História do Colégio Guido de Fontgalland

Colégio Guido desfilando no Trapichão no dia 16 de setembro de 1974. Foto de Laércio Luiz. Acervo Colégio Guido
Padre Teófanes Augusto de Araújo Barros

Padre Teófanes Augusto de Araújo Barros

Materializando um projeto que teve início numa pequena sala de aulas instalada nos fundos da Igreja do Rosário, Monsenhor Luiz Barbosa e seu sobrinho, padre Teófanes Augusto de Araújo Barros, fundaram a Sociedade Colégio Guido de Fontgalland ocupando inicialmente uma modesta casa na Rua Boa Vista, 248, no Centro de Maceió.

O nome do educandário foi uma homenagem ao menino francês Guido de Fontgallant (Guy-Pierre-Manuel de Fontgalland, 1913-1925), a quem o Padre Teófanes tinha admiração e a ele se referia como “um anjo na terra”. Guido faleceu aos onze anos e seu nome discutido pela igreja na época como passível de beatificação. Seria tomado como modelo da infância e da adolescência.

Em entrevista para o jornal Última Palavra em fevereiro de 1989, o fundador do Colégio Guido lembrou que havia uma cobrança para que ele criasse uma unidade de ensino. A sua iniciativa com a Cruzada da Criança repercutiu positivamente.

Aceitou o desafio e tomou a primeira medida: foi a São José da Lage conversar com algumas freiras da escola da cidade. “Vamos comigo para Maceió fundar um colégio”, convidou. A proposta foi aceita imediatamente.

No dia 06 de fevereiro de 1939, primeiro dia de aulas, o ginásio entrou em funcionamento graças à ajuda do Colégio São José e da Igreja do Rosário, que cederam algumas cadeiras. As professoras eram as irmãs do padre Teófanes: Maria Teolinda de Barros, Maria Teônia de Barros, Maria Teonor de Barros, Maria Teonice de Barros e uma sobrinha, Maria das Dores. Todas ensinando no curso primário.

Casarão onde funcionou o Colégio Guido a partir de 1940

Casarão onde funcionou o Colégio Guido a partir de 1940

A boa receptividade do colégio atraiu muitas matrículas. No final do primeiro ano os mais de 100 alunos estavam representados no desfile do Cinquentenário da Proclamação da República. “A nossa estrutura era tão modesta que a nossa participação no desfile praticamente ficou restrita ao tambor, o surdo e um punhado de alunos”, recordou Padre Teófanes.

Percebendo o potencial para crescimento da instituição, Padre Teófanes decidiu que o ensino deveria ser ampliado para o curso ginasial e que a casa da Rua Boa Vista era muito pequena para receber novas turmas. Foi o sacristão da Catedral de Maceió, Teodomiro Deodato quem ao informou que um casarão situado no Alto do Jacutinga, bem próximo ao Farol, estava para ser desocupado.

O prédio foi alugado e ainda em dezembro de 1939, é enviado um requerimento ao Ministério da Educação solicitando a inspeção preliminar, condição para o funcionamento do curso ginasial do Guido de Fontgalland.

Antes de conseguir a autorização, teve ainda que levantar 1 contos e 500 réis para cumprir as exigências do Ministério de Educação e apressar a saída do inquilino anterior, para quem se teve que alugar temporariamente uma casa.

Estava em Pão de Açúcar quando soube que um amigo em Palmeira dos Índios estava disposto a lhe emprestar o dinheiro. “Fiz o percurso na garupa de uma lambreta e ainda levei uma tremenda queda no meio do caminho”, recorda ao avaliar que valeu a pena. Em Maceió, na época, só existia o curso ginasial nos colégios de São José, Diocesano, Sacramento e Estadual.

