangá também foram identificados como locais que comprovam a existência de quilombos.

Vencidos os negros, seus domínios foram distribuídos aos vencedores pelo Rei de Portugal. Grande parte das terras de Viçosa coube ao capitão André Furtado de Mendonça, um dos cabos-de-guerra do paulista Domingos Jorge Velho. Alguns negros que durante a luta tinham desertado para as fileiras paulistas foram perdoados e continuaram a viver livremente nos mesmos locais.

Rua de Viçosa em 1921

Rua de Viçosa em 1921

Esse fato explica não somente a sobrevivência de antigos mocambos, como Sabalangá, Mata Escura e Barra da Caçamba, que depois se transformaram em povoações, como também prova que muito antes do povoamento do Riacho do Meio, as terras ocupadas pelo atual município de Viçosa já eram habitadas pelos remanescentes dos Palmares.

Riacho do Meio

O núcleo primitivo da atual cidade de Viçosa surgiu muito anos depois em um local denominado Riacho do Meio, como relata Alfredo Brandão no livro Viçosa de Alagoas.

A tradição oral guardou que, todos os anos, pelo Natal, um padre saía de Atalaia para rezar a missa do galo na Passagem (antiga povoação próxima à cidade de Quebrangulo). Uma vez, tendo chovido torrencialmente durante o dia, o padre, ao chegar à margem de um riacho que fica a igual distância entre outros dois, encontrou-o de tal maneira cheio que o não pôde atravessar.

Perdendo a esperança de continuar a viagem, procurou o outeiro próximo, ergueu uma cruz e, quando a noite já ia em meio, celebrou a missa do Natal. Essa cruz, bem depressa, atraiu romeiros — os primeiros a erguerem habitações do novo lugar —, que tomou o nome de Riacho do Meio.

Ponte sobre o Rio Paraíba em 1921

Ponte sobre o Rio Paraíba em 1921

Em 1790, um agricultor de Alagoas (atual Marechal Deodoro), chamado Manoel Francisco, por determinação do ouvidor José de Mendonça Matos Moreira, foi estabelecer residência no sítio Riacho do Meio, com o fim de experimentar aí a cultura do algodão. Esse Manoel Francisco, que talvez fosse um dos romeiros da cruz, derrubou as florestas das cercanias, fez um roçado no vale, mais ou menos no mesmo local onde hoje se acha a Praça Apolinário Rebelo, e logo depois erigiu uma capela de madeira no ponto em que atualmente existe a igrejinha de Nossa Senhora do Rosário. Ao lado esquerdo da igreja começaram pouco a pouco a se alinhar as primeiras casas, também eram construídas de madeira.

Homem ativo e trabalhador, o fundador de Viçosa continuou com o plantio de algodão e estendeu os seus roçados para os lados do norte, legando o seu nome a uma ladeira que fica no antigo caminho da fazenda Barro Branco.

Desbravadas as matas, começou o núcleo a desenvolver-se e em breve as casas se multiplicaram. De diversos pontos do município e principalmente do Sabalangá e da Mata Escura, começaram a afluir moradores para a nova povoação.

Rua em Viçosa em 1921

Rua em Viçosa em 1921

Esses moradores eram descendentes, não somente dos paulistas, mas ainda dos negros quilombolas e dos índios que tinham vindo com o mestre de campo Domingos Jorge Velho. Um grupo desses índios foi aldeado no antigo sítio Limoeiro, perto da divisa de Viçosa com o município de Correntes (PE).

Elementos estranhos, vindos de outros municípios, sobretudo Alagoas (hoje Marechal Deodoro) e Santa Luzia do Norte, iam contribuindo para o povoamento do Riacho do Meio. Em princípios do século XIX o povoado já estava constituído, porém era de tal forma diminuto que não chamou a atenção dos poucos cronistas que então se ocuparam da comarca das Alagoas.

O mais antigo testemunho escrito sobre a existência do local, naquela época, foi encontrado num auto de impedimento, no qual o português Boaventura José de Souza, declarava “habitar no Riacho do Meio desde o ano de 1809”.

