Oliveira e Silva, jornalista e pregador católico

Rua Oliveira e Silva na década de 40, no Centro de Maceió

Pedro da Costa Rego, sobrinho de Oliveira e Silva

Antônio José de Oliveira e Silva nasceu no município alagoano de Pilar no dia 1º de agosto de 1864. Ainda jovem vai morar no Rio de Janeiro e em 1886 surgiram seus primeiros escritos nos jornais. Eram poesias publicadas no jornal Semana.

Poeta, cronista, jornalista e orador fluente, fez parte da geração de Paula Ney, Alberto de Oliveira, Valentim Magalhães e Olavo Bilac. Um dos seus sonetos mais conhecido foi Dor Bendita. A Academia Alagoana de Letras, fundada em 1919, em homenagem post mortem o escolheu como Patrono da Cadeira nº 27.

Colaborou em vários jornais e foi redator dos seguintes periódicos: Diário do Comércio, União, Jornal do Brasil e Gazeta de Notícias. Era funcionário público da Recebedoria de Minas Gerais e foi vice-presidente do Centro Alagoano, agremiação que atuava no Rio de Janeiro agregando os filhos de Alagoas que moravam ou trabalhavam na então capital federal.

Oliveira e Silva foi responsável pela criação e educação de dois sobrinhos órfãos que também deixaram o Pilar muito cedo. Pedro da Costa Rego, que também se tornaria um jornalista reconhecido nacionalmente, e de seu Irmão Rosalvo da Costa Rego, que foi bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Pedro da Costa Rego enveredou pela política e alcançou mandatos de deputado federal, senador e governador de Alagoas.

Outro sobrinho de Oliveira e Silva, o pilarense Zadir Índio, também foi recebido no Rio de Janeiro e conduzido ao jornalismo profissional pelas mãos experientes do tio.

Católico fervoroso, notabilizou-se ao fazer conferências em resposta as ideias de Ferri e Clémenceau. Fazia parte dos paladinos da imprensa católica ao lado de Carlos de Laet, Felício dos Santos e Afonso Celso. Costa Rego se referia a ele como “um homem notável, que não era para ser esquecido, um benemérito da religião e da pátria”.

Escola Estadual Oliveira e Silva no Pilar

No dia 8 de maio de 1907, o jornal Correio da Manhã, Rio de Janeiro, publica uma nota com o título “Círculo Católico”, comunicando que “No salão do Museu Comercial, à Avenida Central ns, 151 e 153 (esquina da rua da Assembleia), realiza hoje o Círculo Católico, às 8 horas da noite, a sua 55ª conferência, que será honrada com a presença do cardeal arcebispo, d. Alexandre Bavona, núncio apostólico, e de d. Cláudio José Ponce de Leão, bispo do Rio Grande do Sul. Acautelemo-nos — é o título da conferência que será feita pelo conhecido jornalista sr. Oliveira e Silva”.

Uma mostra da sua atuação na defesa dos ideais católicos pode ser vista ainda na crônica que publicou na Gazeta de Notícias em maio de 1906, respondendo a Olavo Bilac, que andava publicando “blasfêmias contra a Providência” após uma série de catástrofes naturais e acidentes com muitas mortes.

“Rabiscos

A OLAVO BILAC

Meu caro poeta. —Tenho-o lido com magoa na Gazeta e na Notícia, em frases de indignação e de revolta, contra o Omnipotente que não nos evitou as grandes calamidades do desastre do Aquidaban e das inundações de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

E vejo-o negar a Misericórdia Divina, porque não correu a apagar a pólvora inflamada do couraçado que se afundou na baia do Jacuacanga e porque não diminuiu ou não desviou as águas que invadiram Campos e Juiz de Fora.

Porque o Omnipotente não evitou a explosão do Aquidaban?

Porque, neste caso, para ser justo, Ele deveria evitar igualmente, em todos os tempos e em todos os lugares, todo mal proveniente do erro, dos descuidos ou da ignorância do homem; mas nestas condições o homem ficaria também dispensado de aprender, de ser previdente, de trabalhar, do tomar o menor cuidado e qualquer coisa do seu interesse, o que daria em resultado a sua degradação, a sua inatividade, a sua morte moral, muito pior que a física.

Vista parcial do Pilar, terra de Oliveira e Silva, Costa Rego e Zadir Índio.

Porque o Omnipotente não evitou as inundações de Campos e Juiz de Fora?

Imagine o poeta que a natureza deixa de ser ingrata para conosco; que, em vez temporais, só temos brisas suaves; em vez de chuvas torrenciais, apenas o delicado orvalho da noite; em vez de espinhos, rosas por toda a parte; que se colhesse sempre na medida do que se plantasse; que nunca houvesse sementeiras estragadas, searas perdidas…

Mas assim, Deus, dando-nos um mundo tão bom, não nos faria sentir a necessidade de outra vida, necessidade que Ele procura incutir em nosso espirito por todos os meios, obrigando-nos a refletir diariamente sobre as misérias deste planeta que habitamos, temporariamente, misérias que ele permite para que aborreçamos a terra e cobicemos o céu.

Além disso, se a natureza não fosso ingrata, o homem não teria que lutar contra ela e quem não luta vence sem gloria.

Demais, como se cumpriria a sentença da Bíblia: Tu comerás o pão com o suor do teu rosto?

Meu caro Bilac, sem o mal, o mundo seria muito pior do que é.

Nós estamos condenados conhecer e amar as coisas, pelos seus contrários.

Só admiramos a luz, graças ao horror das trevas; só estimamos a saúde, graças à moléstia; só somos bons, graças aos maus; só praticamos a caridade, graças à miséria; só temos ocasiões de perdoar, graças às ocasiões de sermos ofendidos; só somos dignos de admiração, graças aos sacrifícios de que somos capazes; só compreendemos que é necessária a união, graças às dificuldades que temos de vencer, ou ao inimigo que é preciso repelir.

Sem o mal, não haveria o bem.

Que quer você?

Isso foi, é e será sempre assim, porque o primeiro homem, desobedecendo a Deus, perturbou a harmonia do universo”.

Oliveira e Silva faleceu no dia 14 de janeiro de 1911, quando era redator da Gazeta de Notícias. Seu túmulo recebeu várias homenagens e a igreja católica realizou missas com a presença da cúpula eclesiástica da capital federal.

Em Alagoas, uma escola estadual no Pilar leva o seu nome. Em Maceió, a Rua Oliveira e Silva é uma das principais do Centro da cidade. Foram homenagens prestadas por indicação do seu sobrinho político, Costa Rego.

4 Comments on Oliveira e Silva, jornalista e pregador católico

  1. Ticianeli, parabéns por mais este artigo. Gostaria de sugerir a alteração da frase “Costa Rego enveredou” para “Pedro Costa Rego enveredou”. Do jeito que está fica parecendo que você se refere ao Rosalvo, último a ser citado. Abraço!

  2. Alexandre, muito grato pela observação. Fiz a correção proposta.

  3. André Soares // 13 de fevereiro de 2017 em 08:33 //

    Prezado Ticianeli, uma humilde correção, Dom Rosalvo Costa Rego foi bispo auxiliar da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, e não arcebispo da mesma.

  4. Faremos os reparos. Grato pela contribuição.

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