Moreira e Silva, o doutor de Tatuamunha

Manoel Moreira e Silva nasceu em Tatuamunha em Porto de Pedras

Dr. Manoel Moreira e Silva era uma das lideranças do Partido Democrático

Manoel Moreira e Silva nasceu no dia 24 de janeiro de 1876 na povoação Tatuamunha em Porto de Pedras, Alagoas. Era filho do casal Manoel Moreira e Silva e Belmira Leopoldina Moreira e Silva.

Com 16 anos de idade e com a escolaridade adquirida em Porto de Pedras, foi morar em Salvador atendendo ao convite de outro ilustre filho de Tatuamunha, seu primo Cyridião Durval, que identificou no jovem virtudes e bancou o seu curso de humanidades na capital baiana.

Três anos depois, em 1895, morreu seu primo Cyridião Durval, forçando Moreira e Silva a trabalhar como telegrafista, sendo locado em Diamantina, Minas Gerais, e depois em na Bahia, em Ipojuca e Queimadas, no período em que ocorria campanha de Canudos.

Concluiu o curso preparatório e, em 1896, com muito esforço pessoal conseguiu entrar na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo diplomado em 31 de dezembro de 1902.

Após a conclusão do curso, voltou para Tatuamunha, onde casou-se, em 16 de fevereiro de 1906, com sua prima Maria Luiza Durval, irmã de Cyridião Durval. Em 17 de fevereiro de 1910, tiveram uma filha, Heloísa. Maria Durval faleceu em 26 de julho de 1917.

Em 24 de janeiro de 1918, contraiu segundas núpcias com Domícia de Lima Falcão, sobrinha do governador Fernandes Lima, com quem teve um filho, Domício, em 20 de novembro deste mesmo ano. Moravam na Rua Boa Vista.

Política

Transferiu-se para Maceió nos primeiros dias de 1907 e em pouco tempo conseguiu se firmar como médico, mas o seu envolvimento com a política o fez diminuir os atendimentos no consultório.

Moreira e Silva, Heloísa, Domícia e Domício em 6 de setembro de 1919, Belo Horizonte

Vinculado ao Partido Democrático, em oposição ao governo de Euclides Malta, desde de Porto de Pedras, teve, ainda em 1907, seu nome proposto para a direção partidária.

No ano seguinte foi morar em Salvador, na Bahia, onde permaneceu até setembro de 1909, quando voltou a residir em Maceió.

Com a derrota de Euclides Malta em 1912, Clodoaldo da Fonseca assume o governo e indica Moreira e Silva como superintendente do Serviço de Higiene do Estado, cargo que ocupou até o início de 1915, quando foi chamado a assumir a Direção Geral da Instrução Pública.

Após a posse de José Fernandes de Barros Lima, foi nomeado, em 12 de junho de 1918, secretário de Estado dos Negócios do Interior, além de responder interinamente, de novembro de 1919 a fevereiro de 1920, pela Secretaria da Fazenda.

Nesse período participa como delegado do VI Congresso de Geografia no Rio de Janeiro. Publica dois trabalhos: Fisiografia de Alagoas e Homem Sul Americano perante a linguística. A Fisiografia de Alagoas foi utilizada, após sua morte, como parte do livro Terra das Alagoas, de Adalberto Marroquim.

Destacou-se ainda por apresentar seus estudos sobre o litígio entre os limites de Alagoas e Pernambuco. Esse trabalho foi utilizado na defesa que o governo alagoano apresentou na disputa judicial por suas fronteiras.

Entre 1915 e 1918, fez parte do Conselho Municipal da Capital, sendo eleito presidente sucessivamente.

Foi ainda membro do Instituto Arqueológico e Geográfico de Alagoas e presidente da Academia Alagoana de Letras. Como médico, trabalhou na Escola Aprendizes Marinheiros.

No final de 1917, o governador João Batista Acioli Júnior, querendo demonstrar imparcialidade, demitiu Theodoro Palmeira do cargo de 1º Promotor Público da Capital por ser correspondente telegráfico de um jornal paraense. O jornal Diário do Povo aproveitou o rompante moralista do governador e insinuou que Moreira e Silva, então Diretor de Instrução Pública, era também correspondente do Correio da Manhã e que deveria ser afastado da mesma forma do governo.

