Fernandes Lima, escritor e político

Governador Fernandes Lima despachando no Palácio dos Martírios
Fernandes Lima, o Caboclo Indômito

Fernandes Lima, o Caboclo Indômito

José Fernandes de Barros Lima nasceu em Passo de Camaragibe (AL) no dia 21 de agosto de 1868, filho de Manuel José de Lima e de Constantina Acióli de Barros Lima.

Estudou em Maceió no Ginásio Bom Jesus e no Liceu Alagoano, e formou-se pela Faculdade de Direito do Recife em 1893. Ainda estudante lutou pela abolição dos escravos, tendo pertencido à Sociedade Libertadora Alagoana.

Propagandista da República, em 1888 publicou no Recife um folheto preconizando a mudança do regime e foi um dos fundadores do Clube Republicano Acadêmico. Colaborou na época na revista O Norte, órgão republicano, além dos jornais Arrebol, Movimento e Norte de Alagoas.

Iniciou a carreira política ao ser escolhido membro do primeiro Conselho Municipal de Camaragibe e, depois, ao ser eleito intendente do município (1892-1893). Também em 1892 foi eleito para ocupar a vaga aberta na Assembleia Legislativa alagoana com a morte de Ambrósio Lira, mas não tomou posse.

Fernandes Lima com esposa e filhas

Fernandes Lima com esposa e filhas

Foi deputado estadual na legislatura 1893-1894 e novamente membro do Conselho Municipal de Camaragibe de 1894 a 1895. Elegendo-se deputado federal, ocupou uma cadeira na Câmara dos Deputados entre maio de 1894 e dezembro de 1896.

Em sua atuação na política de Alagoas, destacou-se pela oposição à oligarquia dominante, chefiada por Euclides Malta, que governou o estado de 1900 a 1903 e de 1906 a 1912.

Intensificou sua ação ao assumir, em junho de 1911, a direção do jornal oposicionista Correio de Maceió, órgão oficial do Partido Democrata de Alagoas. Nesse mesmo ano foi lançado candidato a vice-governador na chapa do partido, encabeçada pelo coronel Clodoaldo da Fonseca.

Essa candidatura foi favorecida pela nova orientação do governo federal, então chefiado pelo presidente Hermes da Fonseca (1910-1914), que passou a intervir em alguns estados, inclusive com o afastamento de seus governantes, no que ficou conhecido como “política das salvações”.

Em virtude das manifestações contrárias a seu governo, Euclides Malta passou a reprimir a oposição, que se organizou e lutou contra as forças estaduais, levando-o a renunciar em 13 de março de 1912, quando foi substituído pelo presidente do Congresso Estadual, o coronel Macário das Chagas Rocha Lessa.

A família Fernandes Lima

A família Fernandes Lima

As eleições deram a vitória aos candidatos do Partido Democrata, que tomaram posse em 12 de junho seguinte. Como vice-governador, Barros Lima substituiu interinamente o titular de janeiro a abril de 1915. Em 12 de junho do mesmo ano, teve início o governo de João Batista Acióli Júnior.

De volta à Assembleia Estadual em 1917-1918, Barros Lima deixou-a ao ser eleito, em março de 1918, governador de Alagoas. Tomou posse em 12 de junho, sucedendo a João Batista Acióli Júnior, e afastou-se por motivo de saúde entre 1º de março e 12 de junho de 1921, quando foi substituído por Manuel Capitulino Carvalho. Nesse mesmo período foi reeleito, permanecendo no exercício do governo até 12 de junho de 1924, quando tomou posse o novo governador Pedro da Costa Rego.

Contra a tese de que o desenvolvimento deveria ser feito da capital para o interior, durante seu governo lançou o slogan “Rumo aos campos”, buscando interiorizar sua ação administrativa.

