História da Praça D. Pedro II

Praça D. Pedro II em 1950
Pintura que retrata a Capela de São Gonçalo e o primeiro núcleo urbano de Maceió

Pintura que retrata a Capela de São Gonçalo e o primeiro núcleo urbano de Maceió

Considerado o núcleo urbano inicial da cidade de Maceió, a Praça D. Pedro II abriga edificações importantes, além de ter sido foi palco de acontecimentos relevantes na história de Alagoas. O palacete da Assembleia Legislativa, sobrado do Barão de Jaraguá, Delegacia do Ministério da Fazenda e Catedral Metropolitana são construções que testemunharam parte importante da nossa história. Mais recentemente, o Parque Hotel também se inseriu neste grupo.

Segundo alguns historiadores, Maceió surge de um aglomerado urbano no entorno de um engenho de Açúcar e da Capela de São Gonçalo que ficavam nesta área hoje dominada pela Praça D. Pedro II. A Capela foi demolida e um pouco mais a frente dela foi erguida a Catedral. Sobre o engenho não se tem maiores informações, mas há indícios de que ele ficava onde hoje está a Assembleia Legislativa.

Sobrado de José Pereira onde funcionou primeira Câmara Municipal de Maceió em 1816

Sobrado de José Pereira onde funcionou primeira Câmara Municipal de Maceió em 1816

Nos fins do século XVIII, havia a exigência para que um povoado fosse elevado à categoria de vila de ter Pelourinho, Cadeia e Casa de Câmara. Senhores de engenhos e agricultores ricos tomaram a iniciativa para a construção do Pelourinho e da Cadeia. Para funcionar a Câmara, o agricultor da nobreza alagoana, José Elias Pereira, colocou seu sobrado à disposição.

O Pelourinho, a Cadeia e o sobrado da Câmara ficavam no Pátio da Capela de São Gonçalo, que passou a ser conhecida como Largo do Pelourinho, depois Praça da Catedral e hoje Praça D. Pedro II. O Pelourinho, de alvenaria de tijolo, foi erguido com recursos de Antônio Firmiano de Macedo Braga.

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

O Largo do Pelourinho abrigava ainda o Armazém do Almoxarifado, Casa da Junta, Hospital e o Calabouço. Os dois primeiros ficavam onde hoje se situa a Delegacia do Ministério da Fazenda. A Câmara ficava um pouco mais para trás, em direção à atual Rua do Comércio. Do outro lado do Largo do Pelourinho, ficavam o Calabouço, a Cadeia e o Hospital, que na década de 1840 não mais existiam. Os casebres que ocupara o lugar foram demolidos para a construção do palacete da Assembleia.

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Maceió se desliga da Vila de Alagoas (Marechal Deodoro) em 5 de dezembro de 1815, já com seu núcleo urbano principal contando com os equipamentos de poder necessários para, em 1917, iniciar o processo político que a levaria a sediar o governo estadual, fato que só veio a ocorrer em 16 de dezembro de 1839, depois de muita disputa com a Vila de Santa Maria Madalena, atual Marechal Deodoro.

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

A primeira grande alteração instalada no entorno no Largo do Pelourinho foi a construção do sobrado de José Antônio Mendonça, o Barão de Jaraguá, que aconteceu em 1849. A obra teve início em 1844, quando a Catedral já estava em construção. Inicialmente o sobrado era divido em duas residências, mas com comunicação interna. Uma para o Barão e sua esposa e a outra para os demais familiares.

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Praça D. Pedro II no final da primeira década do século XX

Com a derrubada da Capela de São Gonçalo para a construção da Catedral, que teve a pedra inicial lançada em 1840 e sua inauguração em 31 de dezembro de 1859, com a presença do imperador D. Pedro II e sua esposa, o Largo do Pelourinho ganhou a segunda e a mais importante obra.

