O cientista social Manuel Diégues Júnior

Grupo Escolar Diegues Júnior em 1924, Rua Epaminondas Gracindo, na Pajuçara. Arquivo IHGAL
Diégues Júnior na formatura

Diégues Júnior na formatura em 1935

O sociólogo, jurista e folclorista Manuel Baltazar Pereira Diégues Júnior nasceu em Maceió no dia 21 de setembro de 1912. Era filho de Manuel Balthazar Pereira Diégues Júnior, o Dr. Diégues Júnior, e Luísa Amélia Chaves Diégues.

Seu pai foi diretor de Instrução Pública nos governos de Gabino Besouro, Clodoaldo da Fonseca e Fernandes Lima, além de ser reconhecido como historiador, geógrafo e escritor, tendo presidido o Instituto Archeológico e Geográfico Alagoano por mais de uma década.

O Dr. Diégues Junior foi professor de Geografia do Lyceu Alagoano e da Escola Normal. É de sua autoria o Compêndio de Geographia e Cosmographia aprovado para uso do Curso Normal e das escolas Primárias de Alagoas, publicado em 1890. Também foi fundador do Colégio Bom Jesus (escola particular), em parceria com o também professor Francisco Domingues da Silva.

Pai e filho tinham o mesmo nome, o que provocou e ainda provoca confusão entre os historiadores. Quando o Major Bonifácio funda e dirige a Escola Noturna Diégues Junior, em 1907, homenageava o pai.

Rua Epaminondas Gracindo em 1922, com o Grupo Escolar Diégues Júnior

Rua Epaminondas Gracindo em 1922, com o Grupo Escolar Diégues Júnior

Da mesma forma que fez o governador Batista Acioli em 1916, quando comprou um terreno na Rua Epaminondas Gracindo, na Pajuçara, para construir um grupo escolar. No ano seguinte, o grupo ainda em construção já era conhecido como Grupo Escolar Diégues Júnior, como continua sendo até hoje.

Manuel Balthazar Pereira Diégues Júnior, o pai, morreu no dia 1º de setembro de 1922. Morava no Poço, em Maceió.

Assim, quando Diégues Júnior, o filho, inicia os estudos primários o faz no Grupo Escolar Diégues Júnior, na Pajuçara. Termina o curso secundário no Ginásio de Maceió, após iniciá-lo no Lyceu Alagoano.

Após a perda do pai, quando tinha apenas 10 anos, a família vive um período de dificuldades financeiras. Sua mãe passa a dar aulas de piano e o jovem Diégues Júnior teve que começar a trabalhar mais cedo.

Com 15 anos de idade, reúne amigos, entre eles Aurélio Buarque de Holanda, e funda o Grêmio Guimarães Passos. A reunião aconteceu em sua casa e ele foi escolhido para presidir a agremiação que chegou a ter 42 sócios. O grupo ficou conhecido como “os meninos impossíveis”.

Diégues Júnior em Buenos Aires, 1964

Diégues Júnior em Buenos Aires, 1964

Douglas Apratto assim avalia o Grêmio Guimarães Passos: “Pode-se dizer que o Grêmio foi um dos pontos altos da renovação cultural da província. Exposições artísticas, festas lírico-musicais, vesperais dançantes. Criou-se o Instituto Rosalvo Ribeiro, destinado ao ensino das Belas Artes, e até a criação da curiosíssima Liga contra Empréstimos de Livros”.

Em 1931, vai estudar em Pernambuco, na Faculdade de Direito do Recife, onde concluiu o curso de Ciências Jurídicas e Sociais em 1935 e divulga as pesquisas que o situa como um dos primeiros cientistas sociais do Brasil, ao lado de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda.

De volta a Maceió, casa-se com Zaira Fontes após 13 anos de namoro. Tiveram quatro filhos: o contra-almirante Fernando Manuel, Carlos José (o cineasta Cacá Diégues), o economista Cláudio Diégues e a antropóloga Madalena Diégues.

Diégues Júnior em uma caricatura de 1954

Diégues Júnior em uma caricatura de 1954

Passa a lecionar a cadeira de História da Civilização no Lyceu Alagoano e atua como funcionário na Delegacia Regional do Trabalho. Interessou-se pela sociologia e frequentou diversos cursos dessa especialidade, inclusive com os professores estrangeiros que vieram ao Brasil, nos anos 30 e 40, para estruturar o ensino da disciplina.

Em 1939, vai para o Rio de Janeiro trabalhar no IBGE e no ano seguinte assume a direção do órgão no Espírito Santo. Dois anos depois está de volta a Maceió para assumir cargo idêntico no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Após um ano em Maceió, funda o Centro de Estudos Econômicos e Sociais, mobilizando personalidades como Aurélio Viana, Rui Palmeira, Melo Mota, Luiz Lavenère, Afrânio Melo, Sebastião da Hora, Luiz Calheiros Júnior e Barreto Falcão.

