Félix de Vandesmet, o Barão francês da Brasileiro

Barão de Vandesmet, de barba branca
Barão de Vandesmet

Barão de Vandesmet

Nascido na França como Félix Eugene, filho de um industrial francês proprietário de uma fábrica de fiação e lã, o Baron du Saint Siége Félix Eugène Wandesmet, o Barão de Vandesmet escolheu as terras férteis de Atalaia para implantar, em 1891, a Usina Brasileiro, a primeira usina de açúcar de Alagoas.

Antes de chegar ao Brasil, Vandesmet instalou-se com um amigo em Guadalupe, nas Antilhas, onde fundaram uma usina de açúcar.

Chegando ao Brasil, desembarcou no Rio de Janeiro e procurou o Imperador Dom Pedro II, em sua residência de verão em Petrópolis, em busca de investimentos para seus negócios, mas nada conseguiu.

Barão de Vandesmet

Barão de Vandesmet

Decepcionado, foi para a Bahia, onde assumiu a gerência de uma usina de açúcar.

Desentendeu-se por lá e desembarcou em Alagoas, no Pilar, na época o mais importante empório comercial do interior, onde construiu a mais moderna usina de açúcar de Alagoas. Todos os equipamentos foram importados da Europa, continente detentor da mais avançada tecnologia do ramo açucareiro.

A construção foi demorada. Os navios, com os equipamentos, faziam a lenta e perigosa travessia do Atlântico, e após chegar ao porto de Maceió, o maquinário seguia pela estrada de ferro até Atalaia, onde eram desembarcados e transportados para as obras da usina no antigo Engenho Olho D’Água.

Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

A usina teve várias denominações. “Usina Brasileiro Félix Wandesmet” desde a sua fundação até 21 de outubro de 1922, quando passou a se chamar “Usina Brasileiro Wandesmet & Cia”.

O início da sua primeira moagem foi no dia 18 de janeiro de 1892, que produziu uma safra de 4.000 sacas de açúcar, atingindo posteriormente a mais de 300.000.

O açúcar seguia para o Pilar, e daí, em embarcações lacustres, para o porto de Maceió. Moeu pela última vez na safra de 1957/58 com uma produção de 36.562 sacas de açúcar demerara e 700 de açúcar cristal.

Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

A instalação primitiva da usina ficou sob à responsabilidade do mecânico João Siqueira, pai dos jornalistas atalaienses Valdir e Valmir Calheiros de Siqueira. Montada inicialmente com um motor de 90 HP e 8 turbinas, sofreu reformas em 1905 passando a moendas de tríplice pressão – três motores de explosão a óleo diesel, de fabricação inglesa (Blackstone) e dois de fabricação tcheca (Esokad) comprados a COTRIMONTE.

A instalação destes motores coube ao mecânico João Monteiro Malheiros, conhecido por João Dezenove, por ter perdido um dedo da mão por acidente.

É do Barão de Vandesmet, também, o empreendimento que prolongou a estrada de ferro de Atalaia até a Usina Brasileiro, tendo que construir uma ponte sobre o Rio Paraíba. Com a estrada de ferro pronta, Vandesmet comprou duas locomotivas e as batizou de França e Brasil.

Barão de Vandesmet em uma reunião na Associação Comercial

Barão de Vandesmet em uma reunião na Associação Comercial

Félix Vandesmet, que era também o Cônsul da França no Brasil, além de construir uma usina em Atalaia, instalou também no Pilar uma destilaria de álcool, cuja matéria prima – o mel – era fornecida pelos engenhos de açúcar daquele município e de Atalaia.

A Usina Brasileiro passou a se constituir num modelo de empreendimento industrial para a sua época. Na área de saúde, foi instalada uma farmácia que importava medicamentos da França. Médicos de renome daquela época passaram por lá.

Foi o primeiro a usar em Alagoas a irrigação de fazendas através de motor a gás pobre (lenha). Instalou um telefone à manivela para a sua comunicação entre a usina e Atalaia. Introduziu em Alagoas as variedades de cana de açúcar: Demerara, Barbados e White Transparent.

Barão de Vandesmet e familiares

Barão de Vandesmet e familiares

Outro avanço da época foi a instituição da aposentadoria dos empregados. Reserva-se parte do lucro da usina para garantir o salário integral a todos aqueles que chegavam à idade de se aposentar.

Não existia legislação trabalhista no Brasil, mas Vandesmet implantou a sua própria, sendo reconhecido em todo o país por isso.

O então presidente Afonso Pena, atraído pela fama da Brasileiro, fez uma visita à usina e provou da aguardente lá fabricada, que ele próprio rotulou de “uísque Vandesmet”.

A Usina Brasileiro, mesmo mudando de nome, funcionou até 1958. Em 16 de agosto de 1929, aos 81 anos, morreu o Barão de Vandesmet.

