O darwinista e abolicionista Dias Cabral

Dias Cabral foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas
Dr. João Francisco Dias Cabral

Dr. João Francisco Dias Cabral

O médico, jornalista e historiador João Francisco Dias Cabral era filho de Francisco Dias Cabral e Maria do Rego Baldaia Cabral. Nasceu em Maceió à Rua do Comércio no dia 27 de dezembro de 1834. Após as primeiras letras na capital foi estudar na Bahia, em 1848, no Colégio Santo Antônio. Em Salvador inicia o curso de Medicina em 1851. Ainda estudante, começou a escrever críticas, ensaios teatrais e esboços literários. Concluiu o curso em 12 de dezembro de 1856.

Voltou a Maceió onde casou-se, em 1863, com Francisca Carolina Ramalho, filha do major Augusto Pereira Ramalho e Maria Carolina Ramalho. Levava uma vida modesta, voltada para os estudos e longe do convívio social. Em 7 de julho de 1864 foi nomeado Comissário Vacinador pelo presidente da província, Roberto Canteiros de Mello.

Durante o governo de José Bento da Cunha Figueredo Junior surgiu a ideia de se criar o Instituto Arqueológico e Geográfico Alagoano. Dias Cabral foi um dos entusiastas da construção desta instituição que foi formalizada no dia 2 de dezembro de 1869 e para a qual foi nomeado seu secretário perpétuo e Patrono da cadeira nº 11.

Em 6 de março de 1875 foi nomeado pelo presidente da província, João Vieira de Araújo, médico do Hospital de Caridade, nossa atual Santa Casa de Misericórdia de Maceió.

Foi eleito sócio da associação Montepio São José em 19 de agosto de 1870 e serviu ao poder legislativo municipal como médico, nomeado a 30 de janeiro de 1877. Em dezembro deste mesmo ano, no dia 6, foi indicado pelo doutor Antônio dos Passos Miranda como vice-diretor do Asilo de N. S. do Bom Conselho, que seria inaugurado dois dias depois. No dia 21 do mesmo mês foi incumbido de atuar na comissão encarregada de tratar os flagelados da seca onde foi escolhido para a função de tesoureiro. Da mesma comissão faziam parte o major Martins Miranda, dr. Joaquim José de Araújo, dr. Francisco José Gomes Calaça e o capitão-tenente Joaquim Nolasco de Fontoura Pereira Cunha.

Colégio Bom Conselho em Bebedouro, antigo Asilo das Órfãs Desvalidas

Colégio Bom Conselho em Bebedouro, antigo Asilo das Órfãs Desvalidas

Em 6 de dezembro de 1878, o Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco concedeu-lhe o título de sócio correspondente. Da mesma forma o homenageou a reorganizada Associação Tipográfica Alagoana, que no dia 27 de novembro de 1881 elegeu-o seu sócio honorário. Esta mesma associação, no dia 1º de novembro de 1882, voltou a homenageá-lo com a sua eleição para presidente de honra.

Foi eleito ainda, no dia 16 de dezembro, como sócio benemérito da Sociedade Dramática Particular Maceioense, a quem ofertara O Mutilado, drama inspirado em um incidente da guerra do Paraguai.

No dia 16 de setembro de 1882 foi instituída no Rio de Janeiro o Centro Alagoano. Entre os contemplados como sócio correspondente estava Dias Cabral.

Em 27 de abril de 1883, como ativo abolicionista, é eleito sócio da Sociedade Libertadora Alagoana e em 24 de novembro é indicado como membro correspondente da Associação dos Homens de Letras do Brasil.

Foi eleito presidente honorário do Clube Castro Alves em 11 de janeiro de 1884. No dia 19 do mesmo mês assumiu interinamente o cargo de médico de saúde pública do Porto de Maceió por indicação do presidente da província Henrique de Magalhães Salles. Este mesmo presidente, em 19 do mesmo mês, também lhe outorgou o diploma de sócio fundador da Sociedade Protetora da Instrução Popular e de lente de Zoologia do Liceu de Artes e Ofícios. No dia seguinte foi nomeado como efetivo Inspetor de Saúde do Porto.

Em 17 de março foi eleito sócio honorário da Sociedade Montepio dos Artistas Alagoanos. Em setembro, no dia 5, foi eleito presidente efetivo da Libertadora Alagoana; no dia 19, sócio honorário do Grêmio Literário Tavares Bastos, e no dia 28, sócio protetor do Clube Abolicionista Estudantesco Alagoano.

Com o falecimento do comendador Sobral Pinto, foi nomeado diretor do Asilo de N. S. do Bom Conselho no dia 18 de setembro de 1884. Dias Cabral foi ainda médico da Colônia Militar Leopoldina. Criou e dirigiu a revista do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas a partir de 1872. É o patrono da cadeira nº 32 da Academia Alagoana de Letras e da cadeira nº 3 da Academia Alagoana de Medicina.

