Manoelito Bezerra Lima, o poeta do violão

Festa de Bom Jesus dos Navegantes em 1921, Pão de Açúcar, terra do Cego Nezinho
Manoel Bezerra Lima nasceu em Pão de Açúcar, Estado de Alagoas, no dia 8 de julho de 1883

Manoel Bezerra Lima nasceu em Pão de Açúcar, Alagoas, no dia 8 de julho de 1883

Por Etevaldo Amorim

Numa terra de músicos, em que muitas gerações foram formadas e fizeram a fama dessa cidade do sertão alagoano, ribeirinha do São Francisco, surgiu um que era dotado de extraordinário talento e portador de uma limitação que não o impediu, no entanto, de se tornar o mais conhecido de todos.

Manoel Bezerra Lima nasceu em Pão de Açúcar, Estado de Alagoas, no dia 8 de julho de 1883, na casa de número 173 da Rua Antônio Machado Guimarães (antiga Duque de Caxias). O filho de D. Rosenda e de “seu’ Joaquim Alves Bezerra Lima perdeu a visão logo nos primeiros meses de vida e cresceu sendo tratado por “Ceguinho de Joaquim Bezerra” ou “Nezinho Cego”.

Segundo descrição de Adherbal de Arecipo, Manoelito, como também era chamado, “tinha baixa estatura, era magro e gozava de boa saúde. Seus olhos — pode-se dizer, não apareciam: eram vazados, formando uma espécie de vácuo”. Talvez para compensar a visão que lhe faltava, a sua percepção auditiva se desenvolveu enormemente. No estudo da música, isso o favoreceu sobremaneira.

Conta-se que, certa noite, estando ele em companhia de um grupo de amigos, na tranquila cidadezinha sertaneja, ouviram o som característico de carros de boi, que desciam a ladeira em demanda ao Campo Grande, costumeiro lugar de pouso dessas caravanas que transportavam as mercadorias para embarque nas canoas. Os amigos o desafiaram:

— Você não tem o ouvido bom, Ceguinho??!!! Pois diga quantos carros estão vindo…

Nezinho apurou o ouvido por alguns poucos minutos, o suficiente para distinguir o som que cada carro emitia pelo roçar dos eixos nos cocões, e respondeu taxativo:

— Seis.

Foram todos para o local e, contando os carros, constataram que eram cinco. E, então, gritaram todos:

— Errou, Ceguinho!!!! Você disse que eram seis…

Foi então que um dos carreiros apressou-se em explicar. Na verdade, eram mesmo seis carros, mas um deles quebrou na descida, sendo forçado a parar. O “ouvido” do Nezinho era mesmo afinadíssimo.

O violinista amazonense Conde José de Sabbatini, que se apresentou com Nezinho na Fênix Alagoana. Foto: revista Fon-Fon, 20 de novembro de 1909

O violinista amazonense Conde José de Sabbatini, que se apresentou com Nezinho na Fênix Alagoana. Foto: revista Fon-Fon, 20 de novembro de 1909

No dia 9 de outubro de 1907, Nezinho executou concerto no Salão de Honra da Fênix Alagoana, que contou com a presenta do então governador Euclides Malta, bem como do “aplaudido violinista Sabbatini e dos apreciáveis musicistas de orquestra do Politeama”, diz a matéria do jornal Gutenberg, que exaltava ainda as suas qualidades como exímio executor de diversos instrumentos: violão, cavaquinho, bandolim, violino, flauta, ocarina, realejo, pífano, sanfona e piano, além de iniciação na cítara.

Segundo o Dicionário MPB (site www.dicionariompb.com.br), Manoelito foi para o Rio de Janeiro em 1908, ocasião em que se apresentou no Teatro Mourisco, durante a Exposição Nacional, na Praia Vermelha.

Estudou música desde criança. Ingressou em 1912 no Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, onde aprendeu a ler e a escrever em braile.

Consta, entretanto que, em 1910, em viagem ao Rio de Janeiro, apresentou-se em Salvador, tendo merecido este comentário do jornal Diário de Notícias:

“O Hino Nacional de Gottschalk, executado pelo ceguinho, merecia, só ele, uma crônica. Tudo o que dissermos será pouco para manifestar nossa admiração pela bela e sublime execução da peça”.

Esse “hino” é a música Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, composta por Louis Moreau Gottschelk (renomado músico americano), que serviu por muito tempo de tema dos programas do PDT, à qual se seguia a fala de Leonel Brizola: “Pooooovo brasileiro…”.