Em fevereiro de 1940, 40 candidatos prestaram exame de admissão para o Ginásio Guido de Fontgalland, já na Rua Ângelo Neto, nº 56. Também foram abertas as matrículas para o então curso secundário. As aulas tiveram início no dia 15 de março, mas a autorização para o funcionamento só foi emitida em 10 de abril de 1940. Passou a funcionar no sistema de internato e semi-internato para rapazes. A primeira turma do ginasial se formou no dia 18 de dezembro de 1943

Colégio Guido desfilando no Trapichão no dia 16 de setembro de 1974. Foto de Laércio Luiz. Acervo Colégio Guido

Colégio Guido desfilando no Trapichão no dia 16 de setembro de 1974. Foto de Laércio Luiz. Acervo Colégio Guido

Em 4 de abril de 1944, é autorizado o funcionamento do Curso de Colégio pelo Decreto nº 15.276. Neste mesmo ano tem Início o curso noturno masculino, uma iniciativa pioneira, da mesma forma que em 1947, quando a turma noturna feminina também começa a funcionar. As turmas mistas vieram alguns anos depois.

As caravanas culturais, com excursões pelo interior do estado, também foram iniciativas pioneiras do Colégio Guido. A Banda Marcial da instituição era uma tração nestas excursões, gerando pedidos dos prefeitos do interior.

Outra iniciativa que marcou época no Colégio Guido foi a criação da Revista Mocidade, redigida e publicada pelos próprios alunos. A ideia partiu de três estudantes. José de Souza Alencar — que ficou mais conhecido como Alex, jornalista do Jornal do Commercio em Recife, faleceu em janeiro de 2015 —, Heitor Palmeira Florêncio e João Palmeira Florêncio, que apresentaram o projeto ao Padre Teófanes. A revista foi lançada em ato realizado no auditório do Instituto de Educação no dia 30 de maio de 1946.

O Colégio Guido de Fontgalland chegou a ter dois mil alunos matriculados nos cursos primário, ginasial e científico, e mais de 130 professores. No final dos anos 90, quando o seu principal dirigente já não conseguiu mais acompanhar de perto o funcionamento da instituição que criou, a instituição entrou em declínio.

Após dedicar toda a sua vida ao ideal de “educar para elevar”, padre Teófanes Augusto de Araújo Barros faleceu no dia 21 junho de 2001. As aulas no Colégio Guido de Fontgalland aconteceram até dezembro de 2003. No dia 2 de fevereiro de 2004, a instituição foi oficialmente extinta.

Desfile em homenagem a Deodoro na Praça Deodoro

Desfile em homenagem a Deodoro na Praça Deodoro

Hino oficial do Colégio

Letra: Pe. Teófanes de Barros
Música: Teófilo de Barros Filho

Quando as cores purpúreas da aurora
Ruborejam em nosso viver
Nossas almas vibrantes de moços
Sedentas de luz, só almejam vencer.

Mocidade, futuro de glória
Aprendei a lutar pelo Bem.
Sede heróis, tende fé, a vitória
Vos sorri brilhante além.
Para frente marchai com valor,
Vossa fé, vosso Deus e o Brasil
Defendei com grande ardor
Com denodo varonil.

Desfile na Av. da Paz nos anos 80

Desfile pelas ruas do Farol nos anos 80

Nossa fé, como astro brilhante,
Nos ensina a viver nossa vida:
De virtudes constela noss’alma
Engastada no azul, nossa meta querida.

Hino oficial do Colégio com modificações adotadas pelo Pe. Teófanes de Barros

Quando as cores purpúreas da aurora
Ruborejam em nosso viver
Nossas almas vibrantes de moços
Sedentas de luz, só almejam vencer.

O ideal é qual astro brilhante
Que nos guia ao sabor da vitória
De virtudes constela noss’alma
E nos faz conquistar um futuro de glória.

Mocidade, sonhar de venturas:
Como é belo viver do ideal
Nossa fé, que nos leva às alturas
Nos conduz como um fanal
Um futuro de luz construamos
Abrasados de ardor juvenil.

