História da estatística em Alagoas

Prédio onde funcionou o IBGE a partir de 1956

1360Estudos localizam indícios de trabalhos estatísticos já em 3.000 anos antes de Cristo, quando foram realizados censos na Babilônia, China e Egito. O Velho Testamento, no seu 4º livro, faz referência a uma instrução dada a Moisés, para que fizesse um levantamento dos homens de Israel que estivessem aptos para guerrear. Nessa época, os censos eram feitos para colher informações que seriam utilizadas na cobrança dos impostos ou para fins de formação dos exércitos.

A palavra “Estatística” vem do alemão “Statistik”, criada pelo cientista Schmeitzel, a partir do latim statisticum, que significa analisar, verificar.

Mesmo com origem tão remota, a estatística só adquire maturidade no século XIX, com a realização do 1º Congresso de Estatística, tendo início o período chamado de “Aperfeiçoamento Técnico Científico”.

No Brasil, em 1797, o vice-rei e os governadores gerais tinham que enviar a Portugal relatórios com os levantamentos demográficos do Brasil. Em 1829, é criada a Comissão de Estatística Geográfica, Natural, Política e Civil por iniciativa do governo imperial. A Sociedade Estatística do Brasil foi criada em 1843 no Rio de Janeiro.

Com a crescente importância da estatística, em 1870, o Visconde do Uruguai organiza o projeto que se transformou na Lei nº 1.829, definindo o recenseamento da população de 10 em 10 anos. O primeiro recenseamento foi realizado em 1872.

Mário Augusto Teixeira de Freitas

Mário Augusto Teixeira de Freitas

Coube a Getúlio Vargas, em 1934, a iniciativa de criar o Instituto Nacional de Estatística, que só foi instalado em 29 de maio de 1936. Seu fundador e grande incentivador foi o estatístico Mário Augusto Teixeira de Freitas. Com a criação do Conselho Brasileiro de Geografia em 1938, houve uma fusão e nasceu o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

A importância do IBGE para estatística nacional é tão importante que o Dia do Estatístico é comemorado no 29 de maio, quando também é lembrada a criação do Instituto.

O IBGE é hoje uma entidade da administração pública federal, constituído na forma de fundação pública pelo Decreto-lei nº 161, de 13 de fevereiro de 1967, vinculado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Possui a presidência, quatro diretorias e dois outros órgãos centrais.

Equipe do recenseamento de 1940 em Alagoas. Foto acervo do DIP, cedidada por Auriberto Ticianeli.

Equipe do recenseamento de 1940 em Alagoas. Foto acervo do DIP, cedida por Auriberto Ticianeli

O IBGE possui uma rede nacional de pesquisa e disseminação, composta por:

– Vinte e sete (27) unidades estaduais (26 nas capitais dos estados e 1 no Distrito Federal);
– Vinte e sete supervisões de documentação e disseminação de informações (26 nas capitais e 1 no Distrito Federal);
– Vinte e sete supervisões de base territorial (26 nas capitais e 1 no Distrito Federal);
– Seis gerências de Geodésia e Cartografia (Bahia, Distrito Federal, Ceará, Goiânia, Pará e Santa Catarina);
– Cinco gerências de Recursos Naturais (Bahia, Distrito Federal, Goiânia, Pará e Santa Catarina); e
– Quinhentas e oitenta e uma (581) agências de pesquisa e disseminação nos principais municípios.

Alagoas

Equipe do recenseamento de 1940 em Alagoas. Foto acervo do DIP, cedida por Auriberto Ticianeli

Equipe do recenseamento de 1940 em Alagoas. Foto acervo do DIP, cedida por Auriberto Ticianeli

O nosso primeiro levantamento populacional foi realizado em 1816 e aconteceu sob a direção do ouvidor Antônio José Ferreira Batalha. Um pouco antes da nossa emancipação política somávamos 89.589 pessoas.

Três anos depois, uma nova contagem foi feita por Veloso de Oliveira e já éramos 111.973, um número que foi questionado e que resultou em inquérito para corrigir possíveis falhas. Essa contagem tinha como objetivo fornecer dados para a divisão dos bispados do Brasil.

Para levantar o Mapa Estatístico e Topográfico de Província, foi aprovada a Lei nº 20, de 11 de março de 1836, que autorizava o presidente da província a requisitar um ou dois engenheiros.

No período inicial da República, a estatística em Alagoas regride e passa por longo processo de esquecimento, somente interrompido em 1895 pelo decreto que autorizou a organização da estatística e do cadastro de terras do Estado, e, em 1921, por outro decreto que criou o Gabinete de Identificação e Estatística Criminal. Esse decreto somente foi regulamentado em 1925.