Rua de Viçosa em 1921

Rua de Viçosa em 1921

No livro do tombo do arquivo paroquial, em relatório apresentado pelo padre Alemanha ao visitador da freguesia, Lourenço Correia de Sá, em fevereiro de 1847, consta que o patrimônio de terras do Senhor Bom Jesus do Bonfim foi doado em setembro de 1818, por João da Silva Cardoso e sua mulher, Tereza Maria Fiuza.

Em 1820, já se encontravam muitos sítios pelas cercanias da povoação e a agricultura, desenvolvendo-se cada vez mais, não se limitava apenas ao plantio do algodão, mas se estendia também ao da cana-de-açúcar, dando lugar à instalação de várias engenhocas de rapadura.

Por ocasião do “mata marinheiro”, das guerras da independência, vários portugueses, perseguidos, foram refugiar-se no Riacho do Meio, onde acharam seguro asilo. Entre esses portugueses, havia o alferes Manoel da Silva Loureiro que, vindo de Anadia, estabeleceu residência no sítio Pedras de Fogo, e José Martins Ferreira, que se instalou no sítio Gurumbumba e mais tarde fundou o engenho Boa Sorte. Manoel da Silva Loureiro foi o tronco da família Loureiro e José Martins Ferreira foi o das famílias Vilela, Vital dos Santos e Vasconcelos Teixeira.

Emancipação

A 13 de outubro de 1831, por decreto imperial, a povoação do Riacho do Meio foi desligada de Atalaia e elevada à categoria de vila com a denominação de Vila Nova de Assembléia. A proposta para a criação da vila foi apresentada em uma das sessões do período legislativo compreendido entre 1° de dezembro de 1830 e 5 de fevereiro de 1831, do Segundo Conselho Geral.

Loja Perseverança em Viçosa

Loja Perseverança em Viçosa

O nome que figurava na proposta era o de Nova Assembléia, porém o decreto imperial alterou-o para Vila Nova de Assembléia. A denominação de Assembléia originou-se do seguinte fato: em princípios do século passado, era um costume dos habitantes do Riacho do Meio reunirem-se nas calçadas de madeira de suas portas e, em deleitável palestra, ao declinar da tarde, discutirem o estado da lavoura e as notícias que, de quando em quando, chegavam da capital da recente Província das Alagoas. Então, diziam que formavam uma assembleia. De fora, dos sítios, os que vinham fazer compras ou vender algodão, também tomavam parte na assembleia.

Entre as causas que determinaram a criação da Vila mencionam-se as seguintes: o grande desenvolvimento do povoado; a multiplicação de fazendas, sítios e engenhocas; a fiscalização das rendas provinciais e gerais; os insistentes apelos dos habitantes do lugar e, sobretudo, a necessidade que sentia o governo de organizar a divisão administrativa da província.

Escola Normal Rural Joaquim Diégues em Viçosa

Escola Normal Rural Joaquim Diégues em Viçosa

A instalação da vila realizou-se solenemente, pelo ouvidor Manoel Messias de Leão, no dia 16 de fevereiro de 1833, assumindo na mesma data as funções de juiz ordinário o capitão Manoel de Farias Cabral, o qual teve como escrivão Manoel Rolemberg de Albuquerque.

A freguesia foi criada pela Resolução n° 8, de 10 de abril de 1835, sob a invocação do Senhor Bom Jesus do Bonfim, ficando subordinada eclesiasticamente à Arquidiocese de Maceió.

Conforme relatório apresentado pelo padre Francisco Manoel da Silva, ao Deão Francisco Joaquim de Farias, o primeiro vigário da freguesia de Assembléia foi o sexagenário padre Manoel Joaquim da Costa, o qual paroquiou até 1837.

