Praça de Nossa Senhora das Graças na Levada

Praça das Graças nos anos 60

A Praça de Nossa Senhora das Graças, no bairro da Levada, está localizada numa região outrora conhecida como Brejo da Água Negra. Esta área fazia parte do entorno do Canal da Levada, que era cortada por pequenos pântanos.

Local onde será contruída a igreja, definido em 1º de novembro de 1867

Local onde será contruída a igreja, definido em 1º de novembro de 1867

A partir do final do século XIX, a expansão urbana cobrou novos espaços e os brejos foram sendo aterrados e os pântanos secando.

Félix Lima Júnior, em Maceió de Outrora, descreve o surgimento do bairro: “o adensamento da área da Levada cresceu tão rapidamente que em 1848 já havia se consolidado uma feira livre as margens do canal e uma forte ocupação residencial, confirmando a formação de um novo bairro, que assim como o canal e o porto, se chamava Levada”.

A Praça das Graças, que no início era conhecida como Praça Guimarães Passos, foi o primeiro espaço social do recente bairro de Maceió.

Largo da Levada em 1940, com a descida para as Águas Negras, hoje é o início da Rua Santo Antônio

A ata de lançamento da pedra fundamental da Matriz de N. Srª das Graças, em 1º de novembro de 1867, registra que a escolha do local observava as limitações para construções na área.

“Que seria o local mais ideal por ser em terreno alto e terra massapê, com uma inclinação larga desembocando na Ponte da água negra”.

Com a inauguração da Matriz, em 13 de dezembro de 1912, o nome da Praça muda e passa a homenagear a mesma Senhora lembrada pela Igreja.

Nos Idos de 1927, com a chegada do Padre Pedro de Oliveira Cavalcanti, grande difusor político, o desenvolvimento urbano da Praça e do bairro é acelerado.

No final da década de 1920, José Cavalcanti Filho faz exibições cinematográficas durante festejos de Nossa Senhora das Graças, depois na Missa da Véspera de Natal.

Praça das Graças e prédio da Saúde Pública nos anos 40

Com a ajuda e incentivo do Padre Pedro Cavalcanti de Oliveira, José Cavalcanti Filho associasse a Iago Coelho e constroem um cinema no local.

Há indícios que o terreno foi doado pela Paróquia e os fiéis ajudaram a construir carregando tijolos e outros materiais.

O Jornal de Alagoas de 23 de dezembro de 1928, assim noticiava o surgimento do cinema: “Annexo aos festejos do Natal, no Parque Rio Branco, será inaugurado hoje o Cinema Ideal que proporcionará ás exmas. familias e ao publico em geral, durante as festas de Natal, Anno Bom e Reis, attrahentes sessões cinematographicas, com fina e escolhida programmação e a preços populares.”

Após a Segunda Grande Guerra, no entorno da Praça das Graças, o antigo casario colonial já convivia com outros de linha modernas. São derrubadas várias casas do século XIX para a construção do prédio do 1º Centro de Saúde da Capital, que foi inaugurado em 1948.  

Casario da Praça da Graças de estilo eclético do final do século XIX. Foto de João Victor Lemos

Na década de 1960, a Praça recebeu melhorias, arborização, passeios e área de lazer, graças a investimentos do governador Muniz Falcão, aliado político do Padre Oliveira e devoto fidelíssimo da Santa Virgem.

Em 2010, a Praça das Graças foi revitalizada pela Prefeitura e logo em seguida foi erguido um monumento em honra da Santa Senhora.

Os registros históricos mostram que a Praça das Graças conviveu com a aristocracia por certo tempo, mas hoje vive os conflitos do contraste social.

Pesquisa e texto original de João Victor Lemos.

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