Guerra dos Cabanos de 1832 a 1835

Por Rodrigo Batista

A Guerra dos Cabanos ou Cabanada foi inicialmente um movimento restaurador cujo objetivo era restituir ao trono do Brasil o Imperador D. Pedro I, que renunciara ao posto após a morte de D. João VI. Entretanto, a revolta desenvolveu uma feição popular sob a liderança de Vicente Ferreira de Paula, caracterizando-se como uma luta antiescravagista.

Em 1831, o imperador D. Pedro I abdicara da coroa do Brasil em nome de seu filho D. Pedro II, e viajara para a Europa com o objetivo de manter os direitos dinásticos de sua filha, Maria da Glória, em Portugal.

Para garantir a manutenção do poder real, a Constituição brasileira definia a nomeação de uma Regência Trina. Descontentes com as decisões da corte no Rio de Janeiro, o grupo populares aproveitaram o momento de instabilidade política do período regencial para expor suas inquietações.

Num primeiro momento, a revolta foi capitaneada por proprietários de terras como Domingos Lourenço Torres Galindo e Manuel Afonso de Melo. Alguns participaram do levante de abril do mesmo ano em Recife, a “Abrilada”, defendendo a restauração de D. Pedro I ao trono do império. Esse grupo era vinculado à sociedade lusitana “Coluna do Trono do Altar”. O movimento sob comando de Vicente Ferreira de Paula, no entanto, rompeu as “alianças” com os senhores-de-engenho e transformou-se numa revolta antiescravagista.

Capitanias

A insurreição ocorreu na região que compreende o norte de Alagoas e o sul de Pernambuco e iniciou-se entre maio e junho de 1832, com os levantes de Antônio Timóteo de Andrade, em Panelas de Miranda, no agreste pernambucano, e João Batista de Araújo, na Praia de Barra Grande, hoje povoado do município de Maragogi / AL.

Os rebeldes formados por índios, brancos e mestiços lavradores, moradores nas periferias dos engenhos, além de negros fugidos passaram a ser identificados como “cabanos”, em alusão às pequenas cabanas no meio do mato em que viviam.

 Manoel de Carvalho Paes de Andrade, presidente da província de Pernambuco

Manoel de Carvalho Paes de Andrade, presidente da província de Pernambuco

Em 1834, D. Pedro I faleceu na Europa, o que acabou desanimando os cabanos a enfrentarem o governo. Os governadores das províncias de Pernambuco e Alagoas, Manoel de Carvalho Paes de Andrade e Antonio Pinto Chichorro da Gama, decidiram cercá-los na mata, com um exército de mais de 4.000 homens.

Eles se reuniram no Teatro de Operações, em 13 maio 1834, e estabeleceram uma área dentro da qual os cabanos seriam sitiados. Foi dado um prazo para a população evacuar o espaço, o que reduziu o número de integrantes dos grupos, limitados, agora, aos mais comprometidos com a revolta e os escravos negros, por preferirem a luta à escravidão. Outra tática utilizada pelos governadores foi a promessa de anistiar os dissidentes que se entregassem. Eles conseguiram com a armadilha capturar um grande número de combatentes.

Em Japaranduba, em 29 maio 1835, se renderam os derradeiros cabanos de Alagoas e Pernambuco, mas Vicente de Paula foge para o sertão. O líder envolveu-se posteriormente na política pernambucana e participou da Revolução Praieira em 1849 em Pernambuco. Capturado em 1850, foi preso em Fernando de Noronha, onde permaneceu até 1861, quando contava 70 anos de idade.

Texto original AQUI.

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