Sandoval Caju, o Conversador

Sandoval Ferreira Caju, alto, cabeleira cheia, paraibano de muito talento, nascido na pequena Cidade de Bonito de Santa Fé, alto sertão da Paraíba, depois de uma temporada no Rio voltou para João Pessoa impressionando a província com um límpido cartão de visita confeccionado em linho, com a seguinte inscrição: Sandoval Caju, locutor da Rádio Relógio do Distrito Federal.

Teotônio Vilela, Sandoval Caju e Luiz Cavalcante em um comício na Praça dos Martírios.

Antônio Gomes de Barros, Teotônio Vilela, Sandoval Caju e Luiz Cavalcante em um comício na Praça dos Martírios.

A Rádio Relógio era exatamente isso, apenas hora certa, durante 24 horas. Astuto, palavra fácil e muito espirituoso Sandoval Caju em pouco tempo se tornou um dos maiores radialista do Nordeste, na Rádio Tabajara da Paraíba.

Um dia, veio a Maceió para se encontrar com o irmão mais velho Genival, que não via há mais de três anos e que aqui cursava a Faculdade de Direito de Alagoas, como conta em seu livro de memórias “O Conversador”, impresso na Sergasa e lançado em 1991:

“Eram cinco e meia da tarde de 10 de maio de 1947 quando desembarquei na cidade em que teria de permanecer cerca de quinze dias, segundo um compromisso de honra assumido por mim perante a minha própria pessoa”.

Só que por aqui ficou durante 47 anos, até o seu falecimento em 23 de maio de 1994. Em Maceió, com seu jeito irreverente, espirituoso, repentista, ingressou na Rádio Difusora de Alagoas onde fez o seu primeiro grande programa de auditório, Palito de Fósforo: o programa incendiário dos auditórios.

Sempre de branco, para ser mais claro

Sempre de branco, para ser mais claro

Como locutor e animador de auditório, gozando de grande prestigio popular, aproveitou os espaços que os seus programas ofereciam, como foi o caso do Tribuna do Povo, e fez vitoriosa carreira política.

Durante a campanha ia para as praças todo vestido de branco e, de cima de um caminhão, começava seus discursos com a seguinte frase:

– “Vim de branco para ser claro”!

E tanto foi de branco e tanto foi claro que acabou ganhando as eleições e se elegendo prefeito de Maceió, inclusive com o apoio do alagoano Marechal Floriano Peixoto, que já tinha morrido em 1895.

Marcou um comício para a Praça dos Martírios em frente à estátua de Floriano Peixoto. A praça cheia, começou a falar e de repente abriu os braços largos:

– Marechal Floriano, vós que sois o patrono da terra das Alagoas, dizei a este povo se estais ou não estais apoiando a candidatura de Sandoval Caju à Prefeitura de Maceió.

Sandoval Caju

Sandoval Caju

A praça em silêncio, esperando. Sandoval, braços ao vento, insistia:

– Respondei, Marechal! Respondei! – Depois, com a voz embargada e os olhos marejados de gratidão, gritou:

– Obrigado, Marechal! Muito obrigado! Quem cala, consente! – Ganhou a eleição.

Foi responsável, entre outros feitos, por projetar o jovem economista Divaldo Suruagy para a política. Suruagy era Chefe da Divisão dos Impostos Predial e Territorial, quando recebeu o convite de Sandoval Caju para assumir a Direção-Geral da Municipalidade. Meses depois, no final de 1962, promoveu-o a Secretário-Geral de Administração.

Infelizmente o golpe militar de 64 tirou-lhe o mandato que lhe fora concedido pelo povo de Maceió. Dedicou-se então, a partir daí, à advocacia.

Texto original de Pedro Macedo (AQUI) com inserções de informações do texto de Divaldo Suruagy (AQUI). Seu livro O Conversador, está disponível (AQUI).

9 Comments on Sandoval Caju, o Conversador

  1. Sou neto de Sandoval Cajú. Por gentileza corrigir o detalhe que Sandoval Cajú faleceu em 1994, e não em 1974. Obrigado.

  2. Léo Caju, já corrigimos o erro. Obrigado pela contribuição.

  3. Francisco Ferreira caju // 1 de outubro de 2015 em 22:14 //

    Não tive contato com Sandoval mais sei que foi um homem de uma sabedoria sem limite.

  4. Mirian Luiz // 18 de abril de 2016 em 00:32 //

    Com esta manifestação histórica política, acabei lembrando de Sandoval Caju o qual conheci na minha adolescência e estudei com sua filha Daniela, gostaria muito de ter notícias. Há 21 anos sai de Alagoas e perdi o contato.

  5. Adriana de Paula // 30 de janeiro de 2017 em 09:10 //

    Sou Adriana neta de Sandoval Caju e filha de Marcos que mora no Rio de Janeiro,e tive o prazer de conhecê-lo antes que Deus o levasse.Um homem bom.

  6. Meu pai Moises Vieira Alves, trabalhou com ele na epoca que ele era prefeito. eram amigos, segunda minha familia trabalho tb na campanha p prefeito dele.

  7. Marcos Silva // 16 de julho de 2017 em 10:31 //

    Tenho 45 anos, mas ainda vi alguns discursos de Sandoval Cajú em Maceió.boas lembranças, parabéns Ticianelli!

  8. Clemenceu Caju // 19 de julho de 2017 em 20:36 //

    Sou filho de Sandoval Cajú, favor corrigir a data de falecimento. O correto é 23/05/1994.
    Obrigado.
    Clemenceau Caju

  9. A correção foi feita. Obrigado.

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