Pela Lei provincial n° 9, de 10 de abril de 1835, foi criada a primeira cadeira de instrução primária para o sexo masculino. A primeira cadeira do sexo feminino foi criada pela Lei n° 2, de 6 de julho de 1839, mas ao que parece as mesmas não foram ocupadas, pois só em 1846 ocorreu a nomeação de João Batista de Souza, o primeiro que exerceu o magistério público na Vila de Assembléia.

Avenida Firmino Maia em Viçosa

Avenida Firmino Maia em Viçosa

Sob o ponto de vista econômico, dois produtos marcaram as bases do desenvolvimento do município: o algodão e o açúcar. Se o primeiro foi o elemento básico da economia viçosense, através dos primeiros roçados plantados pelo fundador da cidade e das rústicas “bolandeiras”, pode-se dizer que o segundo representa o produto que fixou e consolidou essas bases através das primitivas engenhocas de madeira e dos numerosos engenhos a vapor que surgiram posteriormente.

A primeira “bolandeira” surgiu mais ou menos em 1820 e foi instalada pelo português Boaventura José de Souza, no local onde hoje se acha o velho sobrado da praça Apolinário Rebelo esquina com a Rua Vigário Loureiro (Farmácia Loureiro).

Em 1844, Izidro Atanásio de Vasconcelos instalou outra bolandeira, na fazenda Floresta, movida a força hidráulica. O primeiro descaroçador de algodão movido a vapor foi fundado em princípios de 1879, na Rua da Palha, por João Fernandes Viana.

Praça Apolinário Rebelo em Viçosa

Praça Apolinário Rebelo em Viçosa

E tão numerosas foram as fábricas de beneficiar algodão instaladas no município que, entre 1920 e 1930, a produção diária de lã atingia à extraordinária cifra de 21.000 quilogramas.

O primeiro engenho de Viçosa foi o Bananal, fundado em 1836 pela família Carneiro da Cunha. Extinto há muitos anos, esse engenho ficava um pouco abaixo do atual povoado Bananal, à margem do riacho Veados.

Mais tarde, em 1840, o português José Martins Ferreira construiu o engenho Boa Sorte e em 1846 foi fundado o engenho Barro Branco por Pedro José da Cruz Brandão. Devem datar do mesmo tempo os engenhos Paredões e Bom Jesus, construídos o primeiro por Manoel de Farias Cabral e o segundo pelo tenente João Tenório.

O plantio da cana-de-açúcar, nessa época, tomou rápido incremento, as matas foram sendo exploradas cada vez mais e os engenhos se multiplicaram de tal forma que, pelo ano de 1852, já existiam mais de vinte, acusando uma produção de cerca de trinta mil arrobas de açúcar.

Praça Apolinário Rebelo em Viçosa

Praça Apolinário Rebelo em Viçosa

As demais lavouras, como o algodão, a mandioca e os cereais, passaram a ser cultivadas em larga escala, constituindo outra fonte de riqueza. Os meios de transporte, porém, eram muito precários, devido às péssimas estradas transformadas, durante a estação invernosa, em verdadeiros lodaçais e pântanos perigosos.

O que mais dificultava o trânsito eram os desfiladeiros da serra Dois Irmãos, os quais, em tempos de chuva, quase interceptavam toda comunicação entre o município e Maceió. Devido, porém, a reiterados pedidos da Câmara Municipal de Assembléia, o governo provincial resolveu mandar construir um calçamento na referida serra, o qual muito facilitou o intercâmbio comercial com a Capital do Estado.

Sob o ponto de vista demográfico, o município ia também progredindo, pois já contava uma população aproximadamente de dez mil habitantes, entre os quais havia 800 escravos.

Lutas políticas

Praça Izidro Vasconcelos em Viçosa

Praça Izidro Vasconcelos em Viçosa

As lutas partidárias entre “Lisos e Cabeludos” (1844 a 1845), em que se destacou a figura do salteador Vicente de Paula — conhecido então como terror das matas do Jacuípe — também tiveram repercussão na Vila de Assembléia. Os seus habitantes, sentindo-se sem garantias, internavam-se pelos pontos mais recônditos do município.

