Parque Gonçalves Ledo do Alto do Brito

Parque Gonçalves Ledo na década de 1970

Parque Gonçalves Ledo na década de 1970

O surgimento deste importante espaço urbano em Maceió está atrelado ao crescimento da área conhecida até o final do século XIX como Alto do Jacutinga, atual bairro do Farol.

As primeiras construções registradas no Jacutinga foram o paiol da Pólvora e casa do seu vigia. A Casa da Pólvora, como ficou conhecida, era o local de armazenamento do produto que era comercializado na capital. Esse pequeno prédio foi modificado depois para receber a Igreja de São Gonçalo.

Outra obra que deu relevo ao Jacutinga foi o Farol instalado em 1º de janeiro de 1857, devidamente acompanhado da casa do faroleiro. O acesso a esse equipamento se dava pela Ladeira do Farol, atual Ladeira da Catedral.

O trecho entre o Farol, que atualmente abriga a sede do CREA/AL, e a Casa da Pólvora era conhecido como Rua do Arame, hoje Rua Osvaldo Sarmento.

Com o passar do tempo, foram surgindo as transversais que deram origem às ruas Dr. José Bento Júnior, antiga Rua Ângelo Neto, e Comendador Palmeira. Foi essa última que permitiu a expansão do Jacutinga e deu acesso à área onde hoje está o Parque Gonçalves Ledo.

Alto do Brito

Parque Gonçalves Ledo em 2004, antes do viaduto. Foto de Sávio Almeida

Parque Gonçalves Ledo em 2004, antes do viaduto. Foto de Sávio Almeida

Segundo Félix Lima Júnior em Memórias de Minha Rua, foi o português Luiz de Brito quem mandou abrir uma ladeira onde antes existia a Grota do João Cardoso. Era uma via improvisada, estreita e imprestável durante o inverno, recebeu o nome do seu benfeitor: Ladeira do Brito

Os primeiros investimentos públicos em outra ladeira que também tinha acesso ao Jacutinga começaram em março de 1895, na gestão do intendente Coronel Lima Rocha, que mandou realizar escavações para nivelamento do declive e calçamento.

A partir de então, o antigo Planalto do Outeiro passou a ser conhecido como Alto do Brito, envolvendo a Rua Ambrósio Lyra (mirante), Rua dos Bandeirantes e se estendendo até o descampado da cabeça da Ladeira, esquina com a Rua Comendador Palmeira.

Não foi possível identificar quando foram feitos os primeiros investimentos em urbanização no descampado do Alto do Brito, mas, em 1905, os jornais já citam a área como Praça 11 de Junho, numa provável homenagem à data em que ocorreu a Batalha Naval de Riachuelo, em 1865.

Em 1937, os registros já são da Praça Gonçalves Ledo. Como o Centenário da Independência foi comemorado em 1922, é provável que o patrono da praça tenha sido escolhido bem antes de 1937.

Gonçalves Ledo

O homenageado foi um político e jornalista carioca. Joaquim Gonçalves Ledo nasceu no Rio de Janeiro em 11 de agosto de 1781 e faleceu na Fazenda de Macacu, Sumidouro, 19 de maio de 1847, no mesmo estado.

Parque Gonçalves Ledo hoje

Após o viaduto construído em sua proximidade, o Parque Gonçalves Ledo passou a ter área de estacionamento para veículos

Gonçalves Ledo foi um dos artífices do movimento pela independência do Brasil. Atuou com destaque no “Dia do Fico“, em 9 de janeiro de 1822. Combatia os interesses dinásticos portugueses e reivindicava a constituição de um governo liberal.

Foi deputado provincial do Rio de Janeiro até 1835, quando abandonou a política e a maçonaria para recolher-se em Sumidouro, onde morreria em sua fazenda, de ataque cardíaco.

Existem rumores de que ele tenha incinerado seu arquivo de documentos relacionados a sua participação na independência do Brasil. Mesmo assim, a história mostrou o papel destacado de Joaquim Gonçalves Ledo. Há quem diga que Gonçalves Ledo foi o grande articulador da independência do país.

Em 1962, durante o mandato do prefeito Sandoval Caju, a praça foi reurbanizada e, graças à quantidade de árvores ali existentes, ganhou o status de parque. Entre os equipamentos instalados, destacava-se o Pavilhão Euclides da Cunha, construído do outro lado da Ladeira do Brito. O pequeno prédio abrigava um salão de recepção e exposição, uma biblioteca, além de uma estação de sonorização e um televisor público.

Neste mesmo prédio também funcionou o  “Quartel da Polícia Mirim” e a sede das secretarias dos três Rotary’s Club’s de Maceió. Nos anos 70, no centro do Parque foi construída uma escola pela Fundação Educacional de Maceió – FEMAC, onde funciona hoje a Escola Parque Lions Club.

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