Théo Brandão do Folclore Alagoano

Théo Brandão, Octávio Brandão, Arnoldo Jambo e Teotônio Vilela
Théo Brandão na formatura em Medicina

Théo Brandão na formatura em Medicina

Théo Brandão nasceu Theotônio Vilela Brandão no dia 26 de janeiro de 1907, na cidade de Viçosa, Alagoas. Era filho do médico e farmacêutico Manoel de Barros Loureiro Brandão e de Carolina Vilela Brandão. Seus pais eram primos.

Em Viçosa aprendeu as primeiras letras como aluno dos professores João Manuel Simplício, Ovídio Edgar de Albuquerque e estudou nos colégios de D. Maria Amélia Coutrim.

Em 1917, quando tinha dez anos de idade, a família mudou-se para Maceió, onde ele continuou seu curso primário no Colégio São José e depois no Colégio Diocesano, dos irmãos Maristas, onde terminou o chamado curso preparatório, o 2º grau de então.

No Diocesano, juntou-se a um amigo e lançou o jornal Eu Digo, especializado na crítica aos problemas do colégio e aos colegas. Os irmãos Maristas quando souberam que ele era o responsável pelo impresso, não acreditaram. Théo Brandão era o típico aluno bem-comportado nas aulas.

Em dezembro de 1923, viajou para Salvador e ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia, onde estudou por quatro anos. Paralelamente também estudou Farmácia, que era o curso da sua preferência, segundo depoimento pessoal.

Théo Brandão e Élide Brandão

Théo Brandão e Élide Brandão

Foi na Bahia que tomou conhecimento dos estudos folclóricos por meio dos colegas de pensão Arthur Ramos, Josué de Castro e Estácio de Lima.

Concluiu o curso de Medicina no Rio de Janeiro, em 1929. Bacharelou-se também em Farmácia, em 1928, ano em que começou a colaborar com jornaizinhos publicados em Viçosa, enviando do Rio de Janeiro, poemas, crônicas sobre a cidade e o folclore viçosense.

Em 1930, foi morar em Recife onde abriu consultório e trabalhou como pediatra no Hospital Manoel S. Almeida e na Inspetoria de Higiene Infantil e Pré-Escolar do Departamento de Saúde Pública de Pernambuco.

Não permaneceu muito tempo na capital pernambucana. Logo voltou a Maceió onde instalou clínica de Pediatria e Obstetrícia, além de trabalhar com seu pai na Maternidade.

Na capital alagoana, também começou a ensinar na Escola Normal, onde foi aprovado em primeiro lugar no concurso para a cadeira de Higiene e Puericultura. Em pouco tempo já era catedrático da instituição.

Graciliano Ramos, Aluísio Branco, Théo Brandão, José Auto, Rachel de Queiroz e Waldemar Cavalcante

Graciliano Ramos, Aluísio Branco, Théo Brandão, José Auto, Rachel de Queiroz e Waldemar Cavalcante

Nesse período, casou-se com Élide de Almeida, com que namorava desde os 17 anos. Tiveram quatro filhos: Walter, Vólia, Vera e Válnea.

Em Maceió, participou da chamada Geração Intelectual de Alagoas, grupo formado por Diégues Júnior, Graciliano Ramos, Raul Lima, José Lins do Rego, Rachel de Queiroz e seu marido José Auto, Aurélio Buarque de Holanda, entre outros.

Passou a produzir seus trabalhos como folclorista a partir de 1931, quando publicou Folclore e educação infantil, artigo que é um marco entre as duas atividades, a de médico e a de folclorista.

A partir de 1937, quando foi indicado para o Instituto Histórico de Alagoas, passou a se dedicar mais ao folclore e, como era médico, tendeu mais para estudar o tema da medicina popular.

Aurélio Buarque de Holanda e Théo Brandão

Aurélio Buarque de Holanda e Théo Brandão

Na posse, apresenta o trabalho Bio-Bibliografia do Folclore em Alagoas. No ano seguinte foi convidado por Arthur Ramos a participar da Sociedade de Etnologia e Etnografia no Rio de Janeiro, quando conheceu Câmara Cascudo.

