A revolucionária Selma Bandeira

Participação popular no enterro de Selma Bandeira no dia 8 de setembro de 1986 - Foto de Plínio Nicácio

Selma Bandeira nasceu em Delmiro Gouveia no dia 1º de janeiro de 1944. Filha de Lauro Mendes Correia e Alexandrina Bandeira Mendes. Médica, destacou-se pela militante política, chegando a ser deputada estadual em Alagoas (1983-1986).

Recepção a Teotônio Vilela em 1982 - Josival Monteiro

Recepção a Teotônio Vilela em 1982 – Foto de Josival Monteiro

Sua atuação política se deu principalmente em Recife, onde participa da fundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR) em maio de 1966, com Amaro Luiz de Carvalho (Capivara), Manoel Lisboa de Moura, Valmir Costa e Ricardo Zarattini.

Aos 16 anos de idade, ainda como estudante secundarista no Colégio Moreira e Silva, em Maceió, começa a participar do movimento estudantil, à época liderado pela UESA.

Foi vice-presidenta do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina da Ufal. Nesse período ensinava Biologia no 2º ano Científico do Colégio Estadual de Alagoas.

Selma Bandeira presa em Imbiúna durante Congresso da UNE

Selma Bandeira presa em Ibiúna durante 30º Congresso da UNE, em 1968

Em 1968, participa do 30º Congresso da UNE, em São Paulo, o famoso Congresso de Ibiúna. É presa e posta em liberdade no dia 17 de outubro do mesmo ano. É indiciada na Lei de Segurança Nacional e responde a Inquérito Polcial Militar.

Por sua militância no PCR, foi perseguida pela polícia em Pernambuco, numa ação coordenada pela equipe do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury, que não encontrado-a, veio a Maceió onde prenderam, no dia 18 de agosto de 1973, seu irmão e irmãs (Lauro Bandeira, Maria das Graças Bandeira e Sônia Bandeira). Foram levados para Recife onde sofreram torturas durante 30 dias.

Reunião do Comitê de campanha de José Costa em 1982

Reunião do Comitê de campanha de José Costa em 1982

Selma e Valmir Costa foram os últimos dirigentes do PCR a serem detidos. Suas prisões só aconteceram em abril de 1978, num apartamento em Casa Amarela, Recife, quando mais de 30 policiais invadiram o prédio e levaram os dois.

Com a Lei da Anistia, Selma Bandeira foi a primeira presa política a ser beneficiada, depois de ficar presa por um ano e três meses em Pernambuco.

Após retornar a Maceió, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e atuou como médica sanitarista. Em 1982 foi eleita para a Assembleia Legislativa Estadual.

Entrevistada pelo jornal OPINIÃO em 1982, revelou que quando adolescente tinha uma disposição fantasiada, mas que os seus sonhos não acabaram. “Eles continuam bem vivos. O sonho de libertação do povo brasileiro, porque a realidade continua existindo e para que a realidade seja transformada, ou melhor, enquanto ela não é transformada, esse objetivo que queremos alcançar é um sonho”, declarou.

Participação popular no enterro de Selma Bandeira no dia 8 de setembro de 1986 - Foto de Plínio Nicácio

Participação popular no enterro de Selma Bandeira no dia 8 de setembro de 1986 – Foto de Plínio Nicácio

Sua atuação política lhe rendeu reconhecimento e respeito. Durante seu funeral, em 1986, milhares pessoas acompanhavam o cortejo de seu corpo, por cerca de 10 km, cantando a música de sua candidatura à Câmara Federal. Veja fotos AQUI.

Selma Bandeira faleceu aos 42 anos de idade em um acidente automobilístico, no dia 7 de setembro de 1986, quando participava da campanha para deputada federal.

1 Comentário on A revolucionária Selma Bandeira

  1. Eklivann Marcel Costa de Oliveira. // 15 de dezembro de 2015 em 10:07 //

    Tempo onde a noção de alternativa politica ainda existia.

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