Pouco tempo depois, quando a população começava a tranquilizar-se, a ordem pública foi novamente abalada pelos atos de selvageria cometidos pelos irmãos Morais (José e Manoel de Morais). Comandando uma horda de ferozes bandidos, invadiram a fazenda Recanto (hoje Usina Recanto) e assassinaram o proprietário Pessoa Cavalcanti e diversos dos seus funcionários.

As narrativas das façanhas dos irmãos Morais foram por muito tempo relembradas com horror e, apesar de muitas vezes transmitidas com exagero, servem para caracterizar os atos de vandalismo que naquelas épocas calamitosas se realizaram no interior de Alagoas.

Os fins de 1855 e os princípios de 1856 assinalaram uma época trágica na história de Alagoas. A dor, o luto, a viuvez e a orfandade espalharam-se por todos os lados, ante as vinte mil sepulturas cavadas pelo “cólera-morbus” no espaço de seis meses.

Prédio da Intendência de Viçosa em 1921

Prédio da Intendência de Viçosa em 1921

Na Vila de Assembléia o cólera apareceu no dia 6 de janeiro de 1856 e a primeira pessoa atacada foi a mulher do escrivão Manoel Freitas. O governo provincial, a braços com o flagelo por todos os lados, poucos recursos enviou à população da vila. O povo, por sua vez, aterrorizado e desanimado, não via na epidemia mais que um castigo do céu e apenas procurava debelar o mal através de rezas, procissões e novenas.

Esse estado de depressão nervosa, diz Alfredo Brandão, essa certeza que todos tinham de ser feridos pelo flagelo, muito concorreu, aumentando a receptividade mórbida de cada um para que o cólera, na Vila de Assembléia, assumisse um caráter verdadeiramente pavoroso. Junte-se a tudo isto a ausência de médicos e a ignorância dos princípios mais comezinhos de higiene e profilaxia.

No dia 20 de janeiro do referido ano, a epidemia já se achava açoitando, palmo a palmo, todo o município. Pessoas de inteira saúde pela manhã, eram cadáveres à tarde. O cólera tinha assumido a forma fulminante.

Não havendo cemitério, pois os enterros faziam-se anteriormente na Matriz, os mortos eram conduzidos para uma igreja em construção, que ficava perto do Rosário. Muito cedo, porém, o recinto ficou abarrotado de cadáveres e então foi construído, às pressas, um cemitério de paliçada nos fins da Rua do Juazeiro, no mesmo lugar onde mais tarde foi edificada a capela de São Francisco de Assis e onde se instalou o Grupo Escolar 13 de Outubro. Em abril a epidemia começou a declinar, mas só em setembro se extinguiu.

Rua Epaminondas Gracindo, Igreja Matriz de Bom Jesus do Bonfim em Viçosa

Rua Epaminondas Gracindo, Igreja Matriz de Bom Jesus do Bonfim em Viçosa

Nos fins do século passado, o movimento comercial era insignificante devido à falta de vias de comunicação, principalmente de uma estrada de ferro que facilitasse as comunicações com a capital do Estado. Contudo, no interior, a agricultura era cada vez mais florescente e o município contava então muitos sítios, engenhocas e cerca de 40 engenhos de açúcar, parecendo prenunciar para a terra o que ela é hoje realmente — uma zona essencialmente açucareira.

Não há exagero, pois, em se afirmar que o município vinha se desenvolvendo economicamente e esse desenvolvimento refletia-se de certo modo na vida social e administrativa. O Recenseamento de 1872 encontrou no município uma população de 22.705 habitantes, sendo 21.592 cidadãos livres e 1.113 escravos, havendo no mesmo ano 1.980 votantes qualificados.

A guarda nacional da vila constava de um comando superior, abrangendo o município de Quebrangulo. Em 1875, o Conselho Municipal era composto dos seguintes vereadores: capitão Teotônio Torquato Brandão, alferes Antônio Giquiri, Antônio da Graça, Vieira da Lira, Natan Rodrigues de Vasconcelos, e capitão Frederico Rebelo Maia.

