Pão de Açúcar, o Espelho da Lua sertanejo

Av. Bráulio Cavalcante em Pão de Açúcar, meados do século XX
Rua da Praia. Foto de Abílio Coutinho em 1869

Rua da Praia. Foto de Abílio Coutinho em 1869

Pão de Açúcar surgiu de um determinismo geográfico, o rio São Francisco, datando o seu povoamento de 1611, com gente branca e índios da serra do Aracaré, Estado de Sergipe. Parte de seu território pertencia à Casa da Tôrre (Bahia). Não consta, entretanto, que os proprietários tivessem assinalado, por qualquer meio, o seu domínio, tanto que, em princípios do século XVII, os Urumaris obtiveram de D. João IV terras à margem do rio São Francisco, desde a serra de Pão de Açúcar, pelo lado do poente, até o morro do Aranha, pelo nascente, com quatro léguas de fundo, até a serra do Chitroá.

Deram-lhe a denominação de Jaciobá, que significa “Espelho da Lua”, no guarani. As noites de luar, que refletem no São Francisco um gigantesco fio de cristal, talvez lhes tivessem despertado a sensibilidade poética.

Pão de Açúcar em 1888. Foto de Adolpho Lindemann

Pão de Açúcar em 1888. Foto de Adolpho Lindemann

A generosa doação de Dom João IV suscitou a inveja dos índios Chocós, residentes na pequenina ilha de São Pedro. Após renhida pugna, em que os invasores venceram, os índios Urumaris mudaram-se para um lugar fronteiro (no Estado de Sergipe), ao qual deram o nome de Jaciobá, o mesmo da antiga pátria, que até hoje é conservado.

Pelo ano de 1634, Cristóvão da Rocha, proprietário da Ilha Grande (Penedo), estava apossado das terras onde hoje se ergue a cidade de Pão de Açúcar, porém, em 7 de novembro de 1660, por Carta de sesmaria, as terras passaram ao domínio do português Lourenço José de Brito Correia que, com o fim de explorar a pecuária e o comércio de pau-brasil, pelo porto de Penedo, criou uma fazenda de gado entre os morros Cavalete e Farias, com o nome de Pão de Açúcar. Deve-se a denominação ao fato de achar-se a casa-grande muito próxima ao Cavalete, cujo aspecto e configuração assemelham-se, perfeitamente, a uma fôrma das que, ordinariamente, se empregavam para purgar e clarificar o açúcar.

Pão de Açúcar em 1910

Pão de Açúcar em 1910

Supõe-se que Lourenço José de Brito Correia tenha vendido a referida fazenda a Domingos José Magalhães, pois constam dos arquivos do Cartório do Registro de Imóveis da cidade de Pão de Açúcar os autos de inventário do referido cidadão, em cuja descrição de bens está incluída a Fazenda Pão de Açúcar, então sequestrada pelo Juiz de Ausentes.

Há autos de arrematação e arrendamento anual, a começar de 1775, pelos quais se constata serem arrendatários, respectivamente, João de Souza Botelho, Antônio José da Silva, coronel Luiz Dantas de Barros Leite e o capitão Salvador Rodrigues Delgado.

Em 1814 foi procedida uma demarcação à ordem do Dr. Antônio Batalha, do Desembargo de Sua Alteza Real, Ouvidor e Provedor Geral da Comarca das Alagoas. Concluída a demarcação, as terras da Fazenda foram avaliadas pelos capitães João de Souza Vieira e Antônio da Silva Maia, no valor de dois contos e duzentos mil réis. Postas em leilão, no dia 26 de fevereiro de 1815, na vila de Penedo do Rio de São Francisco, comarca de Alagoas, Capitania de Pernambuco, foram arrematadas pelo Padre José Rodrigues Delgado e seus irmãos, o capitão Salvador Rodrigues Delgado e Inácio Rodrigues Delgado, pelo preço de dois contos e quatrocentos mil réis, quantia paga em duas prestações.

Av. Bráulio Cavalcante Pão de Açúcar 1946

Av. Bráulio Cavalcante Pão de Açúcar 1946

A boa administração dos Delgados impulsionou o progresso da região e o seu consequente povoamento. Fato marcante da história da vila de Pão de Açúcar é o pernoite, nos dias 17 e 22 de outubro de 1859, do Imperador D. Pedro II, quando de sua viagem à cachoeira de Paulo Afonso. O “Anuário do Museu Imperial”, de 1949, publica o diário particular de S. M., onde faz elogiosa referência à vila, usando textualmente a expressão: “A vista do Pão de Açúcar é bonita” (pág. 142).

