O desastre férreo em Piranhas de 1880

Piranhas, vista da margem sergipana numa foto de Adolpho Lindemann, em 1888
Passagem do Cipó, local do acidente, em foto de Ignácio Mendo em 1880

Passagem do Cipó, local do acidente, em foto de Ignácio Mendo em 1880

Pesquisa e texto original de Etevaldo Amorim (AQUI). Este texto foi adaptado para História de Alagoas em Fotos.

A implantação do primeiro trecho da Estrada de Ferro Paulo Afonso, com 28 km entre Piranhas e Olhos D’ Água, todo ele em território alagoano, foi marcada por um trágico episódio.

No dia 17 de julho de 1880, entre as 11:00 h e o meio dia, partiu a máquina “Piranhas” de subida para o local das obras, rebocando cinco vagões carregados de material, dormentes e trilhos para o assentamento da via permanente.

Nos carros também iam operários, engenheiros e visitantes. O maquinista faz parar a locomotiva na linha de nível do Cipó, onde havia um depósito e aconteceria o abastecimento de água.

Esta parada ocorre no final de uma rampa de 4km de extensão. Julgando estar seguro para a manobra, inadvertida e imprudentemente o maquinista desengata a máquina num ponto em que a rampa contava ainda com um pequeno declive de 3 %.

Os vagões, com um peso de aproximadamente 35 toneladas, os carros retornam nos trilhos por uma extensão de mais de mil metros, quando um vagão descarrila, proporcionando a retenção dos demais.

É possível que nada de mais grave viesse a acontecer, não fosse outra intervenção do maquinista que, percebendo a descida os vagões, voltou com a máquina a toda velocidade na tentativa de alcançá-la.

Com houve uma parada brusca provocada pelo descarrilamento de um dos carros, o maquinista não conseguiu frear a locomotiva a tempo, que montou sobre os primeiros vagões, esmagando onze pessoas e ferindo gravemente outras três.

Escaparam ilesos os engenheiros Barcellos e Souza Reis, que pressentindo o perigo, conseguiram saltar assim que os troles começaram a descer.

Ferreira de Novaes, à esquerda, com 17 anos, ao lado do seu cunhado, João Francisco Paes Barreto

Ferreira de Novaes, à esquerda, com 17 anos, ao lado do seu cunhado, João Francisco Paes Barreto

Treze foram os mortos nesse pavoroso desastre. Entre eles o comerciante pernambucano Maturino Barroso e o Dr. Ferreira de Novaes. Entre os muitos feridos, achava-se ainda um seu irmão, Major João Marinho de Novaes Mello.

O Engenheiro Chefe da Estrada, Dr. Eduardo José de Moraes, telegrafou ao Ministro da Agricultura, Buarque de Macedo, relatando o ocorrido e informando que havia mandado prender o maquinista.

O Ministro, por sua vez, determinou ao Dr. Hermelindo Accioly de Barros Pimentel, 3º Vice-Presidente, no exercício interino da Presidência da Província de Alagoas (cujo Titular era o Dr. Cincinato Pinto da Silva), a adoção de imediatas providências visando a apuração das causas do acidente.

Assim, foi nomeada uma Comissão composta do Dr. Theophilo Fernandes dos Santos, Tenente-Coronel Agapito de Lemos Medeiros e Engenheiro Mecânico Eduardo Lima, todos residentes na cidade do Penedo, a fim de examinar com toda minúcia e rigor as causas do desastre.

Antônio Ferreira de Novaes Mello era filho do Major João Machado de Novaes Mello e de D. Maria José Leite Sampaio, e nasceu em Pão de Açúcar no dia 5 de dezembro de 1856. Com apenas 23 anos, já era Deputado Provincial em Alagoas, integrando as hostes do Partido Liberal.

Seu pai, o Major João Machado de Novaes Mello – Barão de Piaçabuçu, era destacado líder do Partido Liberal e chefe político daquela Região.

No dia 19 de outubro de 1880 ocorreu um conflito entre trabalhadores que construíam a via férrea e a força policial de Piranhas, resultando em dois mortos e dois feridos, todos operários. Há ainda registros de várias amputações em operários que foram vítimas das explosões durante as obras.

A inauguração da Estrada de Ferro Paulo Afonso se deu no dia 25 de fevereiro de 1881. Anos depois esta linha férrea foi estendida até Jatobá, em Pernambuco, e funcionou até o dia 31 de março de 1964.

1 Comentário on O desastre férreo em Piranhas de 1880

  1. Vinicius Maia Nobre // 14 de agosto de 2015 em 11:39 //

    Foi uma pena a desativação do ramal ferroviário Piranhas-Petrolândia (antiga Jatobá) sob argumento de deficitário. A ideia do ramal foi de D Pedro II com o objetivo de ligar o baixo ao médio S. Francisco. É bom lembrar que o imperador esteve na região ao visitar em 20 de outubro de 1859 à cachoeira de Paulo Afonso. Esse ramal estaria hoje prestando relevante serviço a região e o seu turismo.

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