Luiz de Barros, pioneiro no rádio e na publicidade alagoana

Luiz de Barros nasceu em Correntes, Pernambuco, e está com 85 anos de idade

Luiz de Barros e Cláudio Alencar distribuem prêmios em um programa de auditório na Rádio Difusora de Alagoas

Filho de Augusto Barros Araújo e de Maria Luiza Nascimento, Luiz Gonzaga de Barros nasceu em Correntes, Pernambuco, no dia 11 de abril de 1932. Tem um único irmão: Sebastião Barros. Dois anos após o seu nascimento, a família foi morar em Viçosa e depois, no dia 2 de dezembro de 1942, em Maceió, na Rua Sargento Jaime, no Prado.

Seus primeiros estudos foram no Grupo Escolar Tomaz Espíndola, na Levada. Depois matriculou-se na Escola Industrial quando ainda era na Praça Sinimbu. Sem concluir os estudos, foi morar em Garanhuns na casa de uma tia, onde permaneceu até os 16 anos.

Achando que estava “muito parado” em Garanhuns, resolveu morar em Recife com uma prima chamada Bete, cujo esposo era comerciante em uma loja instalada na Rua Nova, onde vendia acessórios para homens e oferecia os serviços de barbearia.

Foi nesse período que começou a “namorar” o rádio. “Frequentei muitas vezes, na Rádio Jornal do Comércio, o programa de auditório do finado Ernani Seve. Ia com os filhos da minha prima”, recorda Luiz de Barros.

Luiz de Barros e a cantora Neuza Moreno no programa Vesperal das Senhorinhas, na Rádio Difusora

Em 1949, fez o alistamento militar em Recife, mas seu pai em Maceió, que gostava de briga de galos e nesse meio tinha um amigo sargento do Exército, conseguiu a sua transferência para a capital alagoana.

Um ano antes, em setembro de 1948, a Rádio Difusora de Alagoas tinha sido inaugurada e seus programas de auditórios atraiam muita gente. Luiz de Barros era um desses assíduos frequentadores. “A Odete Pacheco apresentava o programa Rádio Variedades, aos domingos, começando às 13h. Eu chegava mais cedo e me inscrevia para participar das brincadeiras que ela organizava com o auditório. Um dia, já em 1955, ela me chamou para fazer um teste, já que precisava de alguém para fazer a locução comercial do programa: fui aprovado e comecei a trabalhar imediatamente”.

Algum tempo depois, Odete Pacheco precisou viajar em férias e convidou Luiz de Barros para substituí-la à frente do programa. “Graças a Deus, dei conta do recado. Ela ficou satisfeita. A partir de então, quando ela viajava aqui mesmo em Alagoas, e coincidia ser um domingo, era eu que fazia o programa”.

Depois da experiência como substituto eventual de Odete Pacheco, Luiz de Barros estreou, na mesma Difusora de Alagoas, o programa de estúdio Galhardo Canta para Você, todas as tardes das quintas-feiras, sob o patrocínio da Nova Sapataria Americana.

Luiz de Barros e Luiz Gonzaga em uma apresentação na Rádio Difusora

O próximo programa foi o No Mundo do Baião, em um momento que Luiz Gonzaga fazia um imenso sucesso no Brasil e o ritmo era o mais tocado no país.

“Depois veio a ideia de criar um programa de auditório. Eu e o Wilton Miranda criamos então o Vesperal das Senhorinhas, todas as quintas-feiras a partir das 15h e até às 18h. Trouxemos grandes nomes da música nacional e internacional. O auditório ficava lotado. Fizemos muito sucesso durante os três anos que o Vesperal permaneceu no ar”, lembra Luiz de Barros.

No início dos anos da década de 1960, foi convidado por Castro Filho, diretor da Rádio Gazeta de Alagoas, recém fundada, para trabalhar na então mais nova emissora alagoana. “Criei o programa Quem Manda é o Ouvinte. Era diário, das 13h às 15h, de segunda à sexta. Fiquei lá por uns dois anos, quando a emissora ainda era na Rua do Comércio”.

Nesse mesmo período, trabalhou também como representante de algumas gravadoras do país, abastecendo as principais lojas de disco de Maceió: Eletrodisco, Faustino & Cia, Casa Ferreira e Carrossel Musical.

Carro de Som da Brasília Publicidade

Saiu da Gazeta para montar a empresa Brasília Publicidade. “Instalei meu escritório e o estúdio vizinho à Gazeta, na Rua do Comércio, 318, 2º andar. Recebia muitos políticos, principalmente prefeitos do interior. Lá eu montava suas publicidades e gravava em disco de vinil. Não lembro de quantas festas de emancipações políticas participei. Era considerado o locutor oficial das emancipações e dos desfiles cívicos”.

Jalon Cabral, outro radialista que fez história em Alagoas, destaca que Luiz de Barros foi pioneiro em Alagoas na arte da propaganda gravada em vinil: “Sua agencia era a única que possuía gravadora própria, para onde se dirigiam todos os radialistas que desejavam gravar os seus comerciais”.

Após dez anos à frente da Brasília Publicidade, voltou a trabalhar com as rádios, como corretor de publicidade de várias emissoras, e fazendo reportagens como radialista autônomo.

Cultura popular

Foi ainda durante a gestão do prefeito Abelardo Pontes Lima – administrou Maceió entre 1955 e 1960 -, que Luiz de Barros se vinculou as várias manifestações dos folguedos populares de Alagoas.

