Famílias na política alagoana do século XX (IV): Mendonça

Palacete do Barão de Jaraguá na Praça D. Pedro II em 1908

Manuel Joaquim de Mendonça Castelo Branco, o Barão de Anadia

O primeiro Mendonça a ter poder político em Alagoas foi o português José de Mendonça de Matos Moreira. Após desembarcar na Bahia, chegou à Comarca de Alagoas em 16 de dezembro de 1779 para ser Corregedor e 14º Ouvidor Geral.

Em 1798 foi nomeado Juiz Conservador das Matas e em seguida adquiriu várias propriedades na região norte do futuro estado de Alagoas. Foram seus os engenhos Carrilho, Maranhão, Unussu, Buenos Aires, Vale e o do Meio.

Foi ele quem estabeleceu o domínio da família Mendonça sobre a política e a economia em Alagoas a partir dos últimos anos do século XVIII. Esse poder se estende até o final século XIX, principalmente pela influência de seu filho, senador Jacinto Paes de Mendonça e seus sucessores.

Ao morrer, o seu testamento revela que deixou cinco propriedades para seus filhos, frutos de uma relação extraconjungal que tivera com Maria Josefa de Sousa Alarcão Ayala. São eles: José de Mendonça de Matos Alarcão Ayala; Jacinto Paes Moreira de Mendonça, Bernardo Antônio de Mendonça; Bárbara Francisca Xavier de Matos; Maria Josefa Diniz de Alarcão Ayala, José Antônio de Mendonça Alarcão Ayala.

Após relações com outras famílias, os Mendonças se desdobraram em vários ramos, tais como os Moreira de Mendonça, os Mendonça Uchôa, os Cavalcanti de Mendonça, os Wanderley de Mendonça e os Alarcão Ayala.

Jacinto Paes Moreira de Mendonça foi casado com Ana Joaquina Uchôa e nomeado Barão de Murici em 1868. Foi eleito deputado provincial nas legislaturas 1830-33, 1846-47 e 1848/49, nesta última não tomou posse. Voltou a ter assento na Assembleia Provincial nas legislaturas 1856-57, 1858-59, 1860-61, 1862-63 e 1874-75.

José Antônio Mendonça de Alarcão Ayala, que viria a ser o Barão de Jaraguá em 1860, participou ativamente da política alagoana como deputado provincial nas legislaturas 1844-45, 1848-49 e 1850/51. Foi ele quem Instalou a primeira fábrica de tecidos de Alagoas, em Fernão Velho, que começou a produzir em setembro de 1863. Era casado com Felicidade Perpétua de Mendonça.

Jacintho Paes Moreira de Mendonça, o Barão de Murici

Era o 2º vice-presidente em 21 de julho de 1859, quando assumiu interinamente o governo de 18 de agosto a 1º de outubro do mesmo ano. Foi ainda deputado geral nas legislaturas 1861-63 e 1869-72, além de ocupar o cargo de engenheiro fiscal da província.

O médico Afonso José de Mendonça, filho de Jacinto Paes de Mendonça, foi deputado provincial nas legislaturas 1882-83 e 1888-89. Com a proclamação da República, foi eleito para a Assembleia Constituinte, permanecendo na Assembleia nas legislaturas 1891-92 e 93-94.

Bernardo Antônio de Mendonça Sobrinho, cujo nome de batismo era Bernardo Antônio Paes de Mendonça, também foi deputado geral na legislatura 1885-89 e senador estadual na legislatura 1897-98. Era filho de Jacinto Paes de Mendonça e de Francisca de Barros Wanderley. Em maio de 1897 chegou ao Senado federal para um mandato de nove anos, permanecendo no cargo até março de 1905, quando faleceu. Era casado com Ana Bárbara de Matos Castelo Branco.

Seu filho Bernardo Antônio de Mendonça Castelo Branco era advogado formado pela Faculdade de Direito do Recife. Em 1852 presidiu a primeira Câmara Municipal instalada em Passo de Camaragibe. Foi suplente de deputado provincial na legislatura 1850-51.

Tomou posse como deputado provincial, pelo Partido Conservador, nas legislaturas 1858-59, 1860-61, 1862-63, 1868-69, nessa última não tomou assento, e 1870-71. Foi deputado geral nas legislaturas 1872-73, 1874-75, 1876