Moreira e Silva, o primeiro à esquerda, com o governador Fernandes Lima ao seu lado em foto de 7 de outubro de 1918

No dia seguinte, Moreira e Silva publicou no Jornal de Alagoas os seguintes esclarecimentos: “Meu caro Luiz Silveira. — No intuito de facilitar o trabalho de derrubada desenvolvido e pleiteado no pasquim do palácio velho por fuão [fulano] Jacintho Paes Pinto da Silva, o inimitável negociador da honra da própria esposa, rogo-vos o obséquio de inserirdes no próximo número do vosso conceituado matutino esta resumida carta em que venho afirmar de público a minha assídua colaboração nos telegramas dirigidos ao Correio da Manhã sobre a política alagoana. Maceió, 31 de outubro de 1917. — Dr. Manoel Moreira e Silva”.

Morte prematura

Não era uma pessoa comunicativa, sendo considerado de natureza retraída. Quem mantinha com ele o primeiro contato avaliava-o como um homem seco, frio e indiferente. Entretanto, na intimidade era afetivo e incapaz de magoar alguém.

No início de 1919, se descobriu gravemente enfermo e tentou o tratamento com seus colegas em Maceió e depois em Salvador, onde se submeteu a uma delicada e dolorosa cirurgia. Regressou à capital alagoana em 29 de abril de 1920, hospedando-se no Palácio do Governo, onde faleceu às 23 horas do dia 7 de maio. Tinha 44 anos de idade.

Durante o cortejo que levou seu corpo ao Cemitério de N. S da Piedade, a empresa Luz Elétrica iluminou todas as ruas por onde passou o funeral. O comércio da capital fechou suas portas prestando as últimas homenagens ao Dr. Manoel Moreira e Silva.

Em junho daquele ano, o congresso estadual aprovou uma pensão anual de 3:600$000 para a viúva e seus filhos.

Em sua homenagem, a Ladeira de Santa Cruz passou se chamar Av. Moreira e Silva. Uma rua em Palmeira dos Índios também tem o seu nome.

A atual Escola Estadual Moreira e Silva foi criada no dia 18 de novembro de 1937, na Rua Barão de Alagoas, onde funcionou a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte. Depois de percorrer vários locais e situações recebeu a denominação de Colégio Estadual Moreira e Silva, passando a dividir espaço com o Instituto de Educação no Centro Educacional de Pesquisas Aplicadas, o CEPA.

Em 1965, no governo de Luiz Cavalcante, desligou-se do Instituto de Educação e passou a funcionar em prédio próprio. A denominação Escola Moreira e Silva aconteceu por definição da Lei 3.289 de 14 de junho de 1973. Atualmente recebe a denominação de Escola Estadual Moreira e Silva, regulamentação estabelecida pelo decreto n° 38.555 de 18 de agosto de 2000.

5 Comments on Moreira e Silva, o doutor de Tatuamunha

  1. Os bons retornam pra Deus, e os seusm exemplos ficam pra nós tornarmos mais compreensíveis e ajuda nos a valorizamos os que nos antencederam

  2. É apaixonante ler a biografia das pessoas que ilustram as vias da cidade!

  3. Eglaube Rocha // 12 de Janeiro de 2018 em 03:50 //

    Ticianeli, diariamente leio História de Alagoas para puder ir dormir; estou viciado. Instruo-me sobre as personalidades alagoanas aqui descritas. Belo e indispensável trabalho. Com isto tenho conhecido a história deste grande Estado e sua gente, Por isto, curioso, notei um possível equívoco que em jornal, como é do seu conhecimento, se chama “cochilo”: Foi quanto a data referida no 4º parágrafo desta matéria, se referindo a conclusão do curso preparatório desse ilustre coestaduano, dr Manoel Moreira e Silva: 1896 conseguiu ENTRAR na Faculdade de Medicina da Bahia, CONCLUINDO-O EM 1892. Perdoe-me por tamanha ousadia nesse sentido pois não há outro intuito senão de um melhor esclarecimento.

  4. Você tem razão, Eglaube Rocha, cometemos um erro, mas já corrigimos graças a sua atenção. Agradecemos pela colaboração e pela assiduidade no acompanhamento ao nosso trabalho. O texto agora é esse: “Concluiu o curso preparatório e, em 1896, com muito esforço pessoal conseguiu entrar na Faculdade de Medicina da Bahia, sendo diplomado em 31 de dezembro de 1902”.

  5. Muito interessante! Sou de Tatuamunha e não conhecia essa história. Gostaria de conhecer mais sobre a história de Tatuamunha. Se tiver mais alguma posta por aqui. Obrigada.

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