Santa Casa de Misericórdia de Maceió

A Santa Casa de Misericórdia é uma instituição que teve origem no Compromisso da Misericórdia de Lisboa, que originariamente foi estabelecido em 1498, com a aprovação do rei D. Manuel I e, posteriormente, confirmado pelo Papa Alexandre VI.

Rainha Leonor de Avis

Rainha Leonor de Avis

O compromisso era baseado nos ensinamentos de São Tomás de Aquino e passou a regulamentar o funcionamento das Santas Casas da Misericórdia, que surgiram por intervenção da rainha Leonor de Avis, viúva do rei D. João II de Portugal e instituidora da Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia.

A atuação destas instituições apresentou duas fases: a primeira compreendeu o período de meados do século XVIII até 1837, de natureza caritativa; a segunda, o período de 1838 a 1940, com preocupações de natureza filantrópica.

No Brasil

As Santas Casas de Misericórdia no Brasil foram, ainda, anteriores, ao próprio Estado Brasileiro, criado através da Constituição Imperial de 25 de março de 1824.

Esta é a relação das Santas Casas mais antigas do país, instaladas até a Independência.

Santas Casas de Olinda (1539); Santos (1543); Salvador (1549); Vitória (1551); Ilhéus (1564); Rio de Janeiro (1582); João Pessoa (1585); São Paulo (1599); João Pessoa (1602); Belém (1619); São Luiz (1622); São Luís (1657); Ouro Preto (1730); Florianópolis (1765); Penedo (1767); Santo Amaro – BA (1778); São João Del Rei (1783); Campos (1792); Sorocaba (1803), Sabará (1812); Porto Alegre (1814) e Paraty (1822).

Há documentos de 1779 que citam a Santa Casa de Misericórdia de Goiânia, mas não se tem a data precisa do seu início de funcionamento.

De 1822 a 1889 foram criadas 58 novas Santas Casas de Misericórdia no Brasil: uma em Alagoas, Amazonas, Ceará, Pernambuco e em Santa Catarina; duas no Paraná, cinco na Bahia, seis no Rio Grande do Sul, nove no Rio de Janeiro, treze em Minas Gerais e dezoito em São Paulo.

Entre 1889 e 1918 já estavam em funcionamento cem novas Misericórdias e muitas outras viriam a ser criadas

Santa Casa de Misericórdia de Maceió

Santa Casa de Misericórdia de Maceió logo após a inauguração

Santa Casa de Misericórdia de Maceió logo após a inauguração

Em Maceió, a primeira unidade hospitalar da Santa Casa é construída sob a coordenação do pároco da capital, cônego João Barbosa Cordeiro, que contou com a ajuda das irmãs Vicentinas e inúmeras doações.

O terreno veio do advogado João Camilo de Araújo e o engenheiro civil Pedro José de Azevedo Sharamback projetou o prédio. Este mesmo engenheiro foi o responsável pelos prédios da Assembleia Legislativa, Mercado Público, Fazenda Estadual (atual Ministério da Fazenda) e o Liceu de Artes e Ofícios (atual Espaço Cultural da UFAL na Praça Sinimbu).

A pedra fundamental do Hospital de Caridade São Vicente de Paula foi lançada no dia 7 de setembro de 1851 pelo vice-presidente da Província, Manuel Sobral Pinto.

Primeiros gestores da Santa Casa

Primeiros gestores da Santa Casa

Em 1º de março de 1855, o Dr. Antônio Coelho de Sá e Albuquerque, então Presidente da Província, ao prestar contas do andamento da construção, elogia o coronel Manoel da Costa Moraes, um dos membros da comissão de administração da obra e informa que já estava contratando pessoal para a inauguração do hospital prevista para abril daquele ano.

“Mandei contratar em Paris a vinda de duas Irmãs de caridade e de um Missionário Lazarista para se ocuparem do serviço interno do Hospital. A humanidade, zelo e caridade dessas santas criaturas são hoje proverbiais em todo o mundo”.

Autorizado por Lei de 30 de abril de 1855, Sá e Albuquerque nomeia uma comissão que ficou encarregada de acompanhar as obras do hospital e de organizar a Irmandade da Misericórdia. O primeiro provedor foi Manoel da Costa Moraes.

Somente em janeiro de 1856, o hospital começou a funcionar, mesmo que a parte construída, denominada Central, equivalia a somente 25% da obra projetada e era composta de uma capela interior, duas enfermarias, uma masculina e a outra feminina, um pequeno escritório no corredor da entrada e uma pequena cozinha, não oferecendo salas para os médicos, enfermeiros e funcionários.

