Nobreza alagoana

O Brasil foi o único país nas Américas que teve um corpo social de nobres. Por aqui, os títulos nobiliárquicos serviam como ostentação de poder político entre a elite, notadamente dos grandes proprietários rurais.

Muitos dos nobilitados, entretanto, eram descendentes diretos da nobreza portuguesa e até da alta nobreza, especialmente as famílias chegadas nos primeiros séculos da colonização, que desembarcaram na Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

Entretanto, a condição mais importante para se tornar nobre era a vontade do imperador de agraciar quem prestava relevantes serviços, além de não apresentar em sua árvore genealógica nenhum dos impedimentos: bastardia, crime de lesa majestade, ofício mecânico ou sangue infecto.

Até a proclamação da República, quando a nobreza foi extinta, foram concedidos 1.211 títulos nobiliárquicos, sem direito à sucessão hereditária. Somente 268 titulares solicitaram o uso de brasões, que eram colocados em residências, mobiliário, porcelanas, cristais e pratos de uso doméstico.

Os títulos nobiliárquicos no Brasil eram os seguintes: duque, marquês, conde, visconde e barão. Em Alagoas tivemos um visconde e dezessete barões.

Para ser nobre, tinha também que gastar um bocado. Segundo a tabela de 2 de abril de 1860, os títulos nobiliárquicos custavam, em contos de réis: Duque: 2:450$000; Marquês: 2:020$000; Conde: 1:575$000, Visconde: 1:025$000 e Barão: 750$000.

Além desses valores, havia os seguintes custos: Papéis para a petição: 366$000 e Registro do brasão: 170$000.

Com grandeza

O termo grandeza, na nobreza com grandeza, é um tratamento honorífico dos antigos “Grandes do Reino”. Originalmente era uma recompensa e reconhecimento por serviços grandiosos prestados à pátria, principalmente em tempos de guerra.

Apanágio concedido por beneplácito dos reis e imperadores que reconheciam e confirmavam a existência das qualidades pertinentes para a nobilitação do indivíduo e a expansão da condição de nobres aos seus descendentes diretos. A grandeza não era hereditária, mas enobrecia os descendentes dos Grandes.

Dentre os direitos e deveres concedidos pela condição de ser reconhecido e tornado Grande estavam: o de poder sentar-se e manter a cabeça coberta na presença real, marcar hora e local para prestar depoimentos. Prisão e condenação à morte só poderiam ocorrer com autorização real.

Eram também direitos, o privilégio de ter preparada permanente na própria casa, uma cadeira com dossel para receber o Rei, e ostentar brasão de armas na fachada das casas, sobre as sepulturas, capelas e nos veículos de transporte.

Aos Grandes e seus descendentes era necessária a licença para casamentos. Os filhos e descendentes dos Grandes tinham o direito de assentarem praça como cadete. As regalias e direitos da Grandeza no reino de Portugal e no império do Brasil não eram excluídas aos que descendiam dos Grandes pelas linhas femininas.

Barão e visconde eram títulos que não possuíam automaticamente a distinção de grandeza, mas esta podia ser conferida por decisão do monarca, seja no próprio decreto de concessão do título nobiliárquico ou em promoção posterior.

Nobreza alagoana

1 – Visconde de Sinimbu – João Lins Vieira Cansanção do Sinimbu.
Recebeu o título em 16 de maio de 1888 e foi o primeiro e único barão e visconde com grandeza de Sinimbu. Nasceu em São Miguel dos Campos, 20 de novembro de 1810, e faleceu no Rio de Janeiro, 27 de dezembro de 1906.

2 – Barão de Penedo – Francisco Inácio Carvalho Moreira.
Recebeu o título de barão em 29 de julho de 1864 e foi o primeiro e único Barão de Penedo. Nasceu em Penedo, 25 de dezembro de 1815, e faleceu no Rio de Janeiro, 1º de abril de 1906.

3 – Barão de Alagoas – Severiano Martins da Fonseca.
Em 2 de março de 1889 foi intitulado Barão com honras de grandeza de Alagoas. Nasceu na Cidade de Alagoas (atual Marechal Deodoro), 8 de novembro de 1825, e faleceu no Rio de Janeiro, 18 de março de 1889.

