O revolucionário Manoel Lisboa de Moura

Manoel Lisboa de Moura nasceu em Maceió, estado de Alagoas, no dia 21 de fevereiro de 1944, filho de Augusto de Moura Castro, oficial da Marinha, e de Iracilda Lisboa de Moura.

Ainda adolescente, organizou o grêmio do antigo Liceu Alagoano, depois Colégio Estadual. Foi diretor da União dos Estudantes Secundaristas de Alagoas (Uesa) e, aos16 anos, ingressou na Juventude Comunista do PCB.

Manoel Lisboa foi um dos fundadores do PCR

Manoel Lisboa foi um dos fundadores do PCR

Como universitário, organizou o Centro Popular de Cultura da UNE (CPC) em Maceió, apresentou e dirigiu peças de teatro, envolvendo, inclusive, operários da estiva.

O Golpe Militar de 1964 o encontrou cursando Medicina na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), de onde foi expulso e teve os direitos políticos cassados. Nessa ocasião, pertencia ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Lisboa transferiu-se para o Recife, onde continuou na luta revolucionária. Trabalhava na Companhia de Eletrificação Rural do Nordeste (Cerne).

Em julho de 1966, foi novamente preso, logo após o atentado contra o marechal Artur da Costa e Silva, ocorrido no Aeroporto dos Guararapes.

A polícia não conseguiu incriminá-lo. O inquérito comprovou que ele, no momento do ocorrido, estava trabalhando na Cerne com seu irmão, engenheiro e capitão do Exército.

Posto em liberdade quatro dias depois, concluiu que não era possível continuar levando uma vida legal e dedicar-se à causa revolucionária, optando então pela vida clandestina.

Em meados de 1966, Manoel Lisboa resolve sair do PCdoB. No final do mesmo ano, em dezembro, Manoel Lisboa, Amaro Luiz de Carvalho (Capivara), Ricardo Zarattini Filho, Valmir Costa e Selma Bandeira fundam o Partido Comunista Revolucionário (PCR).

O Partido propunha a utilização de todas as formas de luta, legais e ilegais, abertas ou clandestinas, destacando a luta armada como a única capaz de destruir realmente a ditadura, desde que contasse com o apoio, a compreensão e a simpatia do povo.

Manoel Lisboa de Moura era conhecido por seus companheiros como Galego, Celso, Zé, Mário e outros nomes. No início dos anos 70, a repressão se voltou para o Nordeste e queria atingir o PCR prendendo Manoel Lisboa.

No dia 16 de agosto de 1973, a repressão conseguiu seu intento. Na Praça Ian Flemming, no bairro de Rosarinho em Recife, Manoel Lisboa conversava com uma operária, a quem dava assistência política, quando foi agarrado por agentes comandados por Luís Miranda e o delegado paulista Sérgio Fleury.

Antes da clandestinidade, Manoel Lisboa estudou Medicina na Ufal

Antes da clandestinidade, Manoel Lisboa estudou Medicina na Ufal

Algemado, foi arrastado para um veículo e conduzido para o DOI-Codi do 4º Exército, então situado no Parque 13 de Maio. Fortunata, a operária, presenciou a cena. “Foi uma verdadeira operação de guerra. Quando um homem se aproximou, ele fez menção de pegar a arma, mas foi inútil. De todos os lados da praça surgiam homens. Carros e carros surgiram”.

Manoel Lisboa foi submetido a todo tipo de tortura. Despido, pendurado no pau-de-arara, espancado por todo o corpo, choques elétricos no pênis, nas mãos, nos pés, nas orelhas, queimado com vela, logo nos primeiros dias perdeu a sensibilidade dos membros inferiores. Não podia se locomover nem se alimentar.

Manoel sabia tudo da organização. Era seu dirigente máximo, conhecia todos os segredos. Um segundo de vacilação e o PCR estaria completamente aniquilado. Mas ele foi coerente com o que sempre pregara: “Delação é traição e a traição é pior do que a morte. O revolucionário é como um prisioneiro de guerra; só declina o próprio nome. A causa revolucionária, a democracia, a libertação nacional, o socialismo estão acima da própria vida”.

Maria do Carmo Tomaz e Juarez José Gomes viram-no cheio de hematomas e ouviram seus gritos. Outros prisioneiros chegaram a falar com ele, que disse: “Sei que minha hora chegou; fiz o que pude; a vocês, peço apenas que continuem o trabalho do Partido”.

Num certo dia do mês de setembro, ela não recorda a data, Maria do Carmo Tomaz foi levada a uma câmara de tortura, onde lhe deram a notícia da morte de Manoel Lisboa e afirmaram: “Um igual àquele vocês não vão encontrar nunca mais”.

No dia 5 de setembro, os jornais do Recife e os principais jornais do país publicaram nota que dizia: “Durante tiroteio com os órgãos de segurança interna, morreram na manhã de ontem em Moema, São Paulo, os terroristas Manoel Lisboa de Moura e Emmanuel Bezerra dos Santos, que fizeram parte do atentado ao marechal Costa e Silva, então presidente da República, em visita ao Recife, em 1966″.

A farsa foi facilmente desmontada. Emmanuel Bezerra estava em missão do Partido no exterior e encontrar-se-ia com Lisboa no Recife, no dia 15 de setembro. Preso pela Operação Condor, provavelmente na fronteira entre Argentina e Chile, Bezerra foi conduzido ao DOI-Codi de São Paulo, torturado e morto por não abrir as informações de que a repressão precisava para destruir o Partido. Fleury levou Manoel Lisboa para São Paulo apenas para montar a farsa.

Manoel tinha uma companheira, a também alagoana Selma Bandeira.

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