Nos primeiros anos do século XX

Nos primeiros anos do século XX

O compromisso da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia da Capital, sob a invocação de São Vicente de Paulo, contendo dois títulos, catorze capítulos e trinta artigos, somente foi aprovado por meio da Resolução nº 314, de 23 de abril de 1857.

A parte religiosa do compromisso já havia sido aprovado pelo Bispo Diocesano em 1855.

A instalação da Irmandade aconteceu em 19 de julho de 1857, sendo seu primeiro Provedor o Coronel Manoel da Costa Moraes, que se empossou no mesmo dia, e permaneceu até 1863.

O ano de 1913 é o último ano em que a Congregação da Irmãs Hospitaleiras Franciscanas Portuguesas faz os trabalhos assistenciais da Santa Casa de Maceió. A partir de 1934, no governo de Osman Loureiro, quem assume essa tarefa são as Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição.

Maternidade Sampaio Marques

Maternidade Sampaio Marques

Maternidade Sampaio Marques

A segunda unidade hospitalar da Santa Casa de Misericórdia de Maceió foi a Maternidade Sampaio Marques, que surge de uma iniciativa do governador de Alagoas, Clodoaldo da Fonseca, que em 1912 propôs a construção de uma maternidade.

A ideia foi ventilada durante um almoço íntimo, logo após uma missa em ação de graças, mandada celebrar na Igreja do Livramento pela recuperação do seu filho Rodolpho.

O próprio coronel Clodoaldo da Fonseca promoveu uma subscrição e o arrecadado foi entregue ao Dr. João Firmino dos Reis Lins, então provedor da Santa Casa de Misericórdia de Maceió, que ampliou a arrecadação.

Maternidade Sampaio Marques

Maternidade Sampaio Marques

O Dr. Manoel de Sampaio Marques toma posse como provedor da Santa Casa em 25 de novembro de 1912 e reforça o compromisso da construção da maternidade.

O início da construção deu-se em 19 de junho de 1914, data do lançamento da pedra fundamental, e durou cerca de 2 anos e quatro meses, sendo o edifício inaugurado em 29 de outubro de 1916, data comemorativa do aniversário de São Vicente de Paulo, patrono da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Maceió.

O projeto arquitetônico foi do tenente do Exército José Antônio Marques.

Segundo pesquisa de Álvaro Queiróz para o livro História de um Hospital de Caridade, há registros dos seguintes provedores da Santa Casa de Misericórdia de Maceió: Manoel  da Costa Moraes, Francisco de Paula Mesquita Cerqueira, José Vasconcelos Castro, Miguel Joaquim Ramos de Moraes, José Antônio de Magalhães Bastos, José Adolfo de Corrêa, Manoel Martins de Miranda, Manoel José Duarte, Cândido de Almeida Botelha, Firmo da Cunha Lopes, Serafim Costa, Araújo Rego, Raul Brito, Hermann Soares, Xavier Acioli, Antônio Mário Mafra, Álvaro Peixoto, Luiz Calheiros, Osório Gatto, Mário Lima, Sinzenando Nabuco, Tarcísio de Jesus, Lourival Nunes da Costa e Humberto Gomes de Melo.

Fonte principal:
História de um Hospital de Caridade (Santa Casa de Maceió – 150 anos), de Álvaro Queiroz, Edições Catavento, 2001

3 Comments on Santa Casa de Misericórdia de Maceió

  1. maria sonia de amorim // 29 de maio de 2015 em 19:48 //

    Como gosto destes relatos da história. Parabéns por tudo que representa a Santa Casa em Maceió.

  2. Levi Cardoso // 14 de abril de 2016 em 15:34 //

    Só fico triste que uma instituição de princípio caridoso cobre tão caro pelas consultas e exames.

  3. Delma Conceição de Lima // 14 de abril de 2016 em 18:18 //

    Muito proveitosa a história da criação da Santa Casa. E pensar que levei muitas carreiras das irmães nos corredores do último andar daquele prédio da Rua Dias Cabral. Eu era ainda criança (10 anos de idade) morava em frente onde ainda não era muito ocupado pela Santa Casa e havia muita residência. Havia no 4º andar um cinema para os pacientes e entrávamos sem que ninguém nos visse, para assistir filmes.

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