Pão de Açúcar: Cristos e Niteróis

Morro do Cavalete com o Cristo Redentor em Pão de Açúcar, Alagoas

O município de Pão de Açúcar, em Alagoas, tem um Cristo sobre um morro e do outro lado do Rio São Francisco fica Niterói, um povoado do município sergipano de Porto da Folha.

O Cristo Redentor em Pão de Açúcar. Foto Tomatão

O Cristo Redentor em Pão de Açúcar. Foto Tomatão

A conclusão imediata, para quem não conhece as origens do topônimo Pão de Açúcar, é que os alagoanos daquela região queriam prestar uma homenagem ao Rio de Janeiro, que tem o famoso morro do Pão de Açúcar. Mas, a origem não é essa.

Segundo o historiador Vieira Fazenda, o nome pão de açúcar associado ao penhasco famoso do Rio de Janeiro é atribuído aos portugueses, que nos séculos XVI e XVII controlavam o plantio e produtos derivados da cana-de-açúcar.

Forma para o pão de açúcar

Forma para o pão de açúcar

Um desses derivados, e o mais valioso na época, era o açúcar, que recebia a forma cônica devido ao recipiente onde era acomodado para secar por 45 dias. Somente depois de seco é que o pão de açúcar era quebrado para separar a parte nobre e transformá-lo em pó para ser exportado. A sobra, com impurezas, ficava para a alimentação dos escravos.

Em Alagoas, a nossa Pão de Açúcar tem também origem no século XVII. O historiador Moreno Brandão, coincidentemente um pão-de-açucarense ilustre, localiza o início do povoamento em 1611. O primeiro nome do lugar, Jaciobá, foi dado pelos índios Uramaris, que significa em guarani Espelho da Lua.

As terras doadas a eles por D. João VI ficavam entre os morros do Cavalete e do Aranha. Os Xocós, da Ilha de São Pedro, em Sergipe, não gostaram da nova vizinhança e invadiram o local, mas mantiveram o belo nome de Jaciobá.

Não durou muito o domínio dos Xocós. Em 1634, a região foi tomada por Cristovam da Rocha, um rico proprietário em Penedo, e, em 1660, já era propriedade do português Lourenço José de Brito Correia, que instalou uma fazenda de gado entre os morros Cavalete e Farias, com o nome Pão de Açúcar.

Morro do Cavalete em 1939. Foto: Edgar de Cerqueira Falcão

Morro do Cavalete em 1939. Foto: Edgar de Cerqueira Falcão

Ele observou que o morro do Cavalete era parecido “com as formas, de feitio cônico, onde se punha o mel de cana-de-açúcar para cristalizar e formar o pão de açúcar”, como historia Etevaldo Amorim em seu livro Terra do Sol – Espelho da Lua. Etevaldo é outro pão-de-açucarense ilustre e um dos maiores estudiosos da memória do município.

Como se percebe, não há influência do Pão de Açúcar do Rio de Janeiro sobre o nosso, em Alagoas. Os dois topônimos surgiram na mesma época e com as mesmas origens.

Outro esclarecimento: em Pão de Açúcar, o Cristo fica sobre o morro do Cavalete e no Rio de Janeiro sobre o morro do Corcovado; aqui é nome de município, lá é nome de um morro, aquele dos bondinhos.

Morro do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro

Morro do Pão de Açúcar no Rio de Janeiro

Quanto ao povoado de Niterói, do outro lado do rio, em Sergipe, não foi possível colher informações sobre a sua origem. Mas, sobre Niterói, o município do Rio de Janeiro, se sabe que recebeu essa denominação em 1835, aproveitando a expressão Nictheroy (águas escondidas), que era como os índios Tupis se referiam à Baía da Guanabara.

Pão de Açúcar, como nome de cidade, guarda informações importantes sobre aspectos econômicos da história do município alagoano, mas se permanecesse como Jaciobá, o Espelho da Lua, também destacaria outros aspectos não menos importantes da sua identidade.

2 Comments on Pão de Açúcar: Cristos e Niteróis

  1. josualdo moura // 2 de junho de 2015 em 21:21 //

    Boa matéria!

    uma dúvida, sobre o cristo do Pão de açúcar de Alagoas, qual sua origem?

    obrigado pela atenção.

  2. Ticianeli // 3 de junho de 2015 em 18:23 //

    Meu caro Josualdo, agradecemos pelo interesse em nosso site. As informações que você nos pediu estão disponíveis no seguinte endereço: http://minutosertao.com.br/noticia/3514/2012/10/16/prefeitura-esta-revitalizando-o-cristo-redentor-em-pao-de-acucar.
    “A estátua do Cristo Redentor foi construída pelo escultor pão-de-açucarense João Damasceno Lisboa (Joãozinho Retratista), no período de 1º de janeiro de 1949 a 29 de janeiro de 1950, no governo do então prefeito Carlos Serafim dos Anjos. O idealizador da obra foi Ernesto da Silva Pereira (Galego). Segundo consta na placa inaugural, os colaboradores da obra foram: Silvestre Péricles (governador do Estado de Alagoas), Augusto de Freitas Machado (deputado estadual), Carlos dos Anjos (prefeito de Pão de Açúcar), Cônego Jasson Souto (pároco local) e o povo em geral. O escultor João Lisboa foi auxiliado por Manoel Clementino Santos (Manoel Cobra Velha)”.

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