História do Orfanato São Domingos

Orfanato São Domingos em 1922, antes de sua inauguração

Orfanato São Domingos teve como primeiro presidente o comerciante Domingos de Mello

O estabelecimento foi fundado a 3 de agosto de 1919 como uma sociedade filantrópica voltada ao acolhimento de menores carentes em regime de internato.

No início de setembro de 1919, os membros da sociedade se reuniram em sessão ordinária e aprovaram as atas das assembleias anteriores, a redação final dos estatutos e elegeram a primeira diretoria, que ficou assim composta: Domingos de Mello, presidente; Castro Azevedo, secretário; e João Lício Marques, tesoureiro. O Conselho Fiscal tinha como presidente o governador Fernandes Lima, Domingos Moeda era o secretário e como vogal o tenente Ramiro Freire.

Nesta sessão, Fernandes Lima ofereceu 10:000$000 para o início da formação do patrimônio do Orfanato São Domingos.

Em 28 de julho de 1921, o Jornal do Recife publicava reportagem sobre o Orfanato atribuindo a ideia de sua criação “aos incansáveis cavalheiros srs. Domingo Mello e João Lício Marques, do nosso alto comércio e ao venerando preceptor da mocidade, sr. Domingos Moeda”.

O anúncio da compra de um terreno no bairro de Mangabeiras para a construção do Orfanato ocorreu em janeiro de 1920. O imóvel custou 15 contos de réis. Em julho do mesmo ano o governo do Estado divulga que concedeu “auxílio monetário” à instituição.

Orfanato São Domingos em 1933

Em abril do mesmo ano foi lançada a pedra fundamental da construção do prédio. Na solenidade, falaram para o público o Secretário do Interior, Castro Azevedo, e o governador Fernandes Lima, que agradeceu a colaboração dos comerciantes Domingos Mello e João Lício de Almeida Marques.

No ano seguinte, em agosto, a construção do prédio do Orfanato já tinha utilizado 180 contos de réis, destes o governo tinha investido 100 contos de réis. Os jornais assim descreviam a sua localização: “O Orfanato está situado num dos pontos mais salubres da capital, sem pântanos nos arredores, fartamente arejado pela viração marinha descortinando uma das mais belas vistas ou panoramas e tendo pela frente, pelo fundo e pelos lados grande extensão de terrenos que são do patrimônio da instituição e que a sua diretoria destina a parques, pomar, cultura de legumes, cereais, para aprendizagem agrícola dos órfãos que forem asilados”.

O Jornal do Recife, de 28 de julho de 1921, ao descrever o edifício, então em construção, detalhou que a sua fachada media 40,60 metros e que a escadaria central tinha 45 degraus, “imitando o mármore”. No primeiro andar existiam dois vastos dormitórios cada um com 18 metros de comprimento e 10 de largura. A madeira utilizada na construção — acapu, cedro e amarelo — eram consideradas de primeira qualidade e vinham do Pará.

No início de setembro de 1923, dias antes da inauguração do prédio, nova assembleia foi realizada na residência do professor Domingos Moeda, ocorrendo prestação de contas e eleição da nova diretoria da instituição. Os diretores fundadores foram todos reconduzidos.

A construção do imóvel foi concluída no início de setembro de 1923 e a inauguração ocorreu no mês seguinte, no dia 12 de outubro. Quando concluída, a obra tinha consumido 305:073$203, destes 176:120$699 tiveram origem em recursos públicos do governo do Estado.

Em 1924, pouco tempo após a inauguração, o governo do Estado concedeu um auxílio de 4 contos de réis para que a instituição adquirisse um terreno contíguo para a instalação das oficinas.

Coronel Mário Lima quando presidente do Orfanato São Domingos

Ainda em 1925, o 3º oficial do Ministério da Justiça, Arthur Marques Lins de Albuquerque, esteve no Nordeste fiscalizando “os estabelecimentos subvencionados” pelo governo federal e, em Alagoas, fiscalizou o Orfanato São Domingos, na capital, e o Asilo de Órfãos de N. S. do Bom Conselho, em Alagoas (atual Marechal Deodoro). Encontrou “pequenos” problemas, que atribui às limitações “intelectuais” dos que organizavam os livros de contas.

Em 1926, o presidente Washington Luiz visitou Alagoas e conheceu várias instituições, entre elas o Orfanato São Domingos, que classificou como um dos melhores do Brasil. Era dirigido então pelo professor Perdigão Nogueira.

Quando foi realizada a assembleia geral da sociedade para tomada de contas em 2 de fevereiro de 1927, constatou-se que a instituição acumulava naquela data uma dívida de 13:017$000 e mantinha apenas 20 crianças desamparadas, “por motivos de ordem econômica”. Funcionava ainda um curso primário e outro secundário.

Em março de 1927, mais detalhes sobre a crise da instituição vieram a público, incluindo a informação que “dos alunos que foram desligados do educandário foram, por esforço da diretoria, colocados no comércio”.

Em 1933 o banqueiro Raul Brito e João Carneiro eram diretores do Orfanato.