Vista parcial da cidade de Viçosa

Vista parcial da cidade de Viçosa

Quanto ao aspecto urbano da Vila, já se observava um certo progresso em 1880. Várias ruas existiam, entre as quais: a Praça do Comércio, também chamada “do Quadro” e atualmente Apolinário Rebelo; a velha ladeira da Matriz, cujo nome oficial é Epaminondas Gracindo; a do Gurganema, à margem do Paraíba, atualmente Tibúrcio Nemésio; a do Rosário, hoje Centenário; a do Juazeiro, denominada hoje Frederico Maia; a Rua da Palha, atual Vigário Costa; e a do Cochicho, hoje São José.

A atual Rua Vigário Loureiro era conhecida simplesmente como “Beco” e começou a ser chamada de Rua Nova, talvez porque naquela época estivesse em pleno desenvolvimento. Depois do chamado “Beco” havia vários casebres de palha até o meio de uma várzea, onde se erguia uma frondosa canafístula que, posteriormente, deu nome à rua que aí se formou. Onde era a “Canafístula“, existem hoje a Padre Elói, a Praça Izidro Vasconcelos e parte da Mota Lima.

A atual Rua Clodoaldo da Fonseca, nos fins do século passado, não passava de uma avenida de mulungus, cortada pelo riacho do Meio. Durante muitos anos, foi conhecida pelo nome de Rua do Calçamento, devido a um calçamento de pedras brutas que aí existiu.

República

Ponte Gurganema sobre o Rio Paraíba em Viçosa

Ponte Gurganema sobre o Rio Paraíba em Viçosa

Com o advento da República dissolveram-se os antigos partidos liberal e conservador, cedendo lugar às novas instituições políticas. Processaram-se nomeações de cargos municipais, sendo os primeiros intendentes o coronel Apolinário Rebelo Torres, Manoel Gracindo Rebelo, Francisco de Holanda Cavalcante e Alípio Coelho de Barros Lima. Todos trabalharam pelo progresso material da vila que, nessa época, já se preparava para receber a estrada de ferro.

De todos os pontos do Estado vinham comerciantes se estabelecer em Assembléia; houve uma verdadeira febre de construção, as ruas aumentavam de extensão, surgiram outras, de modo que, em pouco tempo, a vila quase já havia duplicado. Para isto também concorreu o preço do açúcar, que teve uma alta bem significativa após longo interregno de desvalorização.

A aura de progresso que fazia sentir na vila, estendeu-se por todo o município. Os engenhos multiplicaram–se, contando-se nesse tempo cerca de 70, muitos dos quais movidos por máquina a vapor. O algodão, que depois do açúcar constituía o mais poderoso elemento a influenciar na economia local, sofreu também uma animação no seu preço.

Tão fértil, tão produtiva, tão futurosa se mostrava a Vila de Assembléia que o então governador do Estado, coronel Pedro Paulino da Fonseca, pelo Decreto n° 46, de 25 de novembro de 1890, mudou a sua denominação para Vila Viçosa. No Recenseamento procedido nesse mesmo ano, o município acusava uma população de cerca de 28 mil habitantes.

Vista parcial da cidade de Viçosa

Vista parcial da cidade de Viçosa

Mas o verdadeiro progresso de Viçosa, pode-se dizer, data do ano de 1891, com a inauguração da via-férrea na tarde do dia 24 de dezembro, entre aclamações festivas e delirantes do povo. Entre as muitas pessoas que tinham ido assistir à inauguração notavam-se o governador do Estado, os secretários e o chefe de polícia.

No governo Gabino Besouro, por Lei n° 14, de 16 de maio de 1892, a Vila foi elevada à categoria de cidade, cuja instalação realizou-se, solene e festiva, no dia 5 de junho do mesmo ano, achando-se presentes o governador do Estado e secretariado.