Sobrecarregado com múltiplas funções, Dias Cabral viu agravar a moléstia que há anos lhe roubava a saúde e atingia coração, fígado e estomago. A partir do dia 25 de junho não mais conseguiu sair da cama. Faleceu às 2 horas da manhã do dia 19 de julho de 1885.

Dois dias após a sua morte, o vereador Candido Botelho aprovou na Câmara Municipal a indicação alterando o nome da antiga Rua do Reguinho para Rua do Doutor Cabral. Com o tempo ficou mais conhecida como Rua Dias Cabral, logradouro onde foi construído o Hospital de Caridade, hoje Santa Casa de Maceió, local do primeiro trabalho do homenageado como médico.

Obras: Notícia Biográfica do Finado Barão de Jequiá, Maceió: editado por um liberal, 1871; O Homem Perante a História Natural, Maceió: Tip. Gazeta de Notícias, 1882 (dissertação lida na abertura das Conferências Populares no Colégio Sete de Setembro, a 21/10/1882); Qual a Origem do Apelido de S. Bento, por que é Conhecido o Outeiro Sobranceiro à Vila de Santa Luzia do Norte? Revista. IAGA, n. 2, p. 8-11; Esboço Histórico Acerca da Fundação e Desenvolvimento da Imprensa em Alagoas, Revista IAGA, Maceió: v. I, n. 5, p. 99-109; Notícia Acerca da Vida do Fundador da Capela do Coqueiro Seco, Padre Bernardo José Cabral, Revista IAGA, v. I, n. 5, p. 112-117; Esclarecimento Sobre o Jazigo Indígena do Taquara, em Anadia, Revista do IAGA, n. 6, p. 159-163.

Ainda: Narração de Alguns Sucessos Relativos à Guerra dos Palmares, de 1668 a 1680, Revista IAGA, n. 7, dezembro 1875, p. 165-187 (incluindo 22 documentos); Numismática. Parecer Sobre Moedas Portuguesas, Revista do IAGA, n. 7, dezembro 1875, p. 194-195; Ensaio Acerca da Significação de Alguns Termos da Língua Tupi Conservados na Geografia das Alagoas, Revista IAGA, n. 8, junho de 1876, p. 202-206; Seria Anárquica a Constituição Brasileira? Revista IAGA, número 9, dez. 1876, p. 231-40; A Utilidade da Geografia, Revista IAGA, n. 9, dez.1876, p. 240-47; Pesquisa Rápida Acerca da Fundação de Alguns Templos da Vila de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, Agora Cidade das Alagoas, Revista do IAGA, v. II. n. 11, p. 1-11.

Outras obras: Vestígios de uma Antiga Família Estabelecida no Território de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, Revista do IAGA, V.II, n.º 11, p. 14-23; Notícia Acerca de Alguns Trabalhos e Explorações Geográficas, Revista do IAGA, v. II, n. 12, p. 41-49; O Hospital de Caridade de Maceió: Revista do IAGA, v. II, n. 13, p. 91-97; Resumo dos Acontecimentos Firmados em Documentos Extractados do Archivo da Câmara Municipal de Maceió: de 1817 a 1829, Revista do IAGA, v. II, n. 15, p. 141-150; Dados no Município de Maceió: Firmados em Documentos Extraídos do Arquivo da Respectiva Câmara Municipal (IAGA, sessão de 12 de agosto de 1871); Resenha dos Últimos Trabalhos Geográficos; Revista do IAGA, v. II, n. 15, p. 155- 164; A Revolução de 1817, Revista do IAGA, v. II, n. 17, p. 232-239; Notas Acerca dos Últimos Trabalhos Geográficos; Revista do IAGA, v. II, n. 17, p. 239- 248; Diversos Sucessos Militares no Território das Alagoas, Revista do IAGA, v. II, n. 18, p. 249-257; Notas Geográficas, Revista do IAGA, v. II, n. 19, dez, 1888, p. 281-297.

Além dos Relatórios dos Trabalhos do Instituto, dos anos de 1873 a 1884; Tavares Bastos (discurso), Prefácios do livro de Inácio Passos Poesias e Outras Obras Literárias de Inácio Joaquim Passos Júnior (obra póstuma) e do livro de Felinto Elísio da Costa Cotim, Folhas Murchas.

Como jornalista, foi redator do Artista e do Liberal e colaborou no Diário das Alagoas e Diário da Manhã, destacando-se, neste último, os trabalhos: O Alcance do Transformismo e A Propósito da Memória Relativa ao Ensino Primário, publicados, respectivamente, em 07/06/1883 e 17/05/1885. Inéditos: O Mutilado, ensaio dramático, em quatro atos, 1855; Notas Biográficas Acerca dos Oficiais Milicianos Coronéis Francisco Manoel Martins Ramos, Ignacio Francisco Calaça da Fonseca Galvão e tenente-coronel Antônio José dos Santos, memória lida no IAGA, em 1881.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*