Chegando à Capital Federal, logrou apresentar-se numa das Salas da Associação de Imprensa, no dia 2 de julho de 1910. O jornal O Paiz, em edição do dia seguinte, em nota intitulada “Cego e virtuose”, na seção Artes e Artistas, enaltece o seu talento, ressaltando fato de que, possuidor de “uma agilidade rara, conhecendo o braço do violão à maravilha, consegue torná-lo um instrumento de concerto”. Por aquele tempo, o violão era um instrumento utilizado apenas por artistas populares, sem reconhecimento da crítica. E ainda acrescenta, “Não o toca, porém, como toda a gente, mas sim em forma de cítara, descansando-o sobre os joelhos”.

Nezinho Cego com o grupo Batutas Sergipanos por ocasião do Festival realizado na noite do dia 22 de setembro de 1933, no Cassino Rio Branco, Aracaju-Sergipe. Fonte: Almanack de Sergipe, nº 05 – 1934. Em pé: da esquerda para a direita: João Prado, José de Albuquerque Feijó (banjista); Sales de Campos, orador do grupo; Tenente Amynthas Barretto (barítono); J. Campos Morais; Prof. Vicente Ferreira e Deucaleão Guimarães. Sentados, na mesma ordem: João dos Santos, conhecido por Zão Cula, afamado violinista; maestro Ceciliano Cruz, Manoel Lima (homenageado). Maestro Domício Fraga e João Motta.

Nezinho Cego com o grupo Batutas Sergipanos por ocasião do Festival realizado na noite do dia 22 de setembro de 1933, no Cassino Rio Branco em  Aracaju, Sergipe. Em pé: da esquerda para a direita: João Prado, José de Albuquerque Feijó (banjista); Sales de Campos, orador do grupo; Tenente Amynthas Barretto (barítono); J. Campos Morais; Prof. Vicente Ferreira e Deucaleão Guimarães. Sentados, na mesma ordem: João dos Santos, conhecido por Zão Cula, afamado violinista; maestro Ceciliano Cruz, Manoel Lima (homenageado). Maestro Domício Fraga e João Motta.

Durante essa apresentação, executou, numa primeira parte, o Schottisch (Xóti) “Venturosa”; o dobrado “Nilo Peçanha”; o tango “Ver ao longe”; a mazurka “Coração”; a valsa “Naninha”; e o “Hino de Gottschelk”. Em seguida: a cavatina “Melodiosa”; o dobrado “Associação de Imprensa”; a valsa “Saudades de Aracajú”; a polka “Cuxillo”; o dobrado “Um pensamento” e o tango “Bahia”. Manoelito Lima, com foi chamado na ocasião, apresentava ainda uma inovação: tocou várias melodias numa “gaitinha de vento”, acompanhando-se ao violão. A gaita era presa a um cavalete de madeira, que a suspendia até a altura dos lábios.

De retorno a Pão de Açúcar, ainda segundo Arecipo, desembarcou vestindo fraque. No porto, o esperava a banda “União e Perseverança” e um grande número de parentes e amigos que o acompanharam até sua casa, onde tocou vários instrumentos, no que foi seguido por seus conterrâneos. Como disse, Pão de Açúcar é uma terra de músicos.

Transferiu-se depois para o Recife. Não se sabe exatamente quando, mas há um registro de seu embarque em Maceió, a bordo do vapor “Pará”, publicado no jornal Correio do Povo, em edição do dia 4 de março de 1917.

Em 1923, fez apresentações no Salão Nobre do Diário de Pernambuco. Uma delas, talvez a primeira, noticiada pelo jornal A Província, aconteceu no dia 20 de março daquele ano. Na primeira parte, executou ao violão, de sua autoria, as polkas “Serena Estrela” e “Serena Lua”; “Dutra”, de Pás de Quatre; “O Guarany – 3º ato, de Carlos Gomes; e “A viúva alegre”, de Franz Lehár. Para a segunda parte ficaram: a cavatina “Fantasia”, executada ao violão, cavaquinho e realejo. No último segmento, ao violão e realejo, a valsa “Carmélia”. Naquela sala de concertos esteve ele no dia 5 de maio, recebendo caloroso acolhimento. No dia 11, estava ele no Salão Pio X, em Olinda, gentilmente cedido pelo seu diretor Frei Philoteo Siepmann.