Por essa época o jornalismo era representado pelo semanário “Viçosense“, que teve uma vida efêmera, porém proveitosa.

Durante mais de meio século, no longo período de 1878 a 1930, a história política de Viçosa foi assinalada por grandes lutas partidárias, caracterizando a época de predomínio do “coronelismo” do interior. Delas participaram, além de grandes figuras patriarcais, de há muito desaparecidas, vultos ilustres que nos dias atuais ainda se projetam na vida política e social da terra.

Em 1878, com a organização do gabinete Sinimbu, subiu o partido liberal em Viçosa. O seu chefe político era o coronel Teotônio Santa Cruz. Foi um período agitado da história política do município, em que as eleições eram feitas à custa de “bacamarte“. Político de prestígio seguro, o coronel Santa Cruz dominava as eleições nos momentos mais críticos.

Vista Parcial de Viçosa

Vista Parcial de Viçosa

Logo após a proclamação da República, em fevereiro de 1890, assumiu a chefia política do município o coronel Apolinário Rebelo Pereira Torres, que desde 1870 vinha dirigindo o partido conservador. Nesse período verificou–se a deposição do governador Gabino Besouro.

Figura de grande projeção política não só no município como no Estado, foi Apolinário Rebelo vice-presidente do Senado Estadual e o primeiro intendente constitucional de Viçosa. Seguiu-se outro chefe político, o coronel Epaminondas Gracindo, que se manteve no poder de 1893 a 1900. Em 1901, a direção política do município passou para o coronel Ismael Elpídio Brandão, correligionário do seu antecessor. Permaneceu pouco tempo no poder, pois em fins de 1902 solicitou exoneração ao então governador Euclides Malta.

Com o afastamento de Ismael Brandão, o governador Euclides Malta chamou à chefia de Viçosa o coronel Firmino Maia, que representava o partido democrata. Permaneceu pouco tempo no poder, passando a direção do município ao seu amigo padre Manoel Firmino.

Retomando a chefia política, em 1905, Ismael Brandão afastou-se definitivamente em 1912, com a queda da “oligarquia”. Apesar de naquele tempo contar com um ínfimo orçamento municipal — 18 contos — na sua administração Viçosa passou por alguns melhoramentos.

Em 1912, o coronel Othon de Barros Correia, do partido democrata, assumia a direção do município. Por ocasião da apresentação do candidato a Intendente, em 1920, houve uma cisão no partido, formando os senhores Tibúrcio Nemésio e Saturnino Acioli a dissidência democrata.

Com o falecimento do coronel Othon, a direção do partido democrata, passou para o seu filho Dr. Serzedelo de Barros Correia, que iniciou sua carreira político–administrativa em fins de 1923. Na sua administração, que aliás foi pouco duradoura, realizou grande melhoramento no mercado público, construindo um açougue moderno, que constitui obra de valor econômico e sanitário. Deixando a chefia em 1925, Viçosa passou por uma fase de crise administrativa.

Choviam as negociações palacianas para a escolha daquele que devia dirigir o município. Afinal, foi designada pelo então Governador Costa Rego uma junta governativa composta de dez membros, sendo seis do partido conservador e quatro da dissidência democrata. O Dr. Manoel Brandão Vilela foi o presidente dessa Junta.

Não logrando resultados satisfatórios as articulações políticas para a escolha do candidato a Prefeito, pouco tempo depois o governador do Estado apresentava o nome do major Saturnino Acioli, que foi eleito e reconhecido Prefeito Municipal. Realizou uma administração satisfatória, dando início à construção da Praça Apolinário Rebelo.

Em 1927, numa brilhante e emocionante campanha, cheia de entusiasmo e agitação partidária, o núcleo conservador elegeu Prefeito de Viçosa o Dr. Brandão Vilela, em cuja administração realizaram-se várias obras de vulto, destacando-se as estradas de rodagem da serra Dois Irmãos e da vila de Pindoba Grande, como também vários melhoramentos urbanos.