Escolha do melhor pastoril de 1963

“Nesta época eu morava na Rua Santa Maria e conhecia o Germano Santos, que trabalhava na prefeitura da capital. Foi ele quem conseguiu os contratos para mim. Eu e o Pedro Teixeira éramos chamados para animar os pastoris. Naquela época, a festa natalina acontecia no Parque Rodolfo Lins, hoje Praça do Pirulito. Depois mudou para a Praça da Faculdade. Foi assim que me aproximei da cultura popular”, recorda o radialista.

Para ele, a mudança para a Praça da Faculdade deu início a uma nova fase do Natal de Maceió. ”Lá o espaço era muito maior e podíamos colocar todos os folguedos natalinos: Pastoril, Guerreiro, Baianas, Chegança e até uma Nau Catarineta foi construída no local”.

Com o carnaval, seu primeiro contato foi com os Bois. “Eu moro na Jatiúca e aqui em frente ficava o Centro Social Urbano, hoje o CAPS II. Começamos lá. Abri o concurso e comecei a divulgar. Apareceram apenas cinco bois, mas hoje é uma das maiores atrações de Alagoas. Fiquei por mais de 20 anos à frente dos bois de Maceió”.

Depois, foi contratado como o locutor oficial das prévias carnavalescas de Maceió. “Durante muitos anos fui o locutor do Banho de Mar à Fantasia, período em que o destaque era o meu amigo Fusco, oficial aposentado da Aeronáutica. Todos os anos ele levava o primeiro lugar”.

Locutor de eventos

Carnaval de 1962. Luis de Barros e o controlista Petrúcio Duarte

Luiz de Barros participou ainda, como locutor, dos diversos shows que as lojas do comércio local promoviam para atrair clientes. “Fui contratado pelo Armazém Nova Aurora, Loja Paulista, Casas Costa Júnior. Havia ainda as sapatarias Santo Antônio, Torres e Chinelão”.

Sobre a chamada época de ouro do rádio alagoano, Luiz de Barros guarda boas recordações. “Dos locutores da minha época, lembro do Coronel Grozela, que fez a locução de muito shows nas ruas de Maceió; do Sandoval Caju, com o seu Palito de Fósforo; do Marreco, o Jorge Lamenha Lins; do Edécio Lopes; do Sabino Romariz e do Jesualdo Ribeiro”.

Foi assessor de comunicação do SESI, da CEAL, locutor oficial do governador Luiz Cavalcante e como tal fazia os sorteios do programa Bônus Industriais, BI, na Praça dos Martírios. Foi ainda, com Sabino Romariz, locutor dos bingos da FAPE, que arrecadava recursos para a construção do Estádio Rei Pelé, o Trapichão.

O último programa de rádio apresentado por Luiz de Barros foi o Sábado e Domingo Super Show, em 2005, coincidentemente na mesma emissora onde começou, a Difusora de Alagoas, e com o mesmo parceiro do início, Wilton Miranda.

Luis de Barros em cerimonial de evento da Polícia Militar de Alagoas

Como repórter autônomo, ainda realizou alguns trabalhos para a Rádio Jornal AM, como lembra Jalon Cabral: “Com o celular na mão, se transformou em repórter itinerante. De qualquer ponto do estado realizava reportagens e entrevistas colocando no ar, na Rádio quem ele quer”.

Hoje, aos 85 anos de idade e em tratamento de uma doença que lhe afetou parcialmente os movimentos, Luiz de Barros está afastado de todas as atividades ligadas à comunicação, mas diariamente lê todos os jornais e acompanha de perto a vida política do país.

Casado com Marily Wanderley de Barros, é pai da Martha, da Sandra e do Sérgio Luiz Wanderley de Barros. Luiz de Barros conta que conheceu Marily na Praça Rodolfo Lins, quando montou um serviço de som para o Natal. Ela é natural de Palmeira dos Índios e tinha vindo para a casa de uma tia em Maceió. Seu pai era o empresário João Araújo Wanderley, o João Galego, fabricante de cofres no agreste alagoano. Um destes cofres foi dado de presente a Getúlio Vargas e hoje está no Museu do Catete, no Rio de Janeiro.

Luiz de Barros já foi homenageado como cidadão honorário dos municípios do Pilar, Joaquim Gomes e Capela.

*Os dados apresentados foram colhidos em entrevista concedida em 20 de junho de 2017.

4 Comments on Luiz de Barros, pioneiro no rádio e na publicidade alagoana

  1. Rostan Silvestre // 21 de junho de 2017 em 16:39 //

    Um exemplo de vida a ser seguido. Considero-me um felizardo por ter Luiz de Barros como amigo. Aproveito o ato para parabenizar esse grande amigo pela beleza de vida do mesmo, ora merecidamente tornada pública.

  2. André José Soares Silva // 21 de junho de 2017 em 21:00 //

    Mais uma história formidável. Parabéns, Luiz de Barros é um dos mestres do rádio alagoano.

  3. João Evangelista Silva, especialista em Direito Processual. // 22 de junho de 2017 em 15:12 //

    Luiz de Barros, parte da história viva das Alagoas, pertinente ao folclore, rádio e publicidade!

  4. Ednaldo Costa // 2 de julho de 2017 em 14:20 //

    Um grande abraço ao amigo da família Costa, eu, o meu irmão Arnaldo Costa (in memoriam), Walter Costa (morando em Caruaru) tivemos o prazer de conviver e trabalhar com o Luiz de Barros, saudações!

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