Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura

Rosalvo Ribeiro fotografado por Ranulpho em 1906

Rosalvo Ribeiro fotografado por Ranulpho em 1906

Um dos maiores nomes das artes em Alagoas, Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro nasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro, em 1863, mas só foi batizado no dia 26 de novembro de 1865. Era filho de Felipe Ângelo Ribeiro de Britto e de Josefina Izília de Caldas Ribeiro, proprietários rurais bem-sucedidos.

Iniciou seus estudos em Maceió no Colégio Bom Jesus, onde não conseguiu bom aproveitamento, preferindo os livros e os desenhos em “crayon“. Na adolescência continuava envolvido pela arte do desenho.

Passava o dia na porta da marcenaria de Félix Pereira da Cruz, na Rua do Comércio, executando retratos a preços populares.

Somente com a criação do Liceu de Artes e Ofícios é que começou a estudar as técnicas de Desenho e Pintura. Em 1884, o presidente da Província viu um dos seus trabalhos e encomendou-lhe um retrato. Impressionado com o resultado da pintura, Henrique de Magalhães Salles conseguiu que a Assembleia Provincial lhe destinasse uma pensão anual de 1.200,000 réis durante três anos, para estudar na Imperial Academia de Belas Artes no Rio de Janeiro.

Notícias Desagradáveis de 1896

Notícias Desagradáveis de 1896

Chegou ao Rio de Janeiro em 1886 e com quatro meses de estudos já era admirado pelos seus mestres. No final do primeiro ano é aprovado em primeiro lugar e ganha uma bolsa para estudar em Paris.

Em setembro de 1888, desembarcou em Paris com o sustento garantido pela bolsa da Imperial Academia de Belas Artes e pela pensão do governo alagoano, que foi majorada e renovada. Na França, matricula-se na Academie Julien, dirigida por Jules Lefebvre.

E nesta escola que estuda com Jean-Baptiste-Édouard Detaille, um dos mais reputados pintores de temas militares na França do século XIX, e que iria exercer grande influência na produção de Rosalvo Ribeiro enquanto esteve em Paris.

Interior com duas crianças de 1899

Interior com duas crianças de 1899

Estudou ainda na École des Beaux Arts e tomou aulas particulares com o célebre retratista Joseph-Léon Bonnat. Ainda na França, consegue se destacar ao participar da decoração artística do Hôtel de Ville (Prefeitura) e do Panthéon.

Em 1894, o governador Gabino Besouro registra no seu relatório à Assembleia que havia recebido alguns quadros do “pensionista do Estado Rosalvo Alexandrino de Caldas Ribeiro”, que foram enviados para comprovar “o gráo de aproveitamento a que já attingio na sublime arte”.

O governante informa ainda que fez uma exposição com estes quadros e com a obra de outros alagoanos. “Há quadros do Snr. Caldas Ribeiro, que lhe grangeiam incotestavel merecimento”, avaliou Gabino Besouro.

Após doze anos em Paris, Rosalvo Ribeiro tem a pensão que recebia do governo cortada e volta a Maceió em 1901, mas não encontra ambiente para seus temas militares tão valorizados na França. Com exceção dos Fonseca, as principais famílias alagoanas não cultuavam a carreira militar.

O Tambor de Regimento. Acervo do Palácio Marechal Floriano Peixoto

O Tambor de Regimento. Acervo do Palácio Marechal Floriano Peixoto

Sem muita opção, volta a ser o retratista da sua adolescência tendo como um dos seus principais clientes o governador Euclides Vieira Malta. Neste período produz em pequenas telas rostos da aristocracia rural, burguesia mercantil e industrial da crescente economia alagoana.

Para completar os ganhos, ainda ensinava francês, desenho e executava projetos arquitetônicos, a exemplo da Intendência e Praça dos Martírios, ou de urbanização como os das praças Deodoro e Dois Leões em Jaraguá.

O excesso de trabalho e o provável descaso com a alimentação levaram-no a contrair tuberculose. Faleceu no dia 29 de abril de 1915 em Maceió.

Fonte: Memória Cultural de Alagoas, pesquisa de Romeu de M. Loureiro.

2 Comments on Rosalvo Ribeiro, um mestre da pintura

  1. Eu ja tinha ouvido falar de Rosalvo Ribeiro. Mais nao sabia que era alagoano. Que lindo quadro. Do rapazinho e o senhor. Tambem nao sabia que as esculturas na praca do martirio e deodoro era dele. E praca dos dois leoes. Que maravilha. Gostei muito em ler este link.

  2. Parabéns, Sr. Ticianeli! Divulgação muito positiva para os interessados no que a cultura alagoana tem de bom.

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