Piaçabuçu, a grande palmeira do Rio São Francisco

Fazenda Parazinho em Piaçabuçu, AL, nos anos 50
Rua João Pessoa em Piaçabuçu, Alagoas

Rua João Pessoa em Piaçabuçu, Alagoas

Ocupada inicialmente pelos índios caetés, o início da formação do povoado data dos primeiros tempos da exploração do baixo São Francisco pelos donatários da capitania de Pernambuco. Era o local o ponto preferido pelos que atravessavam o Rio São Francisco quando viajavam por terra para Pernambuco e Bahia.

A área foi escolhido por permitir a travessia mais segura do rio, que era realizada em canoas e jangadas. Duas grandes ilhas no local ajudavam os viajantes a enfrentarem as então caudalosas águas do São Francisco.

Na ocupação da região pelos portugueses, os caetés foram expulsos, principalmente após o episódio que envolveu o Bispo Sardinha. A aproximação entre portugueses e os naturais se deu com os índios cariris de origem caraíba.

Povoado de Bonito Piaçabuçu, Alagoas, nos anos 50

Povoado de Bonito Piaçabuçu, Alagoas, nos anos 50

O historiador João Alberto Ribeiro registra que o português André da Rocha Dantas, da família Lins, tendo um grupo de homens sob as suas ordens, entre 1660 e 1670, penetrou na região em 10 de outubro, dia em que se comemora a conservação de São Francisco de Borja. O Visconde de Sinimbu é um dos descendentes de André Dantas.

Com palhas de palmeiras construiu-se pequena barraca, dando-lhe a forma de igreja, em honra daquele santo. Segundo o historiador João Alberto, o local da igreja é o mesmo onde hoje está construída a Matriz.

Assim, surgiu o povoado. O nome é antiguíssimo e vem desde o início do povoamento. Tem origem indígena: “piaçava” (palmeira). “guassu“, grande. Foi motivado pela abundância de palmeiras.

Pedro II em Piaçabuçu

Beira do rio em Piaçabuçu, Alagoas

Beira do rio em Piaçabuçu, Alagoas

No dia 14 de outubro de 1859, às 6h30, a esquadrilha que acompanhava o imperador D. Pedro II em visita a Alagoas fundeou em Piaçabuçu. O primeiro gesto do visitante foi se dirigir à capela, que estava arruinada, pôs-se de joelhos e orou.

Ao padre José Rafael doou 200$ para a igreja e mais 300$ para serem distribuídos com os pobres.

As impressões do imperador sobre Piaçabuçu foram deixadas em anotações. Eis alguns trechos: “Receberam-me com laços de diversas cores atados em varas e uma música de rebecas e outros instrumentos vinda de Penedo”.

Igreja Matriz São Francisco de Borja

Igreja Matriz São Francisco de Borja

“Piaçabuçu que, ainda há pouco, foi criada freguesia, tem bastante casas, porém a maior parte de pau a pique e cobertas de sapé”.

Pedro II ainda visitou a escola primária e fez perguntas aos alunos. Sobre esse momento, registrou: “um deles não me respondeu mal parecendo-me pelos livros que vi sobre a mesa incluindo uma gramática italiana que o mestre não desgosta de ler, a de meninas tem 40 matriculadas”.

O imperador também deixou anotado que na margem do rio tinha maior número de mulheres que de homens. Às 7h30 a visita foi encerrada e a comitiva voltou a embarcar no “Apa” para seguir viagem.

Formação Administrativa

Prefeitura Municipal, Escola de Datilografia Dr. Francisco Guedes de Melo e Cine São Francisco em Piaçabuçu

Prefeitura Municipal, Escola de Datilografia Dr. Francisco Guedes de Melo e Cine São Francisco em Piaçabuçu

Distrito criado com a denominação de Piaçabuçu, pela lei provincial nº 359, de 11 de julho de 1859.

Elevado à categoria de vila com a denominação de Piaçabuçu, pela lei provincial nº 866, de 31 de maio de 1882, desmembrado de Penedo. Sede na antiga povoação de Piaçabuçu. Instalado em 7 de janeiro de 1833.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisões territoriais datada de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.

Em divisão territorial datada de 1º de julho de 1960, o município é constituído do distrito sede.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Fonte: IBGE e o livro Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina na Alagoas, de Abelardo Duarte.

Vista aérea da Fábrica de Tecido Marituba em Piaçabuçu

Vista aérea da Fábrica de Tecido Marituba em Piaçabuçu

3 Comments on Piaçabuçu, a grande palmeira do Rio São Francisco

  1. Ramilton B. Pereira. // 23 de janeiro de 2016 em 21:09 //

    Belíssima resenha. Os autores merecem elogios pela pesquisa.

  2. Excelente pesquisa. Parabéns aos autores.

  3. vera alcantara // 4 de maio de 2016 em 23:02 //

    Muito bom saber um pouco sobre cantinhos brasileiros que admiramos. Melhor ainda constatar que há uma preocupação em preservar essas histórias. Parabéns.

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