Passinha, maestro de todos os ritmos e instrumentos

Bloco Bomba Atômica, formado por militares e músicos do 20º BC. Foto de apresentação na Rua do Comércio de Maceió no carnaval de 1953

Maestro Passinha nasceu em Pão de Açúcar, Alagoas

O Maestro Manoel Passinha nasceu em Pão de Açúcar, no sertão alagoano, em 11 de outubro de 1908. Foi batizado como Manoel Capitulino de Castro e era filho de João Euzébio de Castro e de Maria Luíza de Castro.

Estudou apenas o curso fundamental, mas gostava mesmo era de música. Com nove anos de idade, em 1917, foi admitido como tocador de caixa da Filarmônica da Sociedade Musical Guarany, comandada por Manoel Vitorino Filho, o “Mestre Nozinho”, expressão maior da música em Pão de Açúcar.

Ainda naquele grupo musical patrocinado pelo padre José Soares Pinto, passou a tocar trompa. Sua primeira tocata foi em 1924, nas ruas de sua terra natal com o bloco Cara Dura.

Desembarca em Maceió no ano de 1925 para cumprir o serviço militar e é aceito como clarinetista da Banda de Música do 20º Batalhão de Caçadores.

Exímio instrumentista — tocava trombone, saxofone, clarinete, caixa, cavaquinho, violão, flautim, bombardino e outros instrumentos —, se destacou também como regente e compositor.

Após essa passagem pelo Exército, trabalhou ainda como músico de cinema e de teatro, tocando por muito tempo das exibições do Cinema Floriano ou nas orquestras em eventos no Teatro Deodoro. Dividia esse trabalho com músicos do quilate de Américo de Castro Barbosa (violino e clarinete) e do pianista Antônio Paurílio.

Jazz Band do Quartel do Exército 20° BC nos anos 50. Passinha é o primeiro sentado com o sax

Voltou ao Exército em 1933 e lá permaneceu até 1959, assumindo a batuta da Banda de Música do 20º BC. Foi reformado com o posto de capitão.

Participou ainda na Rádio Difusora do Regional dos Professores, onde atuava em companhia de Carlos Paurílio e outros.

Nos anos 60 montou a Orquestra do Passinha e foi responsável pela animação de dezenas de carnavais no Clube Fênix Alagoana.

Em homenagem póstuma, o Exército batizou a sala de ensaios da banda e uma das ruas internas com o seu nome.

Faleceu em Maceió no dia 3 de junho de 1993, deixando viúva Alice de Sabóia Porto de Castro, com quem casou em 1933. Não tiveram filhos.

Segundo o escritor pão-de-açucarense Aldemar de Mendonça, quando o Maestro Passinha completou 50 anos de atividades musicais, já tinha composto cerca de 70 dobrados, 100 frevos e inúmeros sambas.

Ainda segundo Mendonça, a “música que o consagrou foi Toca pra trás no Front, inspirada na trompa, instrumento que tem a boca voltada para trás”.

Entretanto, o seu dobrado mais divulgado e executado por bandas de outros estados é Melópeo. Não havia apresentação da banda da extinta Guarda Civil de São Paulo que não tocasse esse clássico. Um das suas gravações foi realizada pela Lira Carlos Gomes, de Estância em Sergipe.

Ouça aqui o dobrado Melópeo:

Outro dobrado famoso é o Tenente Oscar Marreta, que foi gravado pela Banda Municipal de Jacareí.

Ouça aqui o dobrado Tenente Oscar Marreta:

Discos

LP Músicas Sublimes (Banda da Polícia Militar de Alagoas) e do LP Saudações aos Colegas (Banda da Guarda Civil de São Paulo), em 1966.

Participação da gravação do LP da Banda de Música da 20º BC. Parte do repertório tinha peças ou arranjos de sua autoria.

Músicas

Banda do 20º BC com o Maestro Passinha ao centro.

Frevos: Samaritana, Dona Chepa; Quebra Galho, Chegou sua Vez; Estou Vivo; Quem Quebrou a Minha Cuíca e Tire a Mão do Meu Baú.

Canção: Cosme e Damião, NPOR e 59ª BIMTZ

Dobrados: Brigada Passinha, Dr. Alberto da Cunha Brito, Quatro Tenentes, Tenente Oscar Marreta, Tenente Couto, Dr. Jesualdo Ribeiro e Melópeo.

Foxtrotes: Procura o Teu Lugar, Eu te Digo, Saudades Que a Gente Sente, Alagoas, Comes e Damião e O Meu Boi Morreu

Fantasias: Saudades da Minha Terra e Sinfonia de Paulo Afonso.

Hinos: de Olho d´Água das Flores e de Pão de Açúcar (melodia)

Musicou Saudade que a Gente Sente, que tem a letra de Reinaldo Cavalcante. Ouça esta música numa gravação de Dhyda Lyra e Edécio Lopes.

Fez os arranjos em Saudades de Maceió, com letra de Lourival Passos

Fontes: ABC das Alagoas, Maestro Adelmo, Etevaldo Amorim, Aldemar de Mendonça, Claudevan Melo, Edmilson Vasconcelos e Antônio Machado.

 

 

 

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