Já devidamente integrado à vida da cidade, Manoelito era convidado para as mais diversas atividades artísticas. Assim é que, no dia 22 de maio de 1923, o nosso Nezinho acompanha o Bloco Apois Fum numa caravana até Caruaru para comemorar o aniversário do seu presidente de honra, Cel. Francisco Sá Leitão. Dois vagões especiais são atrelados ao trem do horário. Além da orquestra, dirigida pelo maestro Zuzinha, vai também o time do Nacional Foot Ball Club, para um jogo amistoso com o Caruaruense Foot Ball Club. À noite, um animado baile pontificou a homenagem, posto que também estava com eles a Banda do 2º Corpo de Polícia.

Turunas da Mauricéia. Manoel de Lima, João Miranda, Romualdo Miranda, João Frazão e Augusto Calheiros

Turunas da Mauricéia. Manoel de Lima, João Miranda, Romualdo Miranda, João Frazão e Augusto Calheiros

No dia 17 de junho daquele mesmo ano, participa das festividades do Colégio Arquidiocesano de Olinda, pelo encerramento do primeiro semestre letivo. Lá estava ele tocando violão e bandolim, pontificando a parte recreativa do evento. No dia 7 de agosto, faz conferência durante a exibição do saxofonista cego, mineiro de Uberlândia, Ladário Teixeira, no Salão de Concertos do Diário de Pernambuco.

Em 12 de fevereiro de 1925, Manoelito apresenta-se para a imprensa no Diário de Pernambuco. A crítica informa que “a assistência foi regular e em sua maioria composta de elementos autorizados no nosso meio artístico.” E acrescenta: “Desse musicista não se pode exigir mais do que ele nos ofereceu, pois que lhe falta o mais importante dos sentidos que é a vista”. O promotor desse evento foi o Dr. Clóvis S. da Nóbrega² e o convite, dirigido ao jornal A Província, era extensivo à colaboradora deste: Sylvia Moncorvo, escritora crítica de arte pernambucana. Clovis da Nóbrega era engenheiro e um dos Diretores da Companhia Agro Fabril Mercantil, fabricante das linhas da Pedra.

A 14 de maio de 1926 acontece uma apresentação de Manoelito para a imprensa no Salão de Conferências e Arte do Diário de Pernambuco. Nesse mesmo ano, ingressa no grupo vocal e instrumental denominado pelo historiador Mário Melo de TURUNAS DA MAURICÉA, numa referência ao domínio holandês sob o comando de Maurício de Nassau. Naquele tempo a cidade era chamada de “Mauricéia”; e turuna é uma palavra de origem tupi, que significa negro poderoso, valente.

Os Turunas da Mauricéia no estúdio da Rádio Sociedade. Foto do Correio da Manhã de 20.02.1927

Os Turunas da Mauricéia no estúdio da Rádio Sociedade. Foto do Correio da Manhã de 20.02.1927

O conjunto era formado pelo cantor alagoano Augusto Calheiros; João Frazão, violonista e diretor; Romualdo de Miranda, violonista; João de Miranda, ao bandolim; Luperce Miranda, extraordinário bandolinista; e por Manoel de Lima, também conhecido por Manoelito ou Ceguinho de Pão de Açúcar. Na tarde do dia 14 de maio daquele ano fizeram uma exibição para a imprensa pernambucana, no Salão de Conferências e Arte do Diário de Pernambuco, sendo muito elogiados. No dia 20 de agosto de 1926, organizaram um Festival, no Teatro do Parque, com que se despediram do público pernambucano, dias antes de seguiram para o Rio de Janeiro.

Chegaram ao Rio sem qualquer auxílio, “confiado apenas no valor de cada um”, como afirmava o jornal Correio da Manhã em sua edição de 16 de janeiro de 1927, ao tempo em que assegurava o seu patrocínio, em associação com o empresário Nicolino Niggiani, anunciando uma apresentação para o sábado seguinte, dia 22, no Teatro Lírico.

Ao espetáculo, que foi transmitido pela Rádio Sociedade, compareceu a mais distinta elite da Capital, inclusive o prefeito Antônio da Silva Prado Junior, que representou o presidente da República Washington Luiz. Em sua homenagem, Manoelito executou o Hino Nacional, de Francisco Manoel da Silva.

Em consequência do retumbante sucesso que alcançaram, os Turunas foram contratados pela empresa N. Vigginani para mais uma apresentação no seu Teatro Lírico, na quinta-feira seguinte. Manoelito, que definitivamente angariou a simpatia e a admiração de todos, recebeu de presente um violão, oferecido pelo grupo carnavalesco “Cordão da Bola Preta”, por considerá-lo “um de seus melhores intérpretes”.