Texto original e fotos nos site Atalaia Pop, nas páginas: http://www.atalaiapop.com/paginas/historia/1.html e http://www.atalaiapop.com/paginas/historia/historia4.html

Casa Grande da Usina Brasileiro

Casa Grande da Usina Brasileiro

Flagrante de passeio na Usina de familares do Barão de Vandesmet

Flagrante de passeio na Usina de familiares do Barão de Vandesmet

Familares do Barão de Vandesmet

Trabalhadores da Usina com o Barão de Vandesmet

Trabalhadoras do corte da cana na Usina Brasileiro

Trabalhadoras do corte da cana na Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

Usina Brasileiro

10 Comments on Félix de Vandesmet, o Barão francês da Brasileiro

  1. Muito bom! Legal saber que um usineiro lá atrás se preocupava com seus funcionários. Essa criação de aposentadoria para os funcionários foi um acontecimento relevante da época… Vida eterna Barão de Vandesmet!!!

  2. michel le campion // 5 de junho de 2015 em 09:34 //

    Vejam vocês que importância histórica a atitude desse homem em montar uma industria de base em nosso estado, quantas famílias deixaram de passar fome por isso, e quantas tiveram o pão de cada dia, quantos empregos foram gerados naquela época, em um estado pobre como o nosso, quantas outras indústrias vieram instalar-se por essa atitude!! E agora??

  3. Esta história está imprecisa, pois se é que quem montou os motores foi João XlX, que nós conhecemos, já tinha nascido, no máximo era criança em 1905. Era o avô da Cinthia mulher do Theo Vilela e foi mecânico da usina de meu avô, Osman Loureiro. Acredito que quem mountou foi Charles Dorvillé, francês mandado pela Fiveslille para isso, que se radicou em Alagoas, e veio a ser pai da minha avó Laura Loureiro.

  4. Ticianeli // 5 de junho de 2015 em 15:59 //

    Caro Astério Loureiro,
    Agradecemos pela informação. A nossa fonte foi o professor Carlos Tibúrcio de Araújo Abreu, no site http://www.atalaiapop.com/paginas/historia/historia4.html#sthash.gy6XJQ5v.dpuf.
    Vamos procurar outras fontes para corrigirmos a imprecisão.
    A sua informação de que quem montou foi Charles Dorvillé, já vai nos ajudar muito.
    Obrigado por valorizar o nosso trabalho com as suas obervações.

  5. mario braga // 7 de junho de 2015 em 07:44 //

    É preciso repensar o papel da indústria açucareira na nossa economia,
    principalmente o processo tributário.

  6. Adriano Flávio Santos da Rocha // 30 de junho de 2015 em 01:07 //

    Sensacional trabalho histórico. Estão de parabéns

  7. Carlos Tadeu Morais de Melo // 28 de julho de 2015 em 12:09 //

    Cada vez que me debruço sobre a história da Usina Brasileiro, a emoção é inevitável. Não tive a oportunidade de vê-la moendo. Mas minha família, capitaneada por meu avô, Sr. Antonio Carlos de Morais, viveu boa parte da história ligada a essa Usina. Passei, quando criança, minhas férias escolares na usina, isso na década de 70, dias agradáveis, ainda com a casa grande de pé, uma coisa linda, o bangalô, a rua nova, o cinema, o mercado, o açude, as duas locomotivas, a barragem, o sítio de mangueiras em frente a casa grande, o pé de jabuticaba nos fundos da casa grande. Perdi meu pai, isso em 24 de março de 2012 e no mês de junho do mesmo ano, voltei a Usina e lamentei pelo estado em que a mesma se encontrava. A casa grande não existe mais, um crime cultural, as locomotivas cobertas pelo mato. Vou parar, pois o coração já está acelerado, uma vez que daqueles dias inesquecíveis, muitos dos que amamos tanto já não estão entre nós. Espero que as autoridades busquem meios de preservar,no mínimo, a história da Usina Brasileiro de Açucar e Álcool S/A.

  8. José Otávio Costa // 17 de Fevereiro de 2016 em 20:32 //

    Ticianelli e equipe, parabéns pelo magnífico trabalho. Sempre me emociono quando leio os textos. Viva Alagoas !

  9. Antonio de Padua // 17 de Fevereiro de 2016 em 22:29 //

    Queria saber qual foi o motivo do fechamento da Usina Brasileiro.

  10. Gustavo Adolfo S Vandesmet // 24 de Fevereiro de 2016 em 17:29 //

    Muito bom trabalho parabéns. É gratificante saber que a historia deste nobre homem será preservada e lembrada como uma pessoa de pensamentos e atitudes revolucionarias para sua época. E poderá servir de inspiração para muitos brasileiros.

Deixe um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*