Heckel Tavares, de Satuba para o mundo

Heckel Tavares
Hekel Tavares

Hekel Tavares

Nascido em 16 de setembro de 1896, em Satuba, Alagoas, era filho do comendador João Tavares da Costa e de Elisa Cardoso Tavares da Costa. Começou seus estudos com a tia e depois, por imposição do pai, foi matriculado no Colégio dos Irmãos Maristas, em Recife, Pernambuco. Estimulado pelos professores, tocava órgão e cantava no coral da instituição.

Em 1921, aos 24 anos, foi morar no Rio de Janeiro, onde dedicou à música, contrariando a vontade do seu pai que preferia vê-lo dedicado à contabilidade. Na capital federal estudou orquestração com J. Otaviano. Também foi aluno do maestro Francisco Braga e de Henrique Oswald, este último responsável por encaminhá-lo para a composição, fazendo-o abandonar a ideia de ser concertista.

No Rio de Janeiro, envolveu-se com a vida artística e literária da cidade, participando do teatro de revista, compondo a música da peça Stá na hora, de Goulart de Andrade, com letras de Luiz Peixoto. O sucesso da peça, que estreou no Teatro Glória em 1926, deu-lhe projeção e lançou para a posteridade dois clássicos da dupla Hekel Tavares/Luiz Peixoto: Casa de caboclo e Sussuarana, ambas gravadas por Gastão Formenti em 1928.

Capa do disco com o poema sinfônico André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado

Capa do disco com o poema sinfônico André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado

Foi desse período a parceria com Lamartine Babo, com quem compôs o cateretê Cariocadas. Com Joracy Camargo produziu a canção O preto velho cambinda. Ambas gravadas em 1929 por Francisco Alves.

Famosos cantores da época divulgaram suas canções: Jorge Fernandes, Patrício Teixeira, Elsie Houston, Inesita Barroso, Clara Petraglia e, no exterior, Phyllis Curtin e Sarita Gloria. Dentre a obra vocal do compositor alagoano, destaca-se Favela, Bia-tá-tá, Guacira, Chove Chuva, Bahia, Banzo, Funeral do Rei Nagô e Oração do Guerreiro, já em 1955.

Em 1934, casou-se com Martha Dutra e foi morar na casa que ele próprio construíra no bairro da Gávea. Durante os anos 1934 e 1935, ficou recluso. Nesse período iniciou sua fase chamada erudita com o poema sinfônico André de Leão e o Demônio de Cabelo Encarnado (1935), sobre história de Goeldi. Viajou pelo país em pesquisa folclórica e disso resultou outro poema sinfônico, Anhanguera, para orquestra, solistas e coro misto e infantil, baseado em temas dos índios do Alto Solimões.

Capa do disco de Felicja Blumenthal com músicas de Hekel Tavares e outros

Capa do disco de Felicja Blumenthal com músicas de Hekel Tavares e outros

Seu Concerto para Piano e Orquestra agradou bastante, mais do que essas duas obras programáticas, que já chegavam um pouco tardias para o gosto da crítica. Concerto para Violino e Orquestra, sob formas brasileiras, confirma seu grande “métier” de músico, mas não trouxe novidades estéticas ou formais. Ao falecer, tinha já no papel parte de uma Rapsódia Nordestina para piano e orquestra.

Heckel Tavares passou muitos anos na fronteira entre o erudito e o popular. Ficou famoso muito cedo, através de suas canções populares com espírito folclórico. Depois, mesmo sendo um compositor autodidata, tentou penetrar no terreno da música clássica e encontrou resistência de seus colegas e sobretudo da crítica especializada.

Retraiu-se e viveu à parte do movimento musical brasileiro, mas sempre em atividade criadora. Estudou, aperfeiçoou-se, editou sua própria música, gravou-a em discos, distribuiu-a aqui e no estrangeiro, vendeu-a com relativa facilidade e realizou esse ideal extraordinário do artista que é viver exclusivamente do produto de sua arte, sem recorrer a “bicos” ou ao ensino.

Sua obra é volumosa e merece apreciação bem mais cuidadosa do que lhe foi concedida. Seus trabalhos apresentam falhas, que o compositor era o primeiro a reconhecer, mas nem por isso devemos fingir ignorá-los. O êxito inegável de suas canções, mais de cem, e de seu Concerto para Piano e Orquestra garantem sua permanência em nossa história da música. Faleceu no Rio em 1969.

Fonte:
– Alagoanos Ilustres: site da SECULT.
– Vasco Mariz – História da Música no Brasil – Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1981.
– Heckel Tavares – Instituto Moreira Sales.

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