Quem matou Tobias Granja?

Tobias Granja, no centro da mesa, participa de uma confraternização
Tobias Granja no julgamento do Cabo Henrique. Foto de José Feitosa do acervo de Bartolomeu Dresh

Tobias Granja no julgamento do Cabo Henrique. Foto de José Feitosa do acervo de Bartolomeu Dresh

Francisco Guilherme Tobias Granja nasceu em Palmeira dos Índios no dia 13 de fevereiro de 1945. Filho de Manoel de Araújo Granja e de Maria Bernadete Tobias Granja. No início da década de 1960, com 15 anos e já morando em Maceió, destacou-se como líder estudantil secundarista, chegando a presidir a União dos Estudantes Secundarista de Alagoas, a UESA.

Ainda jovem, começou a trabalhar no Banco Brasil. Depois do Golpe Militar de 1964 foi trabalhar na imprensa do Sudeste, sendo repórter das revistas Manchete e Cruzeiro. Nesse período, conclui o curso de Direito. Em meados da década de 1970, volta a Maceió e continua no jornalismo, além de advogar. Foi candidato a deputado federal em 1974, mas não conseguiu se eleger.

Em dezembro de 1978 tem início uma verdadeira guerra em Alagoas entre as famílias Omena e Calheiros, com várias mortes de ambos os lados. Tobias Granja atua na defesa do Cabo Henrique e seus irmãos no julgamento pela morte de Ernesto Calheiros e consegue a absolvição de todos os acusados.

Cabo Henrique

Cabo Henrique

A partir daí, segundo o jornalista José Jurandir no livro Os crimes que abalaram Alagoas, Tobias Granja “apaixonara-se profundamente pela causa, tomando-a para si, puxando-a para as entranhas do seu jovem sentimento, emotivo e sensível. Visceralmente envolvido na defesa do cabo, descambou para um verdadeiro paternalismo, ficando do lado de todos os familiares do acusado, numa ardorosa atitude de lealdade e destemor”.

O Cabo Henrique reconhecia a essa lealdade e deixou isso explicito num bilhete datado de 22 de maio de 1982, após fugir espetacularmente do Quartel da PM, onde estava detido. “Meu caro doutor Tobias, por você eu faço qualquer coisa. Você não é somente meu advogado. É meu irmão, é tudo para mim. Longe de meu Estado, de minha família e de meus amigos leiais como você, sinto saudades e tenho vontade de voltar. Mas, quem sabe, um dia voltarei para Alagoas. José Henrique da Silva”.

Dagoberto Calheiros concede entrevista a Jaime Feitosa, Bartolomeu Dresh e Ailton Vilanova. Foto de Josival Monteiro do acervo de Bartolomeu Dresh

Dagoberto Calheiros concede entrevista a Jaime Feitosa, Bartolomeu Dresh e Ailton Vilanova. Foto de Josival Monteiro do acervo de Bartolomeu Dresh

No entardecer do dia 15 de junho de 1982, na Rua das Árvores ou Rua Augusta, no Centro de Maceió, Tobias Granja, com 37 anos de idade, foi abatido com um tiro na nuca. Dagoberto Calheiros foi acusado e indiciado por de ser o mandante do crime. A execução foi atribuída a Nezinho, que contou com o apoio de Napoleão. Todos cumpriram pena e foram liberados por progressão de regime

O Cabo Henrique não esperou que a lei fosse cumprida e resolveu vingar a morte do advogado. O alvo escolhido por ele foi o Tenente Cavalcante Lins, também da família Calheiros e que teria planejado o crime de Tobias Granja, além de já se ter contra ele denúncias por vários outros crimes.

A vingança ocorreu às 13 horas do dia 13 de julho de 1982, menos de um mês após o assassinato de Tobias Granja. Cavalcanti foi morto dentro do seu fusca branco, na esquina a Praça do Montepio, a poucos metros do Quartel da PM de onde tinha acabado de sair.

Tobias Granja, quando morreu, era candidato a deputado estadual pelo PMDB. Seu assassinato motivou forte reação dos jornalistas alagoanos, que tinha Denis Agra à frente do sindicato da categoria. O Sindicato dos Jornalistas, a OAB e outras entidades da sociedade civil denunciaram o clima de insegurança e a pistolagem institucionalizada.

Exatamente um ano antes de ser assassinado, no dia 15 de junho de 1981, Tobias havia peticionado ao presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas. Sob o protocolo 22.489, ele praticamente vaticinou: “A arma contra a covardia é a fé, a convicção na verdade. Nem as emboscadas, nem as bombas nos amedrontam, porque uma ideia não morre no meio do fogo. Se for preciso, entrego minha vida em sacrifício”.

Fontes:
– Os crimes que abalaram Alagoas, de José Jurandir, 2ª Edição, 2013.
– Gazeta de Alagoas, edição de 24 de maio de 2012.
– Ficha do DOPSE.
– Mozart Damasceno, o bom burguês, de Geraldo de Majella.

Frente da ficha de Tobias Granja no DOPSE

Verso da ficha de Tobias Granja no DOPSE

Verso da ficha de Tobias Granja no DOPSE

 

2 Comments on Quem matou Tobias Granja?

  1. Está em extinção homem como Tobias Granja.

  2. fernando da silva feitosa // 8 de junho de 2016 em 22:17 //

    saudade tobias granja..saudade do cabo henrique

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