Moreno Brandão, jornalista, poeta, romancista e historiador

Pão de Açúcar em 1988, terra natal de Moreno Brandão

Nascido em Pão de Açúcar, no dia 14 de setembro de 1875, “num casarão amigo, ao pé da igreja”, Francisco Henrique Moreno Brandão era filho de Félix Moreno Brandão e Maria Aguiar Moreno Brandão.

Seu pai era major e médico-cirurgião do Exército e sua mãe era sobrinha do major. Como médico, Félix Moreno Brandão montou um “hospital de sangue” na Guerra do Paraguai, por orientação do Duque de Caxias. Foi condecorado e, em 1878, foi designado como cirurgião-mor da Brigado do Exército em Maceió. Adoeceu de béri-béri e faleceu em Pão de Açúcar.

Moreno Brandão

Moreno Brandão

Aos três anos de idade, em 1878, Moreno Brandão perde o pai e fica sob os cuidados do avô materno, major Manuel Caetano de Aguiar Brandão, que além de ser proprietário bem sucedido, tinha grande influência política na região.

O primeiro estudos de Moreno Brandão foi ainda em Pão de Açúcar, com o mestre Jovino da Luz. Depois, em 1887, já em Penedo, iniciou o curso de humanidades no Colégio São José.

No primeiro ano do curso, com 13 anos de idade, escreve no jornalzinho da escola, A Pirausta, o seu artigo inaugural, abordando a escravidão. Dois anos depois faz o seu primeiro discurso elogiando o Partido Liberal.

Com a morte do avô que o criava, em janeiro de 1890, interrompe os estudos por um ano, para retomá-lo em Maceió no Colégio 8 de Janeiro, do professor Adriano Jorge. Em seguida se matricula no Liceu Alagoano.

Em 1892, morre a sua mãe e Moreno Brandão interrompe novamente os estudos e fica sem rumo. Ele confessa que para fugir da vadiagem a que se entregara, pediu autorização ao ministro da Guerra para se matricular no Colégio Militar do Rio de Janeiro.

Liceu Alagoano.

Liceu Alagoano.

Foi atendido, conforme consta na Ordem do Dia do Exército nº 604, de 30 de novembro de 1894. No final deste ano, morre a sua irmã Nanci, forçando-o a se deslocar até Pão de Açúcar, onde foi “subjugado pela psicastenia”, como revelou depois.

No ano seguinte, ainda perseguindo o objetivo de estudar na Escola Militar, Moreno Brandão tenta ingressar no 26º Batalhão de Infantaria. Mas ao chegar ao Rio de Janeiro, em 1895, as matrículas já estavam encerradas.

Como opção, integra-se ao 22º Batalhão, em São Cristovão. Em 9 de julho de 1895, sofre duas intervenções cirúrgicas no Hospital Central do Exército e, no dia 28 de agosto, consegue baixa no Exército e vai morar em Carmo, Rio de Janeiro, com seu tio Anacleto Brandão. Mesmo colaborando em jornal local, Moreno Brandão se considera um inútil e resolve voltar para Maceió.

Em 1898, termina o curso preparatório e, em fevereiro, vai para Salvador onde fica em dúvidas sobre o que cursar, Medicina ou Direito. Não se matriculou em nenhuma.

“Minha nevrose, então, se exacerbou muito e, premido por ela, apesar do tratamento a que me submeti, sob a direção do Doutor Nina Rodrigues tive, em setembro, regresso a Entremontes” (na época um distrito de Pão de Açúcar).

Após a volta, passou por momentos de muito sofrimento físico e moral, mas, mesmo assim, colaborou no jornal O Sertanejo, de Pão de Açúcar.

Em 1903 vai para Maceió e começa a ensinar no Instituto Alagoano, onde foi vice-diretor. No ao seguinte já estava em Penedo, onde assume, em 1904, a cadeira de Pedagogia do Liceu de Penedo. Contribui com vários jornais da cidade.

Com o fechamento do Liceu de Penedo, volta para Maceió como lente da Eecola Normal, na cátedra de Português. Depois também leciona na cadeira de Geografia. Nesse período consegue um cargo de funcionário público, como 3º Escriturário da Recebedoria Central.

Em 1905 casou-se com Ascendina Serra Moreno Brandão, com quem teve dois filhos, Danúsia e Rui. Ainda teve uma filha adotiva: Marieta Menezes.

Após ficar viúvo, no dia 21 de julho de 1908, casou-se novamente, em 1910, desta feita com sua cunhada, Maria Sena de Menezes.

Em 1914 assume a função de redator do Diário da Noite e, em seguida, funda com Orlando Lins o Instituto Maceioense.

Destacou-se também como jornalista, poeta, romancista e historiador, sendo eleito Deputado Estadual na legislatura de 1921 a 1924. Era sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e membro da Academia Alagoana de Letras, onde foi o primeiro presidente, em agosto de 1931.

Autor de vasta obra literária, legou à posteridade dezenas de livros. Aposentou-se no dia 19 de agosto de 1931.

Romances: A Iara, Vinho Velho e o Escomungado são alguns entre os seis premiados romances. Publicou, também, três coletâneas de contos e quatro monografias, enfocando aspectos do cotidiano em cidades como Penedo, São Miguel dos Campos, Pão de Açúcar e Maceió, que exerceram influência na sua vida.

Deixou ainda alguns estudos históricos, como Figuras Consulares, Medalhas do Populário Brasileiro e História das Alagoas (1909), o mais famoso de todos, nesse gênero.

Moreno Brandão falava fluentemente francês, inglês, italiano e espanhol e tinha uma biblioteca de três mil e quinhentos volumes. Com 63 anos, adoeceu e passou vários meses sofrendo até que faleceu no dia 27 de agosto de 1938, em sua residência na Rua Aristeu de Andrade, nº 377, no bairro do Farol.

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