Há indícios, segundo Félix de Lima Júnior em Igrejas e Capelas de Maceió, que a planta da nova igreja tenha sido elaborada em 1838 pelo arquiteto Grandjean de Montigny, um professor da Academia Brasileira de Belas Artes que fazia parte da Missão Francesa no Brasil. A Missão Debret foi trazida ao Brasil por D. João VI para a construção da Academia Real de Belas Artes e de outros projetos.

Administração dos Correios em 1907. Hoje Delegacia do Ministério da Fazenda

Administração dos Correios em 1907. Hoje Delegacia do Ministério da Fazenda

Pelo fato de hospedar o imperador, o sobrado do Barão de Jaraguá passou ser chamado de Paço Imperial e o Largo do Pelourinho de Praça da Matriz ou da Catedral.

Outra obra do mesmo período, e que se incluía no esforço para mudar a paisagem da agora capital do estado, foi a construção do palacete da Assembleia Provincial e Tesouraria Provincial. O prédio teve sua pedra fundamental lançada em 14 de março de 1850 pelo então presidente de Alagoas, José Bento da Cunha Figueiredo. A data comemorava o aniversário da imperatriz Theresa Maria Chistina. A partir de 1853, mesmo com a obra inconclusa, os deputados provinciais passaram a usar o palacete, que foi projetado pelo engenheiro civil Pedro José de Azevedo Schamback.

Assembleia Legislativa em 1906

Assembleia Legislativa em 1906

A Praça da Catedral também recebeu projeto paisagístico do mesmo engenheiro, que, para protegê-la da entrada de animais, recomendou que o a área fosse cercada por gradil de ferro. Esse primeiro jardim público de Maceió tinha horário de visitação: das 15h até às 18h. No domingo, dia de missa, o horário era das 6h às 18h. Resultado dessa preocupação com a boa imagem da cidade, a Lei de 31 de março de 1857 autorizava as Câmaras a plantarem árvores frondosas nas praças e estradas.

Os dois quiosques sextavados construídos na Praça D. Pedro II para receberem a 1ª Feira de Alagoas, no final da década de 1910.

Os dois quiosques sextavados construídos na Praça D. Pedro II para receberem a 1ª Feira de Alagoas, no final da década de 1910.

Anunciado ainda no governo de José Bento da Cunha, em 1850, o monumento em homenagem a D. Pedro II foi inaugurado no dia 31 de dezembro de 1861, mas sem a estrutura em mármore branco fabricado em Lisboa e encomendada pelo Barão de Jaraguá, que somente foi instalada 11 anos depois.

Os recursos para o monumento foram doados por Manoel Pinto de Souza Dantas e a pedra fundamental foi colocada no dia 2 de dezembro de 1861.

Esse monumento em homenagem a D. Pedro II foi a obra que definiu o nome atual da Praça. Possivelmente este foi o primeiro monumento no Brasil a ser erigido para homenagear pessoas ilustres. Considerado por alguns historiadores como o monumento mais antigo do país, a estátua equestre de D. Pedro I, na Praça Tiradentes no Rio de Janeiro, só foi inaugurada em 1862.

No final da década de 1910, o declive da ladeira em frente à Catedral começava mais adiante e as escadarias ficavam projetadas sobre a rua.

No final da década de 1910, o declive da ladeira em frente à Catedral começava mais adiante e as escadarias da igreja  ficavam projetadas sobre a rua.

Em 1870, novamente José Bento da Cunha Figueiredo Júnior estava de volta para fazer o último governo, e é quem constrói mais um equipamento na Praça D. Pedro II. Para melhorar a distribuição de água na cidade são inseridos dois chafarizes, um na Praça Nossa Senhora da Mãe do Povo, em Jaraguá, e outro na Praça D. Pedro II. Eram de ferro e tinham o desenho de uma silhueta feminina. Um detalhe: a água era cobrada a 10 réis o balde.

Outra construção importante na Praça D. Pedro II tem início em 2 de dezembro de 1872, quando o Prédio Nacional, que abrigava o Liceu de Maceió desde 1849, foi derrubado para a construção da sede do Tesouro Nacional. Era o mesmo espaço que tinham sido ocupado anteriormente pelas casas do Armazém do Almoxarifado e a Casa da Junta. Este prédio ainda recebeu a Administração dos Correios e a Caixa Econômica. Foi inaugurado em 1878.