Da esquerda para a direita, os secretários de governo: Dr. Manoel Moreira e Silva, secretário de Negócios do Interior; governador Fernandes Lima; Dr. Alfredo de Mendonça Uchoa, secretário da Fazenda e Dr. José Castro Azevedo, secretário Geral

Da esquerda para a direita, os secretários de governo: Dr. Manoel Moreira e Silva, secretário de Negócios do Interior; governador Fernandes Lima; Dr. Alfredo de Mendonça Uchoa, secretário da Fazenda e Dr. José Castro Azevedo, secretário Geral

Para tanto, cuidou da abertura de cerca de quatrocentos quilômetros de rodovias cortando o interior, em especial daquela ligando a capital à cidade de Passo de Camaragibe. Inaugurou três pontes de cimento armado, sobre os rios Paraíba, Mundaú e Camaragibe, e construiu grupos escolares nas cidades de Capela, Camaragibe e São Luís do Quitunde.

Iniciou também o Serviço de Profilaxia Rural, com o apoio da Comissão Rockefeller. Em seu governo foi criado, em março de 1919, o Gabinete de Identificação e Estatística.

Em 23 de agosto seguinte, os representantes dos estados de Alagoas e Pernambuco no VI Congresso de Geografia assinaram um convenio, ad referendum, para a fixação definitiva dos limites divisórios entre os dois estados, mas a medida não teve o êxito pretendido.

Em 1924 foi eleito para o Senado Federal, onde exerceu o mandato até que a Revolução de outubro de 1930 suprimiu os órgãos legislativos do país.

Após a promulgação da nova Constituição em 16 de julho de 1934, foi eleito, no pleito de outubro, deputado federal.

Assumiu seu mandato em maio de 1935 e permaneceu na Câmara dos Deputados até novembro de 1937, quando o golpe do Estado Novo mais uma vez fechou o Congresso Nacional.

Faleceu em Maceió no dia 16 de maio de 1938.

Foi membro fundador da Academia Alagoana de Letras e primeiro ocupante da cadeira nº6. Sócio do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, colaborou na revista da instituição.

Além de mensagens ao Congresso alagoano, publicou: Tiradentes – poemeto realista (1884); Cartas de um democrata (1888); Ação para divisão do engenho “Ilha Vitório” (1900); Política de Alagoas – sugestões para organização de um partido em Alagoas; A sucessão governamental no estado de Alagoas em 1924 (discursos Fernandes de Barros Lima e de Pedro da Costa Rego 1924); Estado de Alagoas – Sua administração e sua política – O estouro da boiada alagoana (discurso no Senado, 1927); “Efemérides do município de Camaragibe. Elementos para sua história e crônica” (publicação feita no Evolucionista, em 1903, sob o pseudônimo Camile Desmoulins), Revista do IHGA (1933-1934).

Fontes: Texto de Reynaldo de Barros, da Fundação Getúlio Vargas e fotos do fascículo Memórias Legislativas nº 23, da Assembleia Legislativa de Alagoas, com pesquisa de Douglas Apratto Tenório.

5 Comments on Fernandes Lima, escritor e político

  1. Ninguém nunca falou do de folclore Pedro Teixeira, alguém conhece?

  2. Laurílio, o professor Pedro Teixeira será contemplado no História de Alagoas em Fotos. Estamos juntando o material. Se você tiver alguma coisa sobre ele, pode nos ajudar enviando para eticianeli@gmail.com. Já temos algumas fotos, mas não é suficiente.

  3. Fernando Ferreira // 6 de setembro de 2015 em 17:41 //

    O nome da nossa Avenida Fernandes Lima, Farol é em homenagem ao Deputado Estadual, Deputado Federal, Senador e Governador José Fernandes de Barros Lima ??

  4. Sim, Fernando. A Avenida Fernandes Lima e o Grupo Escolar Fernandes Lima homenageiam o governador.

  5. Eleni Carvalho santos. // 4 de Janeiro de 2017 em 15:52 //

    Amei conhecer esse grande politico brasileiro. Homem que pela sua história, estava a frente do seu tempo.

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