História da Ceal

Posteação da rede elétrica na Rua do Comércio no início do século XX
Sede de uma empresa elétrica em Traipú, com unidade geradora à diesel

Sede de uma empresa elétrica em Traipu, com unidade geradora à diesel

Maceió foi a pioneira entre as capitais brasileiras a receber energia elétrica, com os serviços iniciados em 1897. A responsabilidade do fornecimento de energia era da Empresa Luz Elétrica de Alagoas, que utilizava um motor a vapor com três caldeiras de 75 cavalos cada.

Em 1913, quem assume a o controle da energia elétrica na capital é a Nova Empresa de Luz Elétrica (NELE), de propriedade do Comendador Teixeira Basto. Posteriormente passou a se chamar Companhia Força e Luz de Maceió.

Houve nova mudança de nome em 1931, quando a “Amford” adquire a empresa e adota a denominação de Companhia Força e Luz do Brasil – Maceió.

Sede da Empresa Luz Elétrica Alagoas

Sede da Empresa Luz Elétrica Alagoas

Em 1959, sob o governo de Muniz Falcão, Alagoas dava os primeiros passos em suas políticas de planejamento. Para o setor energético surgia o Plano de Eletrificação de Alagoas, num esforço liderado pelos engenheiros Beroaldo Maia Gomes, José Maurício Pedrosa Gondim, Lenine de Mello Motta, Pedro Humberto Marinho e o bacharel José de Medeiros Tavares.

Beroaldo Maia Gomes Rego, que veio a ser o primeiro presidente da Companhia Energética de Alagoas, carregava no currículo a sua contribuição para a criação da SUDENE, quando ajudou a pensá-la ao lado de personalidades como Celso Furtado e Rômulo de Almeida. Os conhecimentos sobre os objetivos da Sudene ajudaram Beroaldo Maia Gomes na elaboração do primeiro projeto apresentado à instituição por um estado da região: o Plano de Eletrificação de Alagoas.

O objetivo do plano era levar a energia elétrica gerada em Paulo Afonso aos municípios alagoanos, tendo que superar o desafio de fazer um aprovar um projeto que não tinha rentabilidade para compensar os grandes investimentos, considerando que o consumo inicial seria muito baixo.

Beroaldo Maia Gomes, idealizador e primeiro presidente da Ceal

Beroaldo Maia Gomes, idealizador e primeiro presidente da Ceal

A lógica do plano era a de quebrar o ciclo vicioso. “Se insistirmos em apreciar a conveniência dos investimentos exclusivamente sob o aspecto de uma rentabilidade direta, desprezando a rentabilidade social indireta, estaremos, por muitos anos, adiando a utilização da energia de Paulo Afonso no interior do Nordeste”, argumentava o Plano.

Na época da apresentação do Plano, Alagoas tinha quatro municípios recebendo energia elétrica da Chesf: Maceió, Penedo, Delmiro Gouveia e Paulo Afonso. Os demais municípios tinham como fonte de energia pequenas usinas diesel, que eram insuficientes e obsoletas.

Foi para viabilizar a execução deste Plano que o governo de Alagoas criou uma sociedade de economia mista, a Companhia de Eletricidade de Alagoas, vinculada ao Departamento de Águas e Energia. Os recursos para o Plano vieram do Governo Federal por meio da Chesf-Codeno (Companhia Hidroelétrica do São Francisco e Conselho de Desenvolvimento do Nordeste), CVSF (Comissão do Vale do São Francisco), DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas) e Ministério da Agricultura. Do Governo Estadual participaram recursos via o DAE-CEAL (Departamento de Águas e Energia, e Companhia de Eletricidade de Alagoas).

Equipe de manutenção da antiga Ceal

Equipe de manutenção da antiga Ceal

Na execução do Plano, a primeira cidade do interior a receber eletricidade de Paulo Afonso foi Viçosa, no dia 19 de novembro de 1961. A parte inicial do Plano foi concluída no dia 13 de maio de 1969, com a inauguração do fornecimento de energia elétrica em Porto de Pedras.

Em 1962, já com a denominação de Companhia Força e Luz do Nordeste do Brasil – Maceió, a empresa passa a ser controlada pela Eletrobras. Será adquirida pela CEAL em 1968. Da mesma forma, os serviços de Penedo, União dos Palmares e Arapiraca são encampados. Em 1971, após a incorporação das redes de distribuição de Mata Grande, Água Branca e Delmiro Gouveia, a CEAL passa a ser a única concessionária de distribuição de energia elétrica em Alagoas.

Em 1973, outro passo importante foi dado pela empresa com a absorção da rede de subtransmissão em 69.000 volts, com todas as subestações de 69.000/13.800 volts, que eram da Chesf. A partir do início dos anos 80, a CEAL começou a ampliar a sua área de atuação, voltando-se também para as pequenas centrais hidroelétricas, o bagaço da cana e o gás natural.