Cartaz da arquidiocese de Maceió sobre o censo de 1940

Cartaz da arquidiocese de Maceió sobre o censo de 1940

Nos últimos dias da 1ª República, em 1930, o governador Álvaro Paes sancionou a Lei nº 1.194, de 20 de junho, autorizando novamente a reorganização dos serviços de estatística do Estado. O último governador do primeiro período na nossa República é considerado um dos que mais se preocupou com a estatística.

Após a Revolução liderada por Getúlio Vargas, é criada em Alagoas a Diretoria Geral de Estatística – DGE. Isso acontece em setembro de 1931 e o novo órgão público passa a ser dirigido por Craveiro Costa. O papel desempenhado por aquele que viria ser conhecido como um dos principais historiadores do nosso Estado foi reconhecido por seus contemporâneos.

Nesse período, não só as instituições oficiais, ligadas aos governos federais, estaduais e municipais cuidavam da estatística. Haviam ainda as autarquias e entidades particulares. Era o tempo das reformas constantes na busca de resolver as deficiências apresentadas.

Recenseadores do censo de 1960 em Maceió

Recenseadores do censo de 1960 em Maceió

A primeira reforma, de setembro de 1931, criou a Diretoria Geral de Estatística. Em agosto de 1933, essa Diretoria e substituída pela de Produção e Trabalho, e a Estatística é rebaixada a uma simples secção do novo órgão. Com a morte de Craveiro Costa, nova mudança ocorre em setembro de 1934, levando a Estatística a ser secção da Diretoria da Fazenda.

Em 1935, uma nova reforma, definida pelo decreto nº 2.127, de 10 de setembro, restabelece a Diretoria de Estatística, agora subordinada à Secretaria da Fazenda e da Produção. Essa série de reformas trouxe prejuízos no desempenho dessa repartição. Sem autonomia administrativa, ficava sem verbas para pessoal e material. Essa autonomia foi recuperada em 1935.

Nesse período, com a criação do IBGE, teve início um novo surto de progresso do setor. O recém-criado órgão tinha a incumbência de “promover e fazer executar, ou orientar tecnicamente, em regime racionalizado, o sistemático de todas as estatísticas nacionais”.

Em 11 de agosto de 1936, acontece no Rio de Janeiro a Convenção Nacional de Estatística, considerada um marco na uniformização das normas para os órgãos regionais. Alagoas esteve presente com o secretário da Fazenda e da Produção, José de Castro Azevedo.

Sede do IBGE em 1976

Sede do IBGE em 1976

A Diretoria Geral de Estatística de Alagoas foi reorganizada em 16 de junho de 1937, pela Lei nº 1.307, com a regulamentação definida em setembro pelo Decreto nº 2.276. Para organizar o setor, o governador Osman Loureiro solicita ao IBGE a cessão do técnico Ruben Gueiros, que tinha realizado trabalho semelhante em Pernambuco.

Ruben Gueiros foi o responsável pela integração dos serviços estatísticos de Alagoas ao sistema nacional acordado na Convenção Nacional. Seu trabalho se estendeu à antiga Diretoria de Estatística da Prefeitura de Maceió e a implantação da Inspetoria Regional de Estatística Municipal, que criou agências em todos os municípios de Alagoas.

Por recomendação do Conselho Nacional de Estatística, no dia 2 de outubro de 1939 é editado o decreto nº 2.543 que mudou o nome da Diretoria Geral de Estatística para Departamento Estadual de Estatística – DEE. A Diretoria Geral tinha sido criada, também por decreto, em 2 de dezembro de 1938.

Na Prefeitura de Maceió, em 1937, quando o prefeito era o engenheiro agrônomo Eustáquio Gomes de Melo, foi criado o Departamento de Estatística e Publicidade, que depois foi denominado Departamento Municipal de Estatística, embrião da Inspetoria Regional de Estatística Municipal, filiada ao IBGE e instalada em 1944. Seu primeiro diretor foi Rui Palmeira, que depois se elegeu senador. No seu lugar assumiu Aurélio Buarque de Holanda.

Em 1940, no dia 1º de setembro, acontece o primeiro recenseamento nacional. Um marco na estatística do país e responsável por ajudar a estruturar nacionalmente uma rede de agentes de onde, nos anos seguintes, seriam selecionados muitos dos servidores do IBGE. Houve uma mobilização nacional para convencer a população a responder aos recenseadores. Em Alagoas, o arcebispo de Maceió, D. Ranulpho, fez publicar um cartaz em solicita aos alagoanos apoio aos entrevistadores.