Théo Brandão fazia suas pesquisas e colhia materiais e dados sobre crendices populares, superstições, rezas e remédios populares com as mães que iam se consultar com ele no ambulatório de Puericultura e Pediatria onde trabalhava. Também o ajudaram nas suas pesquisas os remédios caseiros de sua mãe e um primo, Sinfrônio Vilela, que chegou a exercer o ofício de curandeiro.

Publicou diversos trabalhos sobre o folclore alagoano: Folclore de Alagoas (1949), Trovas populares de Alagoas (1951), O Reisado alagoano (1953), Folguedos natalinos de Alagoas (1961), O guerreiro (1964), O pastoril (1964), além de diversos ensaios e artigos publicados em revistas especializadas e jornais.

Em Alagoas, coordenou, a partir de 1948, uma das mais atuantes subcomissões da Comissão Nacional do Folclore, da qual era secretário geral, como destacou o jornalista Cristiano Soares em reportagem para o jornal Correio da Manhã de 20 de agosto de 1950. “Com a colaboração dos escritores e pesquisadores provincianos Luís Lavenere, Abelardo Duarte, Gastão Souza, Félix Lima Júnior, Mário Marroquim e Theo Brandão, aquela subcomissão tem conseguido realizar frequentes sessões de estudos, em que valiosas contribuições são apresentadas pelos seus integrantes”.

E continuou: “No campo das realizações práticas, a subcomissão de Alagoas teve a oportunidade de orientar a organização de um Pastoril, restabelecendo assim a antiga tradição dos festejos de Natal”.

O livro Folclore de Alagoas conquistou o Prêmio Othon Lynch Bezerra de Melo, na Academia Alagoana de Letras. Foram 20 mil cruzeiros. Meses depois, na Academia Brasileira de Letras, recebeu mais quatro mil cruzeiros pelo Prêmio João Ribeiro. Com o Reisado Alagoano foi laureado com o primeiro prêmio, o Prêmio Mário de Andrade, e dez mil cruzeiros, no Concurso de Monografias Folclóricas instituído pelo Departamento de Cultura de São Paulo. Nada mal para um “pesquisador provinciano”, como definiu o repórter.

Luiz Sávio de Almeida e Theo Brandão

Luiz Sávio de Almeida e Theo Brandão

Em 1960, abandonou a profissão de médico para dedicar-se integralmente ao folclore. Assumiu a cadeira de Antropologia da Universidade Federal de Alagoas.

Membro fundador e efetivo, desde 1948, da Comissão Nacional do Folclore, passou a integrar, em 1961, o Conselho Nacional do Folclore, por ato do Presidente da República.

Participou de diversos congressos na área de folclore e, em 1963, tentou criar um museu de antropologia e folclore em Alagoas, mas seu sonho não se concretizou.

Théo Brandão, por sua condição de folclorista e professor de antropologia e etnografia, foi sempre bem recebido pelos antropólogos e participou de sociedades de antropologia no Brasil, Portugal e Espanha.

Enterro de Théo Brandão em 1981- Foto de José Feitosa. Acervo Bartolomeu Dresh

Enterro de Théo Brandão em 1981- Foto de José Feitosa. Acervo Bartolomeu Dresh

No dia 20 de agosto de 1975, para abrigar a sua coleção de arte popular doada à Universidade Federal de Alagoas – UFAL, foi criado o Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore, em Maceió.

Em 1981, sentindo-se mal, com dores e indisposições no estômago e baixas de pressão arterial, Théo Brandão viajou ao Rio de Janeiro para se aconselhar com amigos médicos. Foi operado, mas o problema não foi resolvido. Sua família resolveu então voltar para Maceió.

Morreu no dia 29 de setembro de 1981, sendo velado no Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore.

Fontes: Fundação Joaquim Nabuco e Pesquisa de Yara Falcon para o fascículo Memória Cultural de Alagoas da Gazeta de Alagoas de 10 de novembro de 2000.

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