Em 1983, por força da Lei 4.450, a Companhia de Eletricidade de Alagoas passa a denominar-se Companhia Energética de Alagoas, mantendo a sigla CEAL. A mesma lei permitia que a empresa produzisse e distribuísse qualquer tipo de energia em Alagoas. Foi ainda em 1983 que a CEAL criou o Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, que em 1986 passou ser a Diretoria de Desenvolvimento Energético.

Engenheiro Marcello Barros esteve durante 15 anos no comando do Ceal

Engenheiro Marcello Barros participou da instalação da Ceal em 1963 e depois presidiu a empresa nos governos de Divaldo Suruagy e Geraldo Bulhões

Com a confirmação da existência de expressivas reservas de gás natural em Alagoas, principalmente no Pilar, o Conselho de Administração da empresa, em novembro de 1984, autoriza a constituição de uma subsidiária para distribuir e comercializar o gás. Somente em 1988 é que surge a CEALGÁS.

No governo de Geraldo Bulhões, foi a criada uma nova empresa de economia mista para explorar a distribuição de gás canalizado em Alagoas. A Gás de Alagoas S/A, Algás, foi criada pela Lei nº 5.408, de 14 de dezembro de 1992. A empresa começou a funcionar no dia 2 de setembro de 1993.

A CEAL permaneceu sob controle do Estado até junho de 1997, quando teve início o processo de federalização, com a compra de 50% das ações pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A – Eletrobras, que passou a ter o controle acionário da empresa.

Em junho de 2008, a CEAL passou a ser controlada diretamente pela Eletrobras a partir de um novo modelo de gestão para as Empresas Distribuidoras da Eletrobras. É adotada uma direção única. No dia 2 de junho, o engenheiro Flávio Decat assumiu a empresa revelando que “a Ceal tem um faturamento de R$ 800 milhões e perde R$ 160 milhões por ano! Nenhuma empresa pode sobreviver a isso!”.

A Eletrobras holding detém 100% das ações da concessionária alagoana em nome do Governo Federal. Em outubro de 2010, a nova marca da Eletrobras foi padronizada para todas as empresas do Sistema, inclusive a antiga Ceal, que passou a ser conhecida como Eletrobras Distribuição Alagoas.

Em março de 2015, o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciou que a Eletrobras estudava vender parte ou o total das ações das distribuidoras de Alagoas, Piauí, Rondônia, Acre, Amazonas e Roraima, com o objetivo de “melhorar o serviço para o usuário”.

O ministro explicou que as seis distribuidoras de energia do grupo Eletrobras têm, juntas, valor de mercado entre 1 bilhão e 1,2 bilhão de reais, mas precisam de aproximadamente 3,5 bilhões de reais em investimentos para se adequar aos níveis de qualidade exigidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Fonte: 30 anos de Ceal, de Vladimir Calheiros e Braz de Aguiar, 1991; Site da Eletrobras.

10 Comments on História da Ceal

  1. Alexandre Andrade // 7 de Janeiro de 2016 em 15:21 //

    Ticianeli, parte do texto ficou fora da ordem cronológica. Os parágrafos 6, 7 e 8 aparentemente deveriam ser no início. Parabéns mais uma vez pelo site.

  2. Alexandre, fizemos as correções. Agradecemos pela ajuda.

  3. José claudio // 7 de Janeiro de 2016 em 23:12 //

    Como podemos ver os homens de bem de Alagoas, puderam fazer um bom trabalho em prol do desenvolvimento do estado, parabéns. É só querer que tudo acontece.

  4. Ticianeli, a Sede da “Empresa Luz Elétrica de Alagoas”, apresentada em foto, fica em qual endereço ?

  5. Não consegui localizar, mas era em Maceió.

  6. Amauri Campos Matos // 8 de Janeiro de 2016 em 11:48 //

    Parabéns Ticianeli.

  7. Valeria Hora Barros // 9 de Janeiro de 2016 em 14:57 //

    Muito boa matéria Ticianeli, meu pai (Marcello Barros) gostou muito. Bem fundamentada fiel a história. Ele gostaria muito de entrar em contato com você. Se possível nos envia seu contato. Obrigada

  8. Gostei da foto do serviço de linha viva… como demonstra a foto não existiam nenhum recurso q existe hoje, e, já era praticado essa atividade.

  9. Jorge Barros // 22 de Janeiro de 2016 em 23:28 //

    Excelente matéria, Ticianeli. Fiquei feliz de ver meu pai inserido na história dessa que foi uma grande empresa.

  10. Luiz Fernando Motta Nascimento. // 31 de outubro de 2017 em 08:13 //

    Ticianeli
    Parabéns pelo belo e importante artigo Histórico sobre a CEAL. Sou engenheiro eletricista aposentado da Chesf. Estou escrevendo algumas histórias sobre a Chesf. O engenheiro Lenine de Melo Mota formado na Escola de Itajubá – MG, trabalhou em Paulo Afonso no início das obras. Se não me falha a memória ele nasceu em Palmeira dos Índios. Gostaria, se possível, você me enviasse, via e-mail uma foto de Lenine.

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