Pontal da Barra, a antiga Vila de São Pedro

Canal da Assembleia no Pontal da Barra

O Pontal da Barra já foi Vila de São Pedro

Situada no extremo sudoeste de Maceió, ao lado do Canal da Assembleia ou do Calunga, o Pontal da Barra teve sua existência já registrada em 1792, mencionado pelo vigário Manoel José Cabral na Caderneta de desobriga da freguesia do Norte, atual Santa Luzia do Norte. Tinha então 30 edificações.

No Dicionário histórico, geográfico, biográfico, cherográfico e industrial da Província de Alagoas de Pedro Paulino da Fonseca, datado de 1880, informa que “os primeiros moradores e possuidores das terras compreendidas do Trapiche da Barra até o Pontal ou Barra da Lagoa (foram) José do Egipto de Jesus, Reginaldo Corrêa de Mello, Bernardo Marinho de Oliveira, D. Rosa de Tal e D. Theodora Maria de Tal”. Esses proprietários moravam no Trapiche e há anotações sobre as suas existências no “Rol dos Confessados” de 1796.

O serviço ferroviário para o Pontal da Barra foi inaugurado no dia 27 de março de 1867. Ligava o bairro ao Porto de Jaraguá.

Há registros da existência de 56 pessoas morando no Pontal da Barra em 1796. Thomaz do Bomfim Espíndola informa em 1871 que a povoação era “um agregado de 50 cabanas cobertas de palhas e Habitadas por pobres pescadores”.

Em 1891, cerca de 100 habitações formavam o povoado, como registrou o Almanak do Estado de Alagoas. Neste mesmo ano é citada a existência da capelinha de São Sebastião, que teve a sua construção iniciada em 1876 e concluída em 1880. Em 1897 já nada existia dela e outra foi erguida com a ajuda dos moradores. Esta foi demolida em 1979 e em seu lugar foi construída a atual, que recebeu da população a denominação de “depósito de coco”.

Pontal da Barra em foto Stuckert

A instrução primária no Pontal teve início em 1883, com a criação de uma cadeira mista, que teve como primeira ocupante a professora Maria Ambrozina Teixeira de Moura, removida a pedidos da Mangabeiras.

Em 23 de maio de 1896, o Barão de Traipu, governador de Alagoas, nomeou Leopoldo Octávio como subcomissário de Polícia do Pontal. Foi a primeira autoridade policial do distrito. Foi exonerado em dezembro do mesmo ano.

Na noite de 23 de junho de 1897, um incêndio destruiu 12 casas do povoado. Não há registros de vítimas, mas várias campanhas foram realizadas em Maceió para ajudar os desabrigados. Naquela data, o Pontal contava com aproximadamente 600 casas.

Cinco anos antes, no dia 26 de janeiro de 1892, quando se festejava São Sebastião, outro incêndio destruiu cinco casas. Coube ao Capitão Carlos Jorge Calheiros de Lima liderar uma subscrição para ajudar as vítimas.

O jornal Gutemberg de 11 de outubro de 1899 publicou um anúncio da venda de uma “salina de fazer sal defronte do Pontal da Barra, ao lado da Ilha do Fogo, com depósito de sal e duas casas”. O preço era de 6:000$000.

Segundo o Diccionario Chorographico do Estado de Alagoas de 1902, de Craveiro Costa, no Pontal também funcionavam alguns estaleiros construindo barcaças.

Pontal da Barra em foto de Stuckert

Em 17 de fevereiro de 1905, o intendente de Maceió, dr. Sampaio Marques, solicitava providências ao subcomissário do Pontal da Barra para proibir o cidadão Manoel Ayres Telles de atirar bombas na boca da Barra. Era um tipo de pesca extremamente destrutivo.

O Jornal de Recife de 3 de junho de 1914 noticia que houve um conflito no distrito com mortes. “No arrabalde Pontal da Barra, em Maceió, vários soldados da polícia promoveram um grande conflito com os moradores do local, resultando em várias mortes e ferimentos. Na madrugada de hoje uma força sitiou o Pontal da Barra, fazendo descargas contra os respectivos habitantes, que alarmados se atiraram ao mar, perecendo alguns afogados. No Pontal ficaram apenas mulheres e crianças, tendo fugido todos os homens”.

Em 26 de maio de 1927, foi inaugurada a nova sede da Colônia de Pescadores do Pontal da Barra.

Nas primeiras décadas do século XX, o principal investimento no bairro foi a construção da estrada ligando o Pontal ao Trapiche da Barra, inaugurada em 11 de junho de 1929, quando o prefeito interino de Maceió era o dr. José Carneiro.

Esta obra foi refeita em 1949 pelo prefeito João Teixeira de Vasconcelos e pelo governador Silvestre Péricles. Foram retiradas as areias soltas e aterrada a faixa de rolamento. Essa melhoria e o Grupo Escolar Silvestre Péricles foram inaugurados no dia 15 de novembro daquele ano.

Duplicação da Avenida Assis Chateaubriand, principal acesso ao Pontal da Barra, em 1981

O serviço de energia elétrica só foi instalado em 31 de janeiro de 1954, no governo de Arnon de Mello.

A antiga comunidade da “Prainha”, provável local do começo da povoação, foi transferida para outra área do bairro em 1954, quando teve início a construção da Escola Aprendizes Marinheiros. Era um arruamento de casas humildes que já tinha perdido a igrejinha e o pequeno cemitério de São Pedro para o avanço do mar.

Um ambulatório para os pescadores foi construído e instalado em 1955. Neste mesmo ano, várias destas unidades foram construídas em Alagoas.

A Escola de Aprendizes Marinheiros de Alagoas começou a funcionar em novembro de 1965, permanecendo em atividade até 1971, quando seu prédio foi cedido a Universidade Federal de Alagoas.

Com a instalação da Salgema Indústrias Químicas Ltda no início da década de 1970, com sua fábrica de cloro-soda e unidade de dicloretano, o bairro sofreu alterações importantes, principalmente por se transformar em área de risco permanente.

Entretanto, a modificação mais importante ocorrida no bairro foi o surgimento do artesanato como fonte de renda, transformando a antiga vila pesqueira em um dos mais importantes destinos turísticos da capital.

Aos poucos, o bordado feito com sobras de redes de pesca para decorar as casas simples, foi sendo reelaborado surgindo o filó, depois internacionalmente conhecido como filé. Assim, as esposas dos pescadores foram ocupando o espaço como as responsáveis pela principal atividade econômica da família.

Fontes: Diversos jornais e o texto O Pontal através de um parecer, de Moacir Medeiros de Sant’Ana, de 21 de setembro de 1987, publicado na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Volume 41, 1986/88, de 1989.

1 Comentário on Pontal da Barra, a antiga Vila de São Pedro

  1. André Soares // 9 de Fevereiro de 2018 em 23:06 //

    Maravilha! Só faltou uma foto da igreja antiga.

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