O concurso “O QUE É NOSSO”

Nezinho Cego, Yvonne Rabello e Canhoto no concurso O Que é Nosso

Nezinho Cego, Yvonne Rabello e Canhoto no concurso O Que é Nosso

No dia 16 de janeiro de 1927, o jornal Correio da Manhã lança um concurso de sambas, maxixes, canções sertanejas, emboladas, desafios e violão, a ser realizado em 19 e 20 de fevereiro, com vistas a promover o carnaval daquele ano.

No concurso de violão, havia três concorrentes: Américo Jacomino, o Canhoto, renomado violonista paulista; uma menina de 10 anos chamada Yvonne Rabello (seria parente do saudoso Raphael Rabello?); e Manoel de Lima, o nosso Ceguinho. Os estilos eram completamente diversos. A menina Yvonne foi a única a cumprir as exigências do concurso, solando em violão de cordas de tripa, em posição clássica, a peça “Capricho árabe”, de Tarrega.

A comissão julgadora, composta por João Itiberê da Cunha, Corbiniano Villaça e Homero Alvares, levando em conta tratar-se de uma disputa genuinamente brasileira, resolveu conferir a premiação considerando o estilo de cada um. Assim, foi conferido o Prêmio “João Pernambuco” a Américo Jacomino – o “Canhoto”; o Prêmio “Joaquim dos Santos” a Yvonne Rabello e o Prêmio “Levino Conceição” a Manoel de Lima, considerando, segundo o jornal Correio da Manhã: ser um “artista de excepcional inspiração, cego como o patrono do prêmio, cujo mérito está consagrado e não permite confronto”.

A ampla Sala do Teatro Lírico na tarde de 19.02.1927, lotado para o concurso “O QUE É NOSSO”. Foto do jornal Correio da Manhã de 20.02.1927

A ampla Sala do Teatro Lírico na tarde de 19.02.1927, lotado para o concurso “O QUE É NOSSO”. Foto do jornal Correio da Manhã de 20.02.1927

Enquanto esperavam o concurso, faziam a festa nas principais casas do Rio. Os jornais anunciavam para o dia 6 de fevereiro “Uma tarde do que é nosso”, com Turunas da Mauricéia no Teatro João Caetano (ex-São Pedro), com a empresa Paschoal Segreto. Manoel de Lima era anunciado como “o poeta do violão”, dividindo o palco com os conjuntos Africanos de Vila Isabel e Trio Carioca. A temporada se prolongou até 26 de março.

No dia 9 de fevereiro, estreiam no Teatro São José (empresa Paschoal Segreto). Na tela, o filme “Beber, amar e sofrer” com Jean Hersholt, Louise Fazenda, June Marlowe e George Lewis. A temporada ali também se estende, tendo inclusive matinée infantil.

Em 6 de abril, quarta-feira às 20h30, os Turunas da Mauricéia se apresentam no C. R. Botafogo, perante os sócios e suas famílias, por intermediação dos sócios Boabdil de Miranda e Dr. Alberto Ruiz. Este Clube de Regatas Botafogo foi fundado em 1º de julho de 1894. Em 8 de dezembro de 1942, fundiu-se como Botafogo Football Club, este fundado em 1904 com o nome de Eletro Club, transformando-se no atual BOTAFOGO DE FUTEBOL E REGATAS.

Empresário Nicolino Viggiani

Empresário Nicolino Viggiani

Diversas exibições fizeram eles em Niterói, sendo as duas últimas nos dias 11 e 12 de junho, no Teatro Colyseu.

No dia 3 de julho de 1927, os Turunas se apresentaram no palco do palco do Cine Teatro Central, na Avenida Rio Branco, 168. Com eles estavam LOS CORBATI (acrobacia volante sobre 3 barras). Na tela, o filme “Ouro, mulher e lei”, com John Gilbert. Exibia-se também o filme “Jahú rumo ao céu da Pátria”. A Empresa Pinfildi o anunciava como “o único filme em que se vê nitidamente o glorioso JOÃO RIBEIRO DE BARROS e sua excelentíssima progenitora D. Margarida Ribeiro de Barros e toda a sua ilustre família – e outros detalhes interessantes”. Tratava-se de João Ribeiro de Barros, aviador brasileiro (Jaú, SP: 04/04/1900 – Jaú, SP: 20/07/1947) que, juntamente com Arthur Cunha, Newton Braga, Vasco Ciquini, tornaram-se pioneiros na travessia aérea do Atlântico Sul. Partiram de Gênova (Itália) para Santo Amaro (SP, Brasil), com escalas na Espanha, Gibraltar, Cabo Verde e Fernando de Noronha.

