O Grande Luiz Tojal e a Escolinha da Dona Fifi

Em 1961. na Rádio Gazeta de Alagoas, o programa “Tele Noite” era apresentado por Arnoldo Chagas, Cláudio Alencar, Luiz Tojal e Roland Benamor
Luiz Tojal começou no rádio e no jornalismo em Recife. De volta a Maceió ingressou na Rádio Gazeta de Alagoas

Luiz Tojal começou no rádio e no jornalismo em Recife. De volta a Maceió ingressou na Rádio Gazeta de Alagoas

Jorge Vilar

Luiz Tojal saiu de Maceió quase anônimo e foi fazer rádio e jornalismo em Recife. De volta a Maceió ingressou na Rádio Gazeta de Alagoas como repórter de rua e entrevistador, em oportunidades que envolvessem personalidades da terra ou de fora. O Tojal era um mestre no assunto.

Mas, ele não queria ficar só naquele pequeno espaço. Queria galgar mais degraus e ganhar mais espaço.

Pensando assim, o nosso Luiz Tojal fez uma proposta à direção da rádio para criar um programa de auditório e nos convidou para fazer, com ele, uma dupla de apresentadores. O Tojal como produtor e apresentador ficaria responsável pelas despesas com artistas e demais colaboradores.

Foi criado o programa Noites de Festas. Começamos aos sábados no pequeno auditório da Rádio Gazeta na Rua do Comércio. No começo foi um sucesso de público. Jovens daquela época adoravam programas de auditório e por isso a casa sempre estava cheia.

Fomos trazendo nomes de sucesso em todo o Brasil até que um dia o Tojal anunciou o maior nome da música brasileira: Roberto Carlos. E vieram as perguntas:

— Onde seria a apresentação do Roberto Carlos? No auditório da rádio? E ele, o Tojal, na maior calma respondia:

— Ora Jorge, o Roberto Carlos não vai encher o auditório. Você vai ver!

Luiz Tojal em 1966 numa transmissão jornalística na cidade de Maceió

Luiz Tojal em 1966 numa transmissão jornalística na cidade de Maceió

As seis da noite, daquele sábado, começou a invasão da rádio. Era gente entrando e superlotando o pequeno auditório. Nisso chega o Zé Barbosa e manda que fechassem a portaria e não vendessem mais ingresso. Aí o Tojal com aquela calma que Deus lhe deu, falou para o Barbosa:

— Dr. Barbosa essa é a nossa vez de faturar. Mande abrir as portas e deixe o público entrar. Aí o Barbosa não se conteve e disse:

— Tá doido Tojal. Se entrar mais gente o prédio desaba.

E o nosso Luiz Tojal ainda tentou uma saída:

— Dr. Barbosa se o prédio desabar será depois do show, porque Roberto Carlos é uma, garantia de segurança.

Aquele papo não colou e o Roberto Carlos cantou em paz, com o auditório superlotado, depois do nosso Tojal anunciar:

— Meus amigos, vamos trazer daqui a pouco o maior cantor de todos os tempos, Roberto Carlos. Infelizmente informamos que mais de três mil pessoas não puderam entrar….

Era mais uma bravata do conhecido Luiz Tojal, que adorava aumentar por dez o número de pessoas presentes a qualquer ato público. O auditório da Rádio Gazeta no máximo cabia perto de mil pessoas sentadas e de pés.

Ainda passaram pelo programa Noites de Festas cantores de grande sucesso, como Orlando Dias, Cauby Peixoto, Ângela Maria e outros.

Mais das vezes, por falta de atrações de fora, realizávamos concurso de beleza, desfile de mulher de biquíni e sempre contávamos com um artista anônimo de nome Sanduarte. Ele era artista plástico, cantor e acima de tudo, Baiano.

Passamos duas semanas com o Sanduarte mascarado oferecendo um brinde a quem descobrisse a identidade daquele cantor.

Graças aos trejeitos do cantor mascarado, um coleguinha dele acertou e ganhou um prêmio. Era urna atração que ajudava a encher o auditório nas noites de sábados. Tapava buraco!

O que fazer para manter o programa no ar? E os patrocínios que eram arranjados pelo Tojal para pagar as despesas da rádio?

E veio a salvação: José Alberto Costa se oferece para escrever uma escolinha que seria apresentada dentro do programa. Nela tomariam parte os componentes da própria emissora.

Como seria o nome da escolinha? José Alberto, o redator, anunciou que seria: A Escolinha de Dona Fifi. Todos aprovaram.

Floracy Cavalcante, a Dona Fifi da Escolinha. Foto de Cícero Alexandre

Floracy Cavalcante, a Dona Fifi da Escolinha. Foto de Cícero Alexandre

Os escolhidos para os papeis foram Floracy Cavalcante, que seria a Dona Fifi e mais Humberto Wanderley, Ailton Vilanova, Nivaldo Valença e Jorge Vilar. Seriam esses os alunos.

A primeira apresentação foi um grande sucesso. No outro dia era só no que se falava. A partir daquele primeiro programa, a Escolinha ficou na escala como a grande atração do programa comandado pelo Luiz Tojal e esse que vocês estão lendo, um escrevinhador.

Tudo ficara acertado com o Tojal para pagar ao redator a grana antes do programa ir ao ar. Por uma dessas coisas, que acontecem sem aviso prévio, o Zé Alberto, redator da Escolinha, levou o script para o programa daquele sábado e o nosso Tojal informou que não dispunha de numerário para efetuar o pagamento. Nada feito, disseram os componentes da Escolinha. Depois de muita conversa ficou acertado que após a apresentação daquela noite seria efetuado o pagamento.

Tudo certo e a Escolinha foi para o ar. Depois do encerramento do programa e na prestação de contas, a direção do Noite de Festas devia mais do que o arrecadado. A renda não foi o que se esperava. Não houve o esperado pagamento e os alunos e redator não tornaram a cervejinha naquela noite, com o dinheiro do Tojal. Então ficou resolvido que a Escolinha tiraria férias e somente voltaria quando pagassem os salários da professora e do Diretor-redator. As férias foram se alongando e os alunos pediram transferência, tendo a professora se aposentado.

*Publicado no livro “Vi, vivi, e estou contando”, parte da crônica “O Grande Luiz Tojal”, Maceió, 2004.

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