Joaquim Leão: liderança maior dos pequenos comerciantes de Maceió

Orfanato São Domingos em 1920. Foi dirigido durante 22 anos por Joaquim Leão
Joaquim Leão foi prefeito de Maceió por 15 meses, entre 1952 e 1953

Joaquim Leão foi prefeito de Maceió por 15 meses, entre 1952 e 1953

Natural de União dos Palmares, onde nasceu no dia 28 de agosto de 1895 na Fazenda Riacho Seco, Joaquim de Barros Leão era um dos dezenove filhos de José de Barros Leão e de dona Rosa, semialfabetizados e fornecedores de cana para a Usina Serra Grande.

Iniciou os estudos na escola mais próxima, que ficava no povoado Caçamba, nos arredores de União dos Palmares. Como aos dez anos já estava trabalhando como balconista em uma loja de São José das Lage, interrompeu os estudos somente contando com o curso primário.

Quando saiu de São José da Lage, já maior de idade e casado com Georgina Neves, reuniu suas economias e com a ajuda do pai instalou no Mercado Público de Maceió uma pequena loja de tecidos.

Conseguiu prosperar e fundou a Casa Leão, especializada em ferragens e localizada na antiga Rua do Açougue, atual Avenida Moreira Lima. Com sua postura correta, não demorou a ser um dos mais influentes e conceituados comerciantes de Alagoas. A Casa Leão passou a ser uma das maiores do estado.

Joaquim Leão estava entre os deputados de 1935

Joaquim Leão estava entre os deputados de 1935

Passou a ser representante dos interesses do comércio alagoano, participando de congressos e eventos em outros estados. Quando fazia explanação sobre assuntos econômicos, revelava o conhecimento profundo que tinha do setor e aguçada inteligência, que lhe permitiu superar as limitações da sua formação escolar.

Sua projeção como comerciante e representante do setor levou Joaquim Leão a ser eleito deputado estadual em 1935 e constituinte de 1945. Seus mandatos em defesa dos comerciantes e dos mais humildes o colocou contra interesses dos governantes, tendo que enfrentar atitudes violentas dos adversários, principalmente quando denunciava o banditismo no Sertão.

Escapou de alguns tiroteios quando fazia comícios no interior do estado. Sua filha Anilda Leão testemunhou que um desses complôs foi armado por um tal tenente Gastão. No segundo mandato, teve sua casa apedrejada com paralelepípedos, que provocaram ferimentos em sua filha e sua esposa doente, agravando os seus problemas de saúde.

Administrador

Comerciantes Arthur Bulhões, Enéas Ponte e Joaquim Leão

Comerciantes Arthur Bulhões, Enéas Ponte e Joaquim Leão

Em fevereiro de 1952, nomeado pelo governador Arnon de Melo, assume a prefeitura da capital. Mesmo sendo um mandato de interinidade, Joaquim Leão realizou várias obras e conseguiu restaurar o crédito do poder executivo municipal, sem aumentar impostos ou taxas.

Conseguiu deixar dinheiro em caixa para o seu sucessor, coronel Lucena Maranhão, mas teve que adotar atitudes antipáticas. Demitiu quase a metade dos funcionários da prefeitura que estavam ociosos. A maioria deles composta por apadrinhados de políticos nomeados nos últimos dias do governo anterior.

Disputou com o coronel Lucena a primeira eleição constitucional para prefeito de Maceió. Perdeu por ter sido duramente atingido pelos adversários em virtudes das demissões de servidores.

Em 1962, em protesto pela elevação dos impostos e taxas promovida pelo governador Luiz Cavalcante, fechou a porta do seu estabelecimento por vinte e quatro horas. Como as arbitrariedades continuavam, resolveu fechar definitivamente a loja.

Segundo Anilda Leão, a decepção com a política e com os negócios o levou a ficar recluso no casarão da Av. Tomás Espíndola, onde, com tristeza, se dizia decepcionado com os que se diziam amigos e que o traíram.

Outras atividades

Homenageado pelo governador Afrânio Lages

Homenageado pelo governador Afrânio Lages

Logo após fechar a Casa Leão, dirigiu o Fomento Agrícola de Alagoas, órgão da Secretaria de Agricultura. Foi ainda, durante 22 anos, diretor do Orfanato São Domingos. Como presidente do Banco dos Retalhistas, conseguiu retirar a instituição de uma crise que ameaça fechá-lo.

Fundou e dirigiu a Sociedade dos Retalhistas. Durante sua gestão foi adquirido o palacete do Barão de Atalaia na Rua Dois de Dezembro, que hoje tem o seu nome. Foi ainda membro da Associação Comercial, da Previdência Alagoana, do Conselho Fiscal do Banco do Estado de Alagoas, do Rotary Club e de várias instituições beneficentes.

Faleceu no dia 30 de outubro de 1976, aos 81 anos. Após a sua morte, recebeu homenagens, tendo o seu nome aprovado para designar a antiga Praça São Vicente. No dia 14 de março de 1985, o governador Theobaldo Barbosa inaugurou o Conjunto Habitacional Joaquim Leão, no Vergel do Lago.

Fonte: Pesquisa de Anilda Leão para o fascículo nº 19, de 26 de abril de 1998, de Memórias Legislativas, publicado pela Assembleia Legislativa de Alagoas.

2 Comments on Joaquim Leão: liderança maior dos pequenos comerciantes de Maceió

  1. Gostei muito do documentário, não conhecia a história de Joaquim Leão. Muito interessante, ele era um sábio, nosso país carece de pessoas assim nos dias atuais.

  2. Pena que não existam mais políticos assim. Gostei de saber que o conjunto que eu moro leva o nome de uma pessoa, um político, decente.

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