Ranilson França, uma vida dedicada à cultura popular

Ranilson França
Ranilson França

Ranilson França criou o programa Balançando o Ganzá na Rádio Educativa FM

Ranilson França de Souza, nasceu no dia 19 de junho de 1953, na Chã do Pilar/AL, filho de José Belarmino de Souza e de Jeruza França de Souza. Vindo morar em Maceió, cursou o primário no Grupo Escolar D.Pedro I e o ginásio no Colégio Élio Lemos e Colégio Estadual, terminando o segundo grau no Colégio Guido. Participava ativamente do Grêmio Estudantil, integrando a equipe da Revista Mocidade.

Guerreiro em Maceió no ano de 1943

Guerreiro em Maceió no ano de 1943

Os anos passados na sua Chã do Pilar, deu-lhe a oportunidade de conhecer alguns dos nossos folguedos: guerreiros, pastoris, baianas, cavalhadas, entre outros, ficando contaminado pela beleza e riqueza da cultura popular de Alagoas. Aos 18 anos, já era um estudioso do folclore alagoano. Foi discípulo de grandes folcloristas como Théo Brandão e Pedro Teixeira e amigo do folclorista José Maria Tenório Rocha.

Homem honesto, criativo, estudiosos e dono de uma memória privilegiada, sempre agindo com integridade, humanidade e humildade, marcou sua carreira de forma notável, graduando-se em Pedagogia e Educação Artística, foi professor de Folclore no Centro de Estudos Superiores de Maceió (CESMAC), do qual foi um dos fundadores, exercendo o cargo de Assessor de Assuntos Estudantis Comunitário.

Apresentação de um Reisado em Maceió no ano de 1943

Apresentação de um Reisado em Maceió no ano de 1943

Professor concursado da rede pública estadual de ensino, integrou o quadro da Secretaria Estadual de Cultura, onde ocupou por vários anos o cargo de Coordenador de Ação Cultural, como também o de Secretário Estadual de Cultura. Professor e pesquisador, desempenhou várias atividades relacionadas ao folclore, fundando no ano de 1985 a Associação dos Folguedos Populares de Alagoas – ASFOPAL, da qual foi presidente durante 21 anos. Também foi membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas (IHGAL), Presidente da Comissão Alagoana de Folclore (CAF) e do Conselho Estadual de Cultura.

Tocador de pífano

Tocador de pífano

Sempre buscando divulgar as belezas do folclore, criou o programa “Balançando o Ganzá”, na Rádio Educativa FM, durante duas décadas, apresentando ao público um pouco da história, da vida e da obra dos denominados Mestres do folclore alagoano, mostrando ao ouvinte a alegria e a autenticidade do folclore a partir da presença frequente de algum grupo ou representante dos folguedos.  Foi uma proposta pioneira que dura até os dias de hoje. Criou também, junto à ASFOPAL, o projeto “Engenho de Folguedos”, com ensaios abertos e semanais para os amantes da cultura popular.

Nos últimos anos esteve à frente da Coordenadoria de Ação Cultural da Secretaria Estadual de Educação (CorAC), criando o projeto Mestre na Escola, com o objetivo de formar grupos folclores com os alunos da Rede Estadual de Educação.

Admirador declarado do forrozeiro Dominguinhos, Ranilson escreveu seu primeiro livro, “De Neném a Dominguinhos”, contando toda a trajetória de vida do músico.

Homem de destaque notório na cultura popular do Estado, despediu-se prematuramente da vida no dia 14 de agosto de 2006, aos 53 anos de idade, deixando uma verdadeira legião de admiradores e uma lacuna na preservação, divulgação e valorização do diversificado e rico folclore das Alagoas.

Com humildade e sabedoria, soube valorizar e respeitar cada mestre, cada brincadeira. Tornou-se o “Mestre dos Mestres”.

Obras:
– De Neném a Dominguinhos – 2006;
– Vários artigos sobre o folclore alagoano.

Texto publicado originalmente em http://www.cultura.al.gov.br/.
Fonte primária: ASFOPAL, 25 Anos Brincando Sério” – Novaes, Josefina.

2 Comments on Ranilson França, uma vida dedicada à cultura popular

  1. Grande promotor, estudioso e professor das manifestações de cultura espontânea. Vivemos alguns momentos de muitas alegrias e aprendizagens! Viva Ranilson!

  2. Sônia Lucena // 29 de outubro de 2015 em 15:18 //

    As fotos em preto e branco é do francês Marcel Gautherot e foram adquiridas depois de sua morte pelo Instituto Moreira Sales. Do mesmo fotografo tem fotos de cavalhada, inclusive 4 de meu pai.

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