Desfile de ex alunos do Colégio Guido

Desfile de ex alunos do Colégio Guido

Alunos fundadores do Colégio Guido

Agostinho Pedro da Silva
Aldo Sarmento Barroca
Almir Pinheiro
Antônio Barros de Paula
Antônio Duarte Porciúncula
Antônio Pinto do Nascimento
Arnaldo Carneiro Lins
Artur Calheiros
Augusto Hermann Pontual
Augusto Lisboa
Auriberto Ferreira Neves
Austragésilo Alves dos Santos
Ayrton Pinheiro
Célio Pinto do Nascimento

Colégio Guido nos anos 90

Colégio Guido nos anos 80

Claudinor Cavalcante de Oliveira
Cláudio Roberto Carvalho
Dante Silveira Jatobá
Reinado Galvão Lima
Dilson Medeiros
Elimar Marinho de Azevedo
Enid de Almeida Carvalho
Eraldo Ataide de Almeida Lopes
Erivaldo da Mota Taveirós
Ferdinando Porto Alcoverde
Fernando Mário Marroquim
Fernando Porto da Silva Dores
Flávio Bittencourt Flávio Fernando Carvalho
George Correia Barros
Geraldo Brandão Coelho da Paz
Geraldo Lima
Geraldo Santa Rita Ferreira
Geraldo Valente Vilas Boas
Geraldo Xavier Barros

Pátio do Colégio Guido em maio de 1983

Pátio do Colégio Guido em maio de 1983

Gesner d’Artagnan Pereira Reis
Gilvan Calheiros Novais
Heitor Pinto do Nascimento
Hélio Brasa de Lima Brasa
Humberto Porto da Silva Dores
Ivan Cavalcante Timóteo
João Nogueira
Jorge Carlos Jambeiro de Melo
José Antônio da Silva
José Arnaldo Farias Ferreira
José Augusto de Araújo Barros
José de Almeida
José de Oliveira Pena
José Humberto Farias
José Júlio Brasil
José Mariano Alves
Lauro Guedes de Nogueira
Luciano Bonaparte Pontual

Colégio Guido anos 60

Colégio Guido anos 60

Luiz de Gonzaga Araújo Leão
Manoel Lauro Santos
Manoel Roque Brasil
Marcelo Magalhães da Silveira
Marcelo Medeiros
Márcio Humberto Neto de Gouveia
Mário Hélio Neto de Gouveia
Márius Jorge Camelo
Mauri Pinto Meuse Pinto
Miguel Arcanjo da Silva
Murilo Gameleira Vaz
Newton Xavier Fontino
Osvaldo Semeão Lins
Paulo Bastos
Paulo Calheiros Gomes de Barros
Paulo Lopes Galindo
Paulo Pacheco Pedro
Paulo Alconforado Oliveira

O menino francês Guido de Fontgalland

O menino francês Guido de Fontgalland

Pedro Quintela
Plínio César
Raimundo Barreto Barbosa
Renato Braga de Minguez Garrido
Robson Porto da Silva Dores
Rubens Fernando Sarmento
Rubens Gameleira Vaz
Sebastião Valente Vilas Boas
Silvio Márcio Conde de Paiva
Valdeci Ferreira Neves
Waldomiro Almeida Lima
Willy Simões Braga
Wilson Correia Barros

Fonte: Padre Teófanes, caminho de uma vida, de Teomirtes de Barros Malta. Editora Catavento, Fejal, Maceió, 2004.

10 Comments on História do Colégio Guido de Fontgalland

  1. CARLOS GAMA // 4 de dezembro de 2015 em 06:33 //

    Prezados Senhores,

    Como Pai fico orgulhoso de ver foto destacada de minha filha que estudou neste colégio “Monica Barbosa Gama” que encontra-se na frente do padre Teofánes, hoje formada em Ciências Sociais exercendo com muito zelo sua profissão que conseguiu herdar do ensino que recebeu neste colégio

  2. Altair marques da Silva // 13 de Abril de 2016 em 10:31 //

    Com muito orgulho e saudosismo recordo-me do velho casarão onde juntamente com meus irmão Aldarci, Merelane, Alvenan e Mere Sandra passamos parde da nossa adolescencia.Interessante seria se as placas dos formandos estivessem preservadas para visitação, O Velho Casarão de Tantos tem sido outro Lar! Nosso Lema ” Educar para Elevar”!