Volta ao Rio de Janeiro em junho de 1945 para assumir a função de Chefe de Difusão Cultural do IBGE. Três anos depois, já sendo reconhecido por seus trabalhos, é designado para a Comissão Nacional do Folclore, do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC). Exerceu ainda a chefia do Departamento de Estudo e Planejamento do Instituto Nacional de Imigração e Colonização.

Rua Epaminondas Gracindo em 1924, com alunos do Grupo Escolar Diégues Júnior Arquivo IHGAL

Rua Epaminondas Gracindo em 1924, com alunos do Grupo Escolar Diégues Júnior Arquivo IHGAL

No Centro Latino-Americano de Pesquisas em Ciências Sociais, foi diretor de 1958 a 1974. Assessorou a Comissão Nacional de Política Agrária de 1961 a 1974. Atuou como diretor de programas especiais do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Brasil.

Foi professor de Etnologia da Faculdade de Filosofia da Universidade Santa Úrsula, membro do Conselho Nacional de Serviço Social Rural, diretor-geral do Departamento de Assuntos Culturais, depois secretário de Assuntos Culturais do MEC, de 1974 a 1979, e, a partir daquele ano, diretor estadual do Instituto do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro.

Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi professor de Antropologia Cultural e Antropologia do Brasil, além de chefiar o Departamento de Sociologia e Política daquela instituição por vários anos.

Foi ainda membro efetivo do Conselho Técnico da Campanha de Defesa do Folclore, vice-presidente do Conselho do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC) e, finalmente, membro do Conselho Técnico da Confederação Nacional do Comércio.

Diégues Júnior, autor de O Banguê nas Alagoas

Diégues Júnior, autor de O Banguê nas Alagoas

Em 1960, participou da Comissão de Matéria Social, instituída pela Organização dos Estados Americanos (OEA) com o objetivo de estudar e implementar medidas decorrentes da Ata de Bogotá, no campo social.

Assessorou a Delegação do Brasil nas Conferências Gerais da Unesco em 1962, 1966, 1968 e 1970. Foi delegado do nosso país nas Conferências Gerais de 1974 a 1978.

Ministrou cursos em universidades estrangeiras e pertenceu à Americam Antropological Association e ao Instituto Histórico Brasileiro, entre outras instituições culturais, tendo presidido a Associação Latino Americana de Sociologia.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 27 de novembro de 1991, no Hospital Naval Marcílio Dias, um mês depois de receber do reitor Fernando Gama o título de Professor Honoris Causa da Universidade Federal de Alagoas.

Obras

Evolução Urbana e Social de Maceió no Período Republicano – 1939

Variações Sobre Temas Regionais – 1942

Em abril de 1974 assume o Departamento de Assuntos Culturais do MEC

Em abril de 1974 assume o Departamento de Assuntos Culturais do MEC

O Banguê nas Alagoas. Traços da influência do sistema econômico do engenho de açúcar na vida e na cultura regional – 1949

O Engenho de Açúcar no Nordeste – Introduccion a La Sociologia Nacional – 1952. Manuel Diégues Júnior – Etnias e Culturas

História e Folclore do Nordeste – 1953

O Município e a Valorização das Atividades Locais – 1954

População e Açúcar no Nordeste do Brasil – 1954

Etnias e Culturas no Brasil – 1956

Folguedos Populares de Alagoas – 1958

Estudo das Relações da Cultura no Brasil – 1959. Manuel Diégues Júnior – Ciclos Temáticos

População e Propriedade da Terra no Brasil – 1959

Regiões Culturais do Brasil – 1960

O Brasil e os Brasileiros; ensaios sobre alguns aspectos das características humanas das populações brasileiras – 1964

Região, Desenvolvimento, Cultura – 1964

Science et Nescience -1970

Ciclos Temáticos na Literatura de Cordel – 1971

Ocupação Humana e Definição Territorial do Brasil – 1971

Literatura de Cordel – 1976

Fonte: Pesquisa do professor Douglas Apratto para o fascículo Memória Cultural de Alagoas, de 16 de junho de 2000, publicado pela Gazeta de Alagoas; site ABC das Alagoas; Jornais O Orbe e Gutemberg, de Maceió, e Diário de Notícias, do Rio de Janeiro.

1 Comentário on O cientista social Manuel Diégues Júnior

  1. Maria da Penha // 21 de outubro de 2015 em 22:06 //

    Que personalidade importante e produtiva. Quanta coisa boa nos brindou!

    Grata!

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