Mello Moraes, pioneiro na homeopatia brasileira

Marechal Deodoro, terra natal de Mello Moraes

Dr.Alexandre José de Mello Moraes

Nasceu Alexandre José de Mello Moraes em 23 de junho de 1816 na cidade das Alagoas, atual Marechal Deodoro, em uma das casas da rua da Matriz, lado sul, quase a chegar à Rua do Carmo. Era filho do capitão-mor Alexandre José de Mello e de D. Anna Barbosa de Araújo Moraes.

Após perder sua mãe no dia 20 de novembro de 1826 e seu pai no dia 13 de maio do ano seguinte, quando tinha 11 anos, foi levado para a Bahia e passou a ser cuidado por dois tios frades: José de Santa Thereza, carmelita, e Francisco do Senhor do Bomfim, franciscano.

Mesmo vivendo em condições difíceis, conseguiu estudar e concluir o curso preparatório na Bahia, onde matriculou-se na Faculdade de Medicina. Para custear os estudos, lecionava no curso primário em Salvador.

O jornal Correio Mercantil, da Bahia, publicou uma nota em 1935, em que Mello Moraes é citado como “acadêmico, censor e lente de retórica e poética do Colégio Bahiense”. Há informações que também ensinava geografia.

Conseguiu sua formatura em 1840 ao defender a tese “Considerações fisiológicas sobre o homem e suas paixões e afetos em geral: do interesse, amor, amizade em particular”. Neste período já estava casado com Maria Alexandrina de Mello Moraes.

Após a conclusão do curso, voltou a Marechal Deodoro. Não escondia o seu desejo de morar e trabalhar em Alagoas. Entretanto, não demorou a perceber que o provincianismo de sua terra natal não lhe permitiria alcançar suas aspirações, e retornou à Bahia.

Mello Moraes Filho

Em Salvador, viu nascer seus filhos Alexandrina Maria de Mello Moraes, Alexandre José de Mello Moraes Filho, Norberta Maria de Mello Moraes, que faleceu no dia 17 de setembro de 1881, e Clorinda Maria de Mello Moraes.

Em Salvador, logo conseguiu uma vasta clientela, projetando seu nome entre os grandes profissionais daquela terra.

Além da medicina, também atuava no jornalismo político e dedicava-se a estudar a história do país.

Como historiador, também adquiriu renome e reconhecimento, principalmente após custear e lançar em 1864 o Brasil Histórico, de grande circulação na época.

Sua carreira como escritor começa ainda em 1843, quando era redator do Correio Mercantil, jornal diário da Bahia. Nos anos seguintes colaborou com vários outros periódicos.

Os biógrafos de Mello Moraes acreditam que seu interesse pela história veio do convívio com Inácio Accioli de Cerqueira e Silva, militar e historiador, membro do IHGB, e último ocupante do cargo de cronista oficial do Império, com quem tinha laços de parentesco. Juntos, Melo e Accioli publicaram um Ensaio corográfico do Império do Brasil, pela Tipografia de Paula Brito, em 1854.

Em janeiro de 1844, uma nota do jornal Correio Mercantil, da Bahia, informa que “Mello Moraes, Dr. em Medicina, por motivos de saúde mudou sua residência para a ladeira da Preguiça, e por cima da fábrica de chapéus no 1º andar, onde pode ser procurado a qualquer hora, para o mister de sua profissão”.

Homeopatia

Quando as teorias sobre a homeopatia começaram a chegar ao Brasil, encontraram no Dr. Mello Morais um adversário formidável. De tanto estudar o assunto, terminou por aderir às suas ideias e tornou-se um dos seus maiores divulgadores no Brasil, a ponto de abandonar sua clínica e a alopatia. Nesse mesmo período, também adere ao espiritismo, mas mantém em segredo sua opção religiosa.

Mesmo praticando a homeopatia e divulgando a história, Mello Moraes não se afastou de sua participação na política, chegando a ser eleito deputado geral por Alagoas no período de 1868 e 1873.

Mello Moraes também aderiu ao espiritismo

Por tais atribuições, fixou-se no Rio de Janeiro entre 1852 e 1853, onde passou a ser reconhecido por sua vasta produção intelectual. Como escritor, produziu uma vasta obra.

Repertório de Médico Homeopata, foi extraído de Rouff e Berminghaus e detalhava todas as moléstias, acompanhado de um dicionário de termos de medicina e cirurgia.

Outra obra importante foi o Guia Prático de Medicina Homeopática: Fisiologia das Paixões e Afetos, trabalho precedido de uma noção de filosófica geral e de um profundo estudo e descrições anatômicas do homem e da mulher, suas diferenças fisiológicas, filosóficas e morais, baseadas nas teorias de Lasater, Moreau e outros.

Além destes, publicou: Da peste, do contágio e das epidemias que assolam a terra; A Inglaterra e os seus tratados; Doutrina Social; Compromisso da Confraria de S. Vicente de Paula estabelecida na Bahia; Ensaio Corográfico do Império do Brasil; Memórias Diárias das Guerras do Brasil; Os portugueses perante o mundo; Elementos de Literatura Corográfica Histórica, Genealógica, Nobiliárquica e Política do Império no Brasil (5 volumes); A Independência e o império do Brasil; Crônica do Império do Brasil, desde a descoberta da América até 1879; Genealogia de Algumas Famílias Brasileiras; O Tombo das Terras dos Jesuítas; e História dos Jesuítas.

Publicou ainda várias biografias de personalidades, algumas monografias, discursos e memórias.

Mesmo participando ativamente da política, nunca se afastou dos livros, passando boa parte do seu tempo em bibliotecas e alfarrábios. Em 1865, quando se montava o acervo para a inauguração da Biblioteca Pública de Alagoas, criada em 26 de junho daquele ano, Mello Moraes doou 2.000 livros da sua coleção.

O seu trabalho é reconhecido por Moacir Santana. “Pesquisador incansável foi Mello Moraes, o primeiro particular, no Brasil, que teve a ideia de organizar uma coleção de documentos históricos. Para isso, levou mais de trinta anos a devassar arquivos públicos e particulares, bibliotecas e cartórios à procura de documentos de interesse para a nossa História. Sempre se indispôs contra a chamada ‘história de encomenda, dirigida, história escrita por um empregado do governo’”.

Mello Moraes faleceu no Rio de Janeiro às 4 horas da tarde de 6 de setembro de 1882, vítima de pneumonia em sua casa à Rua Evaristo da Veiga, 41. Seu corpo foi enterrado 24 horas depois no Cemitério de São João Batista, na carneira nº 880.

Fonte: Revista do Ensino, ano 1, nº 2, de março/abril de 1927; e a pesquisa do historiador Douglas Apratto Tenório para o fascículo Memória Cultural de Alagoas, encarte da Gazeta de Alagoas; e diversos jornais da época.

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