  3. Silvaneide Ferreira dos santos // 1 de Maio de 2016 em 00:21 //

    Estudei neste colégio, pra mim foi um privilégio estudar em uma escola dessa categoria, foi uma pena ele falir, terminei a 8ª série em 2004, deixou saudades tempo que não volta mais.

  4. Silvan santos costa // 21 de julho de 2016 em 11:39 //

    Meu pai também estudou neste colégio foi professor de português e depois dedicou-se a correção de textos na ufrn.

  5. Jammesson Guimarães // 11 de Janeiro de 2017 em 21:11 //

    Estudei no Colégio Guido de 1979 a 1981, onde conclui o segundo grau. Ainda era um tempo de excelente ensino. Na época, não me dava conta da saudade que iria sentir do Colégio. Hoje, me vem as lembranças. Pena que não consigo encontrar ninguém com quem tenha terminado o científico no Guido. Triste por não mais existir o glorioso Guido de Fontgalland, que não me sai da memória e do coração.

  6. Para mim foi o melhor Colégio do mundo, meu saudoso velho casarão, quantos amigos fiz ali, quantas coisas boas e produtivas aprendi, saudades de 1989 e 1990, tempos gloriosos que infelizmente jamais voltarão! 😢

  7. Meu saudoso e amado ” Guido” estudei lá iniciando em 1983 …. E terminei o científico em 1990 no ensino noturno …. Saudades eternas de tudo e de todos… Feiras de ciências, JEAL, desfiles cívicos….. Feliz de quem viveu a juventude nessa época.

  8. Ivonete Ernesto // 16 de setembro de 2017 em 11:11 //

    Fui professora do fundamental (1984 a 1991): Primeiro espaço de minha experiência docente na coordenação de dona Theonor e dona Theônia (irmãs de Pe. Teófanes). Nesse mesmo espaço casei-me na capela do Casarão (1987) e onde meu filho foi batizado pelo sacerdote dessa casa. Lugar de luz! Valores tão nítidos em minha vida! Lugar onde fiz amigos que são muito próximos nos dias atuais. Alunos formados que me têm um apreço incomparável! Saudades boas. Lembranças felizes. Memórias lindas.

  9. Fellipe Ernesto // 16 de setembro de 2017 em 17:36 //

    Minhas saudades iniciais me chegam através das fotos guardadas por minha mãe com tanto carinho. O Casarão foi minha primeira escola: Aos 18 meses de vida, iniciei no maternalzinho com tia Neide e tia Bete (minha mãe teve o cuidado de fazer esse registro num diário que ela escrevia para mim). Foram apenas quatro anos nesse espaço, mas o suficiente para agradecer a todo o corpo docente e administrativo. Fui batizado pelo Pe. Teófanes na capela do Colégio Guido. Brancildes, meu padrinho. As primeiras noções escolares obtive num espaço recheado de carinho e brinquedos para uma galerinha muito querida por todos. Guardo as fotografias desse tempo como guardo meus documentos, minha história. Bom saber que fui membro de uma história bonita e que ainda mantenho contato com minha primeira mestra. Gratidão a tudo e a todos!

  10. EDNARDO QUINTILIANO CABRAL // 2 de dezembro de 2017 em 09:13 //

    Fui aluno desse magnifico colégio nos anos de 1957 à 1963. Fiz o Exame de admissão e cursei todo o ginasial e depois o cientifico. Onde fiz muitas amizades com os colegas e os professores. Muitos ainda estão nesse convívio até hoje, outros infelizmente não sei por onde andam. Como gostaria de novos contatos com eles. Há uns cinco anos atrás retornei ao que restou com as memórias desse Colégio numa grande sala sendo zelada pelo Paulo e faltando muitos dados da nossa vida Escolar. Recuperei e escaneei diversos documentos.

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