A gráfica da instituição ganhou enorme reforço em janeiro de 1936, quando começou a funcionar uma máquina Intertype, responsável pela composição mecânica. Uma inovação para a época.

Encampado pelo Estado

Time do São Domingos em 1971

Em fevereiro de 1943, o interventor em Alagoas, Ismar de Góis Monteiro, baixou resolução encampando o Orfanato São Domingos e autorizando ao secretário do Interior, Ari Pitombo, a assinar o contrato de transferência do estabelecimento para a administração estadual.

Nesta gestão governamental foi construído, em 1944, o Pavilhão Constança de Góis Monteiro. Uma campanha popular arrecadou 70 mil cruzeiros para a construção deste anexo onde os menores passavam por uma triagem para serem aceitos ou não no Orfanato. Ficou conhecido como “A Casa do Maloqueiro”.

Em março de 1946, o interventor e professor Antônio Guedes de Miranda convidou a diretoria destituída em 1943 para retomar o controle do Orfanato. Em reunião ocorrida no Palácio dos Martírios, Joaquim Leão, um dos antigos diretores, aceitou o encargo e adiantou que iria cobrar a prestação de contas do diretor em exercício, José Romão de Castro. Segundo revelou Joaquim Leão, no Orfanato estava faltando tudo, nada sobrando do que tinha sido entregue ao governo, incluindo um caminhão utilizado para carregar mercadorias que tinha sumido.

Em agosto de 1959, o Ministério de Educação e Cultura assinou acordo especial com o Orfanato para incrementar e aperfeiçoar o ensino industrial na instituição alagoana.

Os números sobre os menores atendidos são raros, mas em 1972 o Orfanato recebia 180 crianças.

Futebol

Em 1964, Valdemar Santana, um militar reformado carioca, ex-jogador do Bangu e do Vasco da Gama, que veio a Alagoas para trabalhar na Marinha passou a colaborar com o Orfanato São Domingos e resolveu formar uma equipe de futebol com os jovens ali internos. Assim, no dia 1º de setembro de 1964, surgiu a União Portuária São Domingos.

A proposta era pôr em atividade os internos do Lar São Domingos, que tinha um campo de futebol com dimensões oficiais, mas logo os jovens jogadores foram se destacando nos campeonatos juvenis e a equipe começou a alçar voos maiores, até se profissionalizar.

Em 1967, o clube conquistou o campeonato estadual juvenil e em 1970 passou a ser a Associação Sportiva São Domingos, tendo como presidente do clube o empresário Miguel Spinelli.

Disputou seu primeiro campeonato Alagoano, em 1970. No ano seguinte, Miguel Spinelli, empresário diretor da Ultrafertil, decidiu investir e montar uma grande equipe e trouxe jogadores experientes como Zé Galego e Catatau, do CSA; Mário e Reinaldo, do interior paulista; Major, do Vasco da Gama; Babá e Isnar, do américa do Recife; Toninho e Zé Leite, do Náutico; Giraldo e China, do Palmeiras, além de Jonas, Gabriel, Canhoteiro, Pires e mais alguns.

Teve como técnico Érik Tenório, ex-jogador do CSA e estudante de Economia. Passaram ainda pelo comando técnico do time Hélio Miranda e Tôni Almeida. Esse time conseguiu chegar à fase final do Campeonato Alagoano de 1971.

Após a saída de Miguel Spinelli para ser diretor do CRB, o clube foi administrado por muitos anos pelo coronel Paulo Casado, tendo mudado sua sede para Viçosa por pouco tempo.

A partir de 1982 o advogado Cordeiro Lima assumiu a direção do São Domingos e o levou para ter sede em Murici, contando com a ajuda do Major Olavo Calheiros. Foi esse apoio que levou o time a ser o vice-campeão Alagoano de 1988.

Com a morte do Major Olavo Calheiros, o Domingão voltou a Maceió e, hoje, tem sede no Povoado de Massagueira, município de Marechal Deodoro, na grande Maceió.

Lar São Domingos

Considerada sem fins lucrativos o Orfanato são Domingos passou a ser reconhecido oficialmente como Entidade de Fins Filantrópicos desde 30 de abril de 1997. registrada no Conselho Nacional de Assistência Social (Cnas), sob o nº 5574/38.

Passou por um reordenamento institucional em 1995, com a implantação do Projeto Ninho de Pássaro, passando a se chamar Lar São Domingos e passando a funcionar com ações promocionais de apoio sociofamiliar, amparando crianças e adolescentes de diversas áreas de vulnerabilidade social de Maceió, tanto nos aspectos material, moral e social, como também espiritualmente.

A instituição atende atualmente cerca de 250 famílias e 500 jovens, com idade de 6 a 17 anos, que recebem reforço escolar – no contra turno da escola formal – e duas refeições básicas. Além disso, eles são estimulados diariamente com atividades culturais, artísticas e esportivas.

Oriundos dos bairros de Jacintinho e Cruz das Almas – mais especificamente das grotas do Cigano, do Rafael, do Arroz, Aldeia do Índio, Novo Horizonte e Morro do Ari, mais de mil pessoas são beneficiadas, direta e indiretamente, todos os meses pelo Lar São Domingos.

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