Outra apresentação se fez ainda no dia 19 daquele mês, desta feita com a presença dos intrépidos aviadores. Os Turunas executaram o “Hino ao Jahú”, o avião em que levaram a efeito a grande façanha.

Teatro-Cassino O BEIRA MAR, empresa de N. Viggiani e Laport

Teatro-Cassino O BEIRA MAR, empresa de N. Viggiani e Laport

No dia 8 de julho, os Turunas da Mauricéia estiveram no estúdio da rádio A Capital, sob a direção de Américo Jacomino, “Canhoto”. Manoelito, tocando Grande fantasia triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro e Canhoto interpretando Abismo de Rosas, Viola Minha Viola e Marcha dos Apaixonados. Em 6 de setembro, apresentam-se no Beira-Mar Casino, em comemoração ao aniversário da Independência do Brasil.

Em 1929, de volta ao Recife, apresentou-se no Teatro Santa Isabel e no Cinema Moderno e, novamente, no Salão de Concertos do Diário de Pernambuco, no dia 11 de maio, sob o patrocínio do governador do Estado de Pernambuco, Júlio Celso de Albuquerque Belo, e do Dr. Carlos Lyra, diretor daquele jornal. Exibiu-se ainda no Natal Club, da capital potiguar.

Em 22 de setembro de 1933, o Ceguinho de Pão de Açúcar toma parte no Festival realizado no Cassino Rio Branco, em Aracaju, quando é homenageado. Voltou a Sergipe em 1938, quando mostrou sua arte no Salão Nobre da Biblioteca Pública de Aracaju e, em Propriá, na Sociedade Recreativa,

Em 1934, fez exibições no Salão Nobre da Escola Normal Pedro II e no Jornal Diário da Manhã, na cidade de Vitória, Espírito Santo.

Nezinho Cego acompanhado por uma mulher, provavelmente sua companheira

Nezinho Cego acompanhado por uma mulher, provavelmente sua companheira

Em 1939, de volta ao Recife, exibia-se no Cine-Teatro Guarani. No ano seguinte, estava ele no Cine Eldorado e, 1941, no Cassino Baltazar, na cidade de Carpina. Em 1942, o “Mozart alagoano”, como alguns jornais o chamavam, se fazia ver no Cine-Teatro Caruaru, na progressista cidade do interior pernambucano.

Dentre as muitas composições suas, podemos citar: as valsas “Abandono”, “Alice” e “Amor Oculto”; o samba “Escorrego do urubu”; o choro “Fuxico” e o tango “Murmúrio”; além da valsa em seis partes “Veneza americana”, com que fez homenagem à cidade do Recife.

Depois de alguns anos, retornou para Alagoas, com apresentações no Teatro Deodoro e no Cine-Teatro Floriano. Manoel Bezerra Lima faleceu em Recife, Pernambuco, no dia 15 de janeiro de 1945, na residência de sua irmã Marieta Canuto Lima, na rua Zeferino Agra, 72, no bairro da Arruda. Foi sepultado às 16h no Cemitério de Santo Amaro.

Félix Lima Junior, seu primo, posto que era filho do seu tio Félix Alves Bezerra Lima, destacou sua arte em “DOIS MAESTROS ALAGOANOS — Misael Domingues e Manoel Bezerra Lima — Nozinho” e, para homenageá-lo, seus conterrâneos deram o seu nome a um dos principais logradouros da cidade. A “Avenida Manoelito Bezerra Lima”, em prolongamento da “Bráulio Cavalcante”, no sentido Leste, compõe-se de modernas residências e sedia importantes estabelecimentos públicos, tais como: o hospital, a 8ª Coordenadoria Regional de Ensino e a Escola Estadual “Padre José Soares Pinto”.

¹ Publicado no jornal Gazeta de Alagoas, caderno Saber, em 03/06/2012.

² Clóvis Santiago da Nóbrega era genro de Delmiro Gouveia. Casou-se, em 20 de setembro de   1924, com Maria da Cruz Gouveia. Um dos padrinhos foi o Deputado potiguar Juvenal Lamartine, relator do Projeto de Lei que passou a permitir o voto feminino em todo o Brasil e que, eleito Presidente do Rio Grande do Norte, fez com que aquele Estado fosse o primeiro a permitir o voto das mulheres.

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