O farol do Alto do Jacutinga

Ladeira da Catedral e o farol no início do século XX
Graf Zeppelin sobrevoando o farol em 1934

Graf Zeppelin sobrevoando o farol em 1934

Os primeiros passos para a construção do farol de Maceió foram dados ainda em 1827, quando o Tribunal da Junta do Comércio apresentou ao governo as plantas e desenho do que deveria ser o farol de Maceió. O projeto original foi aprovado em 2 de março de 1830 e previa a construção do farol sobre o recife de Jaraguá. A obra foi iniciada, mas, 1834, quando ainda se aterrava o local, os trabalhos foram interrompidos. Foi avaliado que esse tipo de obra seria bem mais cara do que a instalação do farol em terra firme. O novo local escolhido foi o morro que posteriormente seria conhecido como Alto do Jacutinga.

O farol fazia parte de um complexo de construções que visava a garantia do porto de Jaraguá e era formado ainda pelo paiol da pólvora, casa do faroleiro, casa do guarda do paiol e uma bateria de “vinte e tantas peças”. O terreno foi doado ao governo imperial em 15 de junho de 1834 por Bento Ferreira Guimarães e em 1838 já tramitava na Câmara, no Rio de Janeiro, emenda parlamentar destinando recursos tal fim. Dez anos depois, em novembro de 1848, o Diário do Rio de Janeiro publica que o Ministério da Marinha alocou 20 contos de réis para a construção de um farol “no Porto de Jaraguá”. 

O farol nos anos de 1940

O farol nos anos de 1940

Somente no dia 2 de dezembro de 1851 foi que o presidente da província de Alagoas, José Bento da Cunha Figueiredo, fez o lançamento da pedra fundamental da obra, que teve Antonio Francisco Paz como mestre canteiro designado para a construção, e o engenheiro Antonio Ribeiro Lis Teixeira como responsável.

No dia 30 de janeiro de 1851, mais recursos são liberados. Desta feita para pagar 300 toneladas de pedras que desembarcaram da charrua Carioca. No dia 2 de março de 1851 há registro da liberação de verba para pagar o apontador Ricardo Manoel Vieira.

Em 1856 o farol estava construído, mas só entrou em funcionamento no ano seguinte, em 1º de janeiro de 1857.

A primeira grande melhoria no farol aconteceu em julho de 1892, quando o Governo Federal “concluiu os trabalhos das lampadas e máquinas do nosso farol, cuja luz está hoje muito melhorada”, como registrou o jornal Pátria, ao também informar que o combustível utilizado passou a ser óleo mineral, deixando de usar o óleo de calza. O responsável pela reforma foi o engenheiro mecânico Victor Alinquant.

Rapidamente a imponente construção se transformou numa referência para cidade. A região onde foi construído deixou de ser o Alto do Jacutinga para ser conhecida como o Alto do Farol.

Possou por uma grande reforma na década de 1910, sendo reinaugurado em 12 de outubro de 1916, quando recebeu um aparelho de luz dos fabricantes Barbier, Bernard e Turenne, de Paris. O novo aparelho foi instalado pelo mecânico Geraldino da Silva Aguiar.

Praça D. Pedro II década de 1950

Praça D. Pedro II década de 1950

Após 80 anos funcionando, o farol recebeu energia elétrica, passando a ser, em 1937, o primeiro do país a funcionar com essa fonte de energia.

Em 1949, o já quase centenário farol sofreu danos na sua base após as fortes chuvas que se abateram sobre Maceió na madrugada do dia 19 de maio, que provocou inundações e vários prejuízos à cidade a seus moradores.

Caíram várias barreiras. Na Mangabeiras mais de 20 casas foram soterradas e algumas vidas foram perdidas. Muitas famílias ficaram desabrigadas.

As pontes sobre o Salgadinho foram derrubadas por uma tromba d’água e na Rua Barão de Atalaia, parte da barreira que sustentava o farol desabou, deixando a construção instável.

Em maio de 1951, os seus equipamentos foram levados para o novo farol que já estava construído no Jacintinho.

Em abril de 1955, o centenário farol do Alto do Jacutinga foi demolido, numa operação coordenada pelo engenheiro Hermano Cardoso Pedrosa.

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