Nos meados de 1928, o Dr. Izidro Teixeira de Vasconcelos foi chamado à chefia política do município. Cercando-se de elementos dignos, sob sua orientação Viçosa passou por grandes melhoramentos, tendo se afastado do poder com a Revolução de 1930.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Assembléia, pela lei provincial nº 8, de 10 de abril de 1835.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Assembléia, pelo decreto de 13 de outubro de 1831, desmembrado do município de Atalaia. Sede na antiga povoação de Assembléia. Constituído do distrito sede.

Pelo decreto estadual nº 46, de 25 de setembro de 1890, a vila de Assembléia passou a chamar-se Viçosa.

Elevado à condição de cidade com a denominação de Viçosa, pela lei estadual nº 14, de 16 de maio de 1892.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de cinco distritos: Viçosa, Bom Sossego, Bananal, Lages dos Caldeirões e Pindoba.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município aparece constituído do distrito sede. Não figurando os distritos da divisão de 1911.

Em divisões territoriais datadas de 31 de dezembro de 1937, o município é constituído de dois distritos: Viçosa e Pindoba.

Pelo decreto-lei nº 2361, de 31 de março de 1938, o distrito de Pindoba passou a denominar-se Pindoba Grande.

Pelo decreto nº 2435, de 30 de novembro de 1938, são criados os distritos de Anel e Chã Preta e anexados ao município de Viçosa.

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de quatro distritos: Viçosa, Anel, Chã Preta e Pindoba Grande.

Pelo decreto lei estadual nº 2909, de 30 de dezembro de 1943, o município de Viçosa passou a denominar Assembléia.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município de Assembléia ex-Viçosa é constituído de quatro distritos: Assembléia, Anel, Chã Preta e Pindoba Grande.

Pela lei nº 1473, de 17 de setembro de 1949, o município de Assembléia volta a chamar-se Viçosa.

Em divisão territorial administrativa datada de 1º de julho de 1950, o município de Viçosa ex-Assembléia é constituído de quatro distritos: Viçosa, Anel, Chã Preta e Pindoba Grande.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1º de julho de 1955.

Pela lei estadual nº 2070, de 10 de outubro de 1957, desmembra do município de Viçosa o distrito de Pindoba Grande. Elevado à categoria de município com a denominação de Pindoba.

Em divisão territorial datada 1º de julho de 1960, o município é constituído de três distritos: Viçosa, Anel e Chã Preta.

Pela lei estadual nº 2432, de 3 de fevereiro de 1962, desmembra do município de Viçosa o distrito de Chã Preta. Elevado à categoria de município.

Em divisão territorial datada de 31 de dezembro de 1963, o município é constituído de dois distritos: Viçosa e Anel.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Fonte: IBGE e o livro Viçosa de Alagoas de Alfredo Brandão.

7 Comments on Viçosa, a Atenas de Alagoas

  1. Viçosa, Princesa das Matas, Viçosa, meu Amor.

  2. Após tomar conhecimento dos registros históricos de Viçosa, pretendo, junto com a família, conhecer mais uma cidade do meu Estado.

  3. Genivaldo c.Ferreira // 15 de março de 2017 em 18:10 //

    Sou de Viçosa decendente dos caetés moro em outra cidade.gostei muito da história conta todo o meu passado.

  4. Yara de Almeida Cavalcante // 29 de julho de 2017 em 20:00 //

    Gostei muito deste texto que me forneceu muitos conhecimentos sobre a minha linda e nobre terra, A Atenas Alagoana. Parabéns, jornalista Ticianelli!

  5. Yara de Almeida Cavalcante // 29 de julho de 2017 em 20:01 //

    Em Viçosa vivi os melhores anos da minha vida …

  6. Tenho muito orgulho de ser viçosence.

  7. Lucimara martins pereira // 13 de setembro de 2017 em 15:47 //

    Amigos….gostaria de saber se alguem tem imagem de argemiro martins pereira( avô) e alice maria pereira (avó) …quero saber sobre minha origem paterna…meu avô faleceu ai…

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