4 – Barão de Jequiá – Manuel Duarte Ferreira Ferro.
Titulado Barão em 11 de abril de 1859 e com grandeza em 14 de março de 1860. Nasceu em São Miguel dos Campos. Faleceu em Alagoas, em maio de 1870.

5 – Barão de Anadia – Manoel Joaquim de Mendonça Castelo Branco.
Nomeado Barão de Anadia em 23 de setembro de 1870. Nasceu em Porto Calvo. Faleceu em 15 de setembro de 1886.

6 – Barão de São Miguel dos Campos – Epaminondas da Rocha Vieira.
Barão com grandeza, por Portugal, título concedido em 18 de dezembro de 1870 pelo Rei D. Luiz.

7 – Barão de Imbury – Manuel da Cunha Lima Ribeiro.
Nomeado Barão por decreto de 17 de maio de 1871. O seu baronato se deu após a visita que D. Pedro II fez a Alagoas em dezembro de 1859 para a inauguração da Catedral.

8 – Barão de Maceió – Antônio Teixeira da Rocha.
Titulado Barão em 29 de julho de 1877, por Decreto Imperial, primeiro e único barão de Maceió. Nasceu na Cidade de Alagoas (atual Marechal Deodoro), 4 de abril de 1824, e faleceu no Rio de Janeiro, 29 de julho de 1886).

9 – Barão de Água Branca – Joaquim Antonio de Siqueira Torres.
Primeiro Barão de Água Branca, recebeu o título conferido por decreto imperial em 15 de novembro de 1879. Nasceu em Água Branca, Alagoas, 8 de setembro de 1808, e faleceu em 29 de janeiro de 1888).

10 – Barão de Murici – Jacintho Paes Moreira de Mendonça.
Primeiro e único Barão de Murici, foi agraciado Barão em 18 de setembro de 1886. Nasceu em Matriz de Camaragibe, 19 de outubro de 1835, e faleceu em Matriz de Camaragibe, 14 de dezembro de 1894, no Engenho Bom Jesus.

11 – Barão de Mundaú – José Antônio de Mendonça.
Titulado Barão em 11 de julho de 1889. Foi juiz substituto e senhor do Engenho Bom Jesus. Era neto do desembargador e Comendador José Mendonça de Matos Moreira, 6º Ouvidor da Coroa na Comarca das Alagoas e 1º Juiz Conservador das Matas (reservas destinadas à construção de navios).

12 – Barão de Jaraguá – José Antônio de Alarcão Ayala Mendonça.
Nomeado Barão em 14 de março de 1860. Nasceu em Portugal, 1800, e faleceu em 1870.

13 – Barão de Coruripe – Miguel Soares Palmeira.
Nomeado Barão pelo decreto de 19 de julho de 1889, não chegou a receber o título. Nasceu, em 1830, na Fazenda Baixa Fria, São Miguel dos Campos, em Alagoas.

14 – Barão de Piaçabuçu – João Machado de Novais Melo.
Titulado Barão em 5 de outubro de 1889. Nasceu em 1820 e morreu em 1892. Era filho do Sargento-mor Antônio Francisco de Novais. Casou-se com Maria José Leite Sampaio.

15 – Barão de Atalaia – Lourenço Cavalcante de Albuquerque Maranhão.
Primeiro e único Barão de Atalaia, título conferido por decreto imperial em 19 de fevereiro de 1858 e grandezas em 14 de março de 1860. Nasceu em Águas Belas, Pernambuco, 10 de outubro de 1804 e morreu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 13 de fevereiro de 1897(?).

16 – Barão de Palmeira dos Índios – Paulo Jacinto Tenório.
Primeiro e único Barão de Palmeiras dos Índios. Foi agraciado Barão em 28 de agosto de 1889. Nasceu em Quebrangulo e era filho de Paulo Caetano Tenório de Albuquerque e Joaquina do Espírito Santo Cavalcanti, casou-se com Águeda Tenório de Albuquerque. Seu irmão era Lourenço Cavalcanti de Albuquerque

17 – Barão de Parangaba – José Miguel de Vasconcelos.
Titulado como Barão em 25 de setembro de 1887. Nasceu em Atalaia, Alagoas, em 12 de outubro de 1829.

18 – Barão de Traipu – Manoel Gomes Ribeiro.
Nasceu em Maceió, 20 de junho de 1849, e faleceu em Penedo, 27 de julho de 1920.

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