Primeira Feira de Amostras de Alagoas

Pórtico da Feira de Amostras de Alagoas

A primeira Feira no país foi a da Cidade do Rio de Janeiro, em junho de 1928

Seguindo a experiência vitoriosa da Feira de Amostras da Cidade do Rio de Janeiro, que surgiu em junho de 1928 no então Distrito Federal, Alagoas também teve a sua grande feira, que foi aberta no dia 14 de julho de 1933. Há também registros de sua abertura no dia 4 do mesmo mês.

A motivação para a realização no Brasil de tais eventos se deu após as notícias das consagradas feiras internacionais. As mais famosas à época eram as realizadas em Paris, Lyon, Bordeaux, Dantzig, La Plata, Rosário, Havana e Leipzig, considerada esta última a maior do mundo no início dos anos 30.

A primeira no país foi a Feira de Amostras da Cidade do Rio de Janeiro, em 1928. Foi aberta com a participação de 162 expositores. Dois anos depois, com a participação de uma delegação portuguesa, passou a ser tratada como Feira Internacional de Amostras. Entretanto foi somente na 12ª edição, em 1939, que assumiu esta denominação oficialmente.

Na sequência, outros estados realizaram suas feiras: São Paulo (1931); Rio Grande do Norte (outubro de 1932); Alagoas (julho de 1933); Pernambuco (dezembro de 1933); Bahia (dezembro de 1934), Bahia (dezembro de 1934), Espírito Santo (1935) e o Ceará (dezembro de 1938). Nos anos seguintes praticamente todos os estados realizavam eventos semelhantes.

Alagoas

A Feira ocupou o antigo prédio da Escola de Aprendizes de Marinheiro em Jaraguá

Em Maceió, o local escolhido para receber a feira foi a antiga Escola Aprendizes Marinheiro, em Jaraguá. O prédio que, tinha sido inaugurada em 7 de setembro de 1897, foi adaptada para receber os estandes, muitos deles organizados pelos municípios alagoanos. A construção foi projetada e executada pelo engenheiro e arquiteto Ademar Portugal.

O pórtico da entrada principal foi tratado pelo jornal Diário de Pernambuco como sendo de “efeito majestoso, revelando o bom gosto de quem o idealizou e construiu”.

A Comissão Executiva encarregada de organizar o evento foi formada por Jugurta Couto e Craveiro Costa.

Dez dias antes da inauguração, o interventor federal, Francisco Afonso de Carvalho, apresentou o local à imprensa. No dia seguinte, o Diário de Notícias assim descreveu a iniciativa: “Trata-se, com efeito, dum empreendimento que, por sua própria natureza, deverá interessar a produtores, industriais, etc., sem esquecimento de nossas belas artes, dos nossos trabalhos escolares, tudo de modo a afirmar o nosso progresso, como feição de nossas várias atividades”.

Maquete em sabão marmorizado do edifício da Associação Comercial

Em agosto, o Diário de Pernambuco noticiava que a Feira “tem marcado uma hora interessante na vida social de Maceió”. O jornal informa ainda que entre os produtos de Maceió, “merecem registro as velas e os sabões da Fábrica dos Srs. Tércio Wanderley & Cia, sendo curiosíssima a maquete em sabão marmorizado do edifício da Associação Comercial”. Fabricavam os sabões Moreno e Imperial.

De Penedo, o Diário de Pernambuco destacou os produtos da fábrica de tecidos e os objetos de cerâmica, “entre os quais sobressai um belíssimo quadro em alto relevo e pintura sóbria da Ceia Larga”.

Também mereceram destaque as “magnificas” telas dos pintores alagoanos. São citados Rosalvo Ribeiro, Lourenço Peixoto, Míriam Lima, Luiz Silva, Zaluar Santana, N. Barros, A. Dacal e as alunas do Colégio Santíssimo Sacramento.

Teve espaço até para a Imprensa Oficial expor seus trabalhos de encadernação a chagriu. Da mesma forma que o Orfanato São Domingos, que além de apresentar seus produtos gráficos, expôs uma reprodução em cartonagem do prédio da instituição.

As várias fábricas de tecidos de Alagoas levaram mostras das suas produções. A Escola de Aprendizes Marinheiros também participou com os produtos das suas oficinas: sapatos, camas de ferro, utensílios de jardinagem, trabalhos de alfaiataria e carpintaria.

A Colônia de Pescadores enviou redes, tarrafas e apetrechos utilizados na pesca. Gráficos pintados por José Paulino ilustravam o estande da Diretoria de Estatísticas.

Grupos escolares, colégios e escolas apresentaram “seus mapas cartográficos e excelentes peças de confecção manual e à máquina em almofadões, stores, vestidos, lingeries, etc.”

Além das exposições nas barracas, a área externa recebia diariamente várias diversões, “tornando-se difícil o passeio”, como relatou o Diário de Pernambuco.

Esta pesquisa não encontrou registros em jornais de outra edição da Feira de Amostras de Alagoas.

1 Comentário on Primeira Feira de Amostras de Alagoas

  1. José Aldo Buarque de Mendonça // 14 de agosto de 2017 em 19:04 //

    Gostaria de saber a localização da Escola de Aprendiz de Marinheiro que foi palco desta feira? Existe, hoje, algum resquício deste local? Gostei da apresentação deste acontecimento histórico. PAZ e BEM.

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