Praça D. Rosa da Fonseca: de N. S. do Livramento até o Bar do Chopp

Praça Dona Rosa da Fonseca nos anos 10
Antiga capela do Livramento que foi substituída pela Igreja inaugurada em 17 de fevereiro de 1883

Antiga capela do Livramento que foi substituída pela Igreja inaugurada em 17 de fevereiro de 1883

A antiga capela do Livramento, no Centro de Maceió, mesmo sendo muito pequena, mas tendo a seu favor a força da tradição religiosa, logo influenciou na denominação dos logradouros públicos ao seu redor. A rua onde foi construída e a pracinha em frente também homenagearam a Nossa Senhora do Livramento.

Não há informações sobre a data da sua construção, mas a irmandade do mesmo nome foi criada no dia 2 de março de 1825 e a sua fundação se deu em reunião realizada na própria capela.

A primeira reforma da capela foi em 1839, obra que contou com a ajuda do presidente da província, Agostinho da Silva Neves. Quarenta anos depois, a capela foi demolida e em seu lugar foi erguida a Igreja do Livramento, inaugurada em 17 de fevereiro de 1883. Em 1905, a igreja foi reformada e ganhou a torre com seus três sinos.

Se a Igreja, por ter o protetorado de Nossa Senhora do Livramento, se fortalecia, o mesmo não se pode dizer da praça em frente, mesmo sendo também do Livramento.

Inauguração da reforma da praça e do busto de D. Rosa da Fonseca em 7 de setembro de 1910

Inauguração da reforma da praça e do busto de D. Rosa da Fonseca em 7 de setembro de 1910

Por ocasião, em maio de 1909, de uma reforma autorizada pelo intendente Demócrito Gracindo, que encarregou Rosalvo Ribeiro de elaborar um novo projeto para a Praça, surgiu a proposta de também mudar o seu nome.

Assim, no dia 21 de setembro de 1909, o Conselho Municipal de Maceió (atual Câmara Municipal) aprovou o Projeto nº 26 decretando que a Praça do Livramento passava a se denominar Praça Dona Rosa da Fonseca.

O mesmo decreto autoriza ao intendente a colocar um busto em bronze da “legendária alagoana” na referida praça, “aformoseando a mesma”. O projeto nº 26 é sancionado pelo intendente e transformado na Lei nº 147, de 23 de setembro de 1909.

Rua do Livramento, com a Praça D. Rosa da Fonseca, em 1915

Rua do Livramento, com a Praça D. Rosa da Fonseca, em meados da década de 1910

O busto, que custou Rs 1:200$000, foi encomendado a empresa paulista Goulart Pimentel & Cia, que por sua vez encarregou Angeli Angiolo, proprietário da Fundição Artística Paulistana, de confeccionar a peça, o mesmo que esculpiu a estátua de Floriano Peixoto para a Praça dos Martírios.

A nova denominação da praça era uma homenagem à mãe de algumas personalidades importantes para política de Alagoas e do país, afinal, um dos seus filhos foi o proclamador da República e o seu primeiro presidente.

Dona Rosa da Fonseca

Dona Rosa Maria Paulina Barros Cavalcanti da Fonseca casou com o capitão Manuel Mendes da Fonseca e tiveram dez filhos: Marechal Hermes Ernesto da Fonseca, Marechal Severiano Martins da Fonseca, Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, Coronel Pedro Paulino da Fonseca, Capitão Hipólito Mendes da Fonseca, Major Eduardo Emiliano da Fonseca, General João Severiano da Fonseca e Tenente Afonso Aurélio da Fonseca, todos militares, e as filhas Emília e Amélia.

Acompanhando os fatos do seu tempo, Dona Rosa da Fonseca, considerada uma mulher inteligente, compreendia a importância da Guerra do Paraguai e não se abateu quando perdeu três filhos neste confronto.

Praça D. Rosa da Fonseca nos anos 30

Praça D. Rosa da Fonseca nos anos 30

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de julho de 1873, e foi sepultada no cemitério de São Francisco Xavier. Em 20 de agosto de 1979, em cerimonial fúnebre, com a presença de militares e de descendentes do fundador da República, Marechal Deodoro da Fonseca, seus restos mortais foram transferidos para o túmulo monumental de Deodoro, no cemitério de São Francisco Xavier.

A lápide do antigo túmulo de Rosa da Fonseca encontra-se hoje exposta para visitação pública na Casa de Deodoro, em Marechal Deodoro, Alagoas.

A reforma da praça e o busto da Dona Rosa da Fonseca foram inaugurados na tarde da quarta-feira, 7 de setembro de 1910, com a participação das colunas militares e estudantis que haviam desfilado antes pelas ruas de Maceió em homenagem à Independência do Brasil.

Praça D. Rosa da Fonseca hoje, ocupada pelo Bar do Chopp

Praça D. Rosa da Fonseca hoje, ocupada pelo Bar do Chopp

Em 1936, o prefeito Álvaro Guedes Nogueira remodelou a praça e mudou a posição do busto, que antes olhava para a Igreja do Livramento e passou a ter a nascente pela frente.

A transformação mais importante sofrida pela praça veio nos anos 50, quando na casa onde funcionou a antiga Mercearia Boa Vista, de Serafim Costa, se instalou o Bar do Chopp, que foi autorizado a usar a praça como extensão. Aos poucos, a área foi sendo incorporada ao bar e hoje foi substituída por enorme alpendre.

Não se tem informações precisas de quando foi retirado o busto de D. Rosa da Fonseca e levado para a Casa do Marechal Deodoro na cidade do mesmo nome, mas pode-se afirmar que D. Rosa está bem melhor acomodado por lá, na casa do filho.

Mercearia Boa Vista, de Serafim Costa nos anos 20

1 Comentário on Praça D. Rosa da Fonseca: de N. S. do Livramento até o Bar do Chopp

  1. O lamentável é que quase toda memória importante da nossa história de Alagoas, mais precisamente Maceió, não existe mais; vejam só como um estabelecimento sem importância alguma, destruiu uma historia tão fundamental para o nosso povo.

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