Assembléia Legislativa na década de 1940

Assembléia Legislativa na década de 1940

Atualmente, neste prédio, funciona a Delegacia do Ministério da Fazenda, na esquina da Rua do Sol. Sua construção ficou ao encargo do engenheiro Carlos de Mornay e tinha originalmente um pavimento. Somente em meados do século XX é que o prédio sofreu reforma e ganhou o pavimento superior.

No início do século XX, o sobrado dos herdeiros do Barão de Jaraguá, foi ocupado pela Perseverança e Auxílio dos Empregados no Comércio, órgão que promovia atividades educativas e culturais. Durante muito tempo, as conferências da Perseverança eram uma das poucas atividades culturais da cidade. A parte dos fundos deste sobrado, com acesso pela Praça dos Palmares, era conhecido como Palácio Velho e foi demolido em 1940.

Praça D. Pedro II nos anos 50.

Praça D. Pedro II nos anos 50.

Nesse período, os trabalhadores do entorno da Praça D. Pedro II se alimentavam com café com bolo, grudes, beijus, tapiocas e pães torrados na casa da preta Margarida, na Ladeira da Catedral, ou ainda na Rua do Comércio, no caldo de cana de Francisco Assunção, a 100 réis o copo, como lembra Felix Lima Júnior em Maceió de Outrora.

Praça D. Pedro II anos 60.Foto de Waldemar Neto

Praça D. Pedro II anos 60.Foto de Waldemar Neto

Em 1906, quando se instalou a primeira linha de bonde, de tração animal, o seu itinerário atendia a Praça D. Pedro II, além das praças Sinimbu e dos Martírios. Os bondes elétricos e 1914 mantiveram este itinerário e servindo também à Rua do Comércio.

Nas duas primeiras décadas do século XX, foram construídos dois quiosques sextavados na Praça D. Pedro II para receberem a 1ª Feira de Alagoas. Em 1923, com a política de alinhamentos de ruas e praças adotada pelo prefeito Ernani Teixeira Bastos, a ladeira em frente à Catedral foi rebaixada, modificando a escadaria da Catedral, afastando-a mais um pouco da Praça

Praça D. Pedro II nos anos 60, com o Parque Hotel.Foto de Waldemar Neto

Praça D. Pedro II nos anos 60, com o Parque Hotel.Foto de Waldemar Neto

Outra intervenção importante em meados do século XX foi o surgimento de ruas entrecortando a Praça D. Pedro II e separando-a do palacete da Assembleia. Até uma bomba de gasolina foi colocada na calçada para servir aos veículos da Assembleia.

Em 1957 é construída a última grande obra arquitetônica na Praça D. Pedro II, o Parque Hotel, um projeto da arquiteta Zélia Maia Nobre. É um marco na cidade e a única edificação notável com arquitetura moderna na Praça.

Hoje, a Praça foi reduzida e separada do Palacete da Assembleia por grades. A sua área próxima à Catedral foi transformada em estacionamento do poder legislativo. Quase sempre sujo e maltratado, o velho Largo do Pelourinho parece não ter o valor histórico que tem, mesmo recebendo o olhar centenário e imponente do velho imperador.

Fontes:
– A história da paisagem da Praça D. Pedro II em Maceió-AL, dissertação de mestrado de Tharcila Maria Soares Leão, 2010. Disponível em http://repositorio.ufpe.br:8080/xmlui/handle/123456789/2905.
– A história do meu bairro, fascículo História do Centro de Maceió, do CEFET Maceió em 2002.
– Fallas, Relatórios Provinciaes e Mensagens Governamentais de Alagoas, Volume I. Pesquisa de Luiz Nogueira de Barros
– Fotos do Arquivo do MISA.

Assembleia Legislativa de Alagoas reunida em 1916

Assembleia Legislativa de Alagoas reunida em 1916

 

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*