Após a reorganização do Departamento Estadual de Estatística em 16 de outubro de 1942, o próximo grande passo para estatística em Alagoas foi a criação pelo IBGE das Inspetorias Regionais de Estatística nos vários estados. Em Alagoas foi instalada em janeiro de 1945 e seu primeiro titular foi José Calmon Reis.

Em 1951, durante o governo de Arnon de Mello, o Departamento Estadual de Estatística, dirigido por Marcelo Aroucha, sofre nova reorganização, com a criação de várias secções. Dez anos depois, o DEE passou a ser subordinado à Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio. Antes, em 1958, ele já estava atrelado à Secretaria de Governo.

O DEE funcionou na Rua Cincinato Pinto, ocupando salas do prédio que fica atrás do Palácio dos Martírios, de onde saiu em 1956 para o prédio do Beco de São José, esquina com a Rua Boa Vista, que veio a ser a sede do IBGE. O edifício foi comprado ao dr. Afrânio Lages Filho. O IBGE está instalado atualmente na Av. Gustavo Paiva, 2789, 7º andar, Sala 706, em Mangabeiras.

Alagoanos ilustres ligados à estatística

O viçosense Pedro Barreto Falcão era jornalista e estatístico. Foi chefe de uma secção do Departamento Estadual de Estatística até 1939, quando foi requisitado pelo IBGE e nomeado Diretor de Estatística do Rio Grande do Sul, tendo chefiado naquele estado os trabalhos do recenseamento de 1940. Voltando para Alagoas organizou e dirigiu o Departamento das Municipalidades.

O jornalista Jorge Luiz Reis Assunção, que também foi deputado estadual, secretário de estado e ministro do Tribunal de Contas, esteve na direção-geral do Departamento de Estatísticas de Alagoas.

Humberto de Oliveira Rodrigues Bastos, além de trabalhar como advogado e jornalista, em 1938 foi nomeado para o Departamento Municipal de Estatística de Maceió, órgão que dirigiu até 1940.

O advogado Francisco Braga Sobrinho ingressou, por concurso, no quadro técnico do Departamento de Estatística do Estado, em 1938.

Valdemar Cavalcanti destacou-se como jornalista e crítico literário. Depois de muitos anos trabalhando em jornais do Sudeste, Pernambuco e depois em Maceió, vai para o Rio de Janeiro para trabalhar no IBGE, onde foi Diretor de Documentação e Divulgação do Conselho Nacional de Estatística, sendo um dos principais responsáveis pela publicação da Enciclopédia dos Municípios Brasileiros.

O historiador João Craveiro Costa, que também era jornalista e professor. Em 1922, atendendo ao convite do governador Fernandes de Lima ocupa os cargos de administrador e contador da Recebedoria de Rendas, de diretor do Grupo Escolar Diégues Júnior e de Contador Geral do Estado. Data daí seu interesse por estatística, em especial nos seus trabalhos publicados nos jornais, onde discute assuntos econômicos e sociais, valendo-se de dados numéricos e comentando-os. Criada a Direção de Produção e Trabalho, de onde posteriormente iria nascer a Diretoria-Geral de Estatística, hoje Departamento Estadual de Estatística, foi convidado a organizá-la e dirigi-la. Faleceu no trabalho, vitimado por um colapso cardíaco, na Diretoria de Produção e Trabalho de Alagoas.

O advogado e sociólogo Manoel Baltazar Pereira Diegues Júnior, quando vai morar no Rio de Janeiro em 1939, é designado para assistente da Secretaria-Geral do IBGE. Ocupou o lugar de Diretor-Geral do Departamento Estadual de Estatística do Espírito Santo (1940). Em 1942 foi Diretor-Geral do mesmo Departamento em Maceió, quando foi eleito membro do IHGA. Nesse ano, foi examinador do concurso para provimento do cargo de professor catedrático da cadeira de História do Brasil do Instituto de Educação de Maceió. Em 1943 presidiu a Comissão de Economia Popular em Alagoas, e fundou em Maceió o Centro de Estudos Econômicos e Sociais, do qual foi o primeiro presidente. Em 1945 volta para o Rio de Janeiro como chefe de Difusão Cultural da Secretaria Geral do I.B.G.E, e em 1948 é escolhido para dirigir o Serviço de Biblioteca e Intercambio Geral da mesma secretaria.

Fontes:
– História da Estatística Alagoana, de José Franklin Casado de Lima.
– Fotos do Acervo de Auriberto Ticianeli.
– ABC da Alagoas.

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