A freguesia foi criada em 11 de julho de 1853, pela Lei n° 227, sob a invocação do Sagrado Coração de Jesus. Foi seu primeiro Vigário o Padre Antônio José Soares de Mendonça. Atualmente é subordinada eclesiasticamente à Diocese de Penedo.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Pão de Açúcar, pela lei provincial nº 227 de 11 de julho de 1853.

Praça Moreno Brandão em 1946

Praça Moreno Brandão em 1946

Elevado à categoria de vila com a denominação de Pão de Açúcar, pela lei provincial nº 233, de 03-03-1854, desmembrado de Mata Grande. Sede na povoação de Pão de Açúcar. Constituído do distrito sede. Instalado em 07-08-1854.

Elevado à condição de cidade com a denominação de Pão de Açúcar, pela lei provincial nº 756, de 18-06-1877.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município aparece constituído de 2 distritos: Pão de Açúcar e Limoeiro.

Pela lei estadual nº 1619, de 23-02-1932, o município de Pão de Açúcar adquiriu o extinto município de Belo Monte, como simples distrito.

Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o município é constituído de 3 distritos: Pão de Açúcar, Belo Monte e Limoeiro.

Cristo Redentor no Morro do Cavalete

Cristo Redentor no Morro do Cavalete

Pelo artigo 6º das disposições transitórias da constituição estadual, de 16-09-1935, desmembra do município de Pão de Açúcar o distrito de Belo Monte. Elevado novamente à categoria de município.

Em divisões territoriais datadas de 31-12-1936 e 31-12-1937, o município é constituído de 2 distritos: Pão de Açúcar e Limoeiro.

Pelo decreto estadual nº 2435, de 30-11-1938, o distrito de Limoeiro passou a denominar-se Alecrim.

No quadro fixado para vigorar no período de 1944-1948, o município é constituído de 2 distritos: Pão de Açúcar e Alecrim, ex-Limoeiro.

Pela lei nº 1473, de 17-09-1949, são criados os distritos de Jacaré dos Homens e São José da Tapera ambos ex-povoados e anexados ao município de Pão de Açúcar

Em divisão territorial datada de 1-07-1950, o município é constituído de 4 distritos: Pão de Açúcar, Alecrim, Jacaré dos Homens e São José da Tapera.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-07-1955.

Pela lei estadual nº 2073, de 09-11-1957, desmembra do município de Pão de Açúcar o distrito de Jacaré dos Homens, que é elevado à categoria de município.

Pela lei estadual nº 2084, de 24-12-1957, desmembra do município de Pão de Açúcar o distrito de São José da Tapera. Elevado à categoria de município.

Pela lei estadual nº 2090, de 28-03-1958, é criado o distrito de Guaribas ex-povoado. Criado com terras desmembrada do distrito de Jacaré dos Homens e anexado ao município de Pão de Açúcar.

Morro do Cavalete em 1939 ainda sem o Cristo Redentor. Foto Edgar de Cerqueira Falcão

Morro do Cavalete em 1939 ainda sem o Cristo Redentor. Foto Edgar de Cerqueira Falcão

Pela lei estadual nº 2250, de 15-06-1960, confirmado pela lei estadual nº 2909, de 17-061968, desmembra do município de Pão de Açúcar o distrito de Guaribas. Elevado à categoria de município com a denominação de Monteirópolis.

Em divisão territorial datada de 1-07-1960, o município é constituído de 2 distritos: Pão de Açúcar e Alecrim.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 17-01-1991.

Pela lei municipal nº 083, de 18-04-1994, distrito de Alecrim voltou a denominar-se Limoeiro.

Em divisão territorial datada de 2003, o município é constituído de 2 distritos: Pão de Açúcar e Limoeiro ex-Alecrim.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

Fonte: IBGE

4 Comments on Pão de Açúcar, o Espelho da Lua sertanejo

  1. Alcir dos Anjos // 27 de agosto de 2015 em 22:23 //

    Salvo engano, foi o Senador Romano Cícero quem disse: A história é a alma do passado! Excelente publicação. Mais uma oportunidade que é dada para a compreensão das origens…

  2. Muito boa descrição da história do município de Pão de Açúcar. Mas é preciso corrigir alguns erros na citada história. Por exemplo sobre a diocese de Penedo sendo citada em momento onde nem havia sido criada ainda.

  3. Caro Michael, agradecemos por nos ajudar a corrigir os possíveis erros. Sobre o texto: “É subordinada eclesiasticamente à Diocese de Penedo”, a intenção ao utilizar o tempo presente era a de separar do tempo da criação da freguesia (foi criada…). Mas vamos melhorar a redação para que não paire dúvida.

  4. Muito interessante saber de tudo isso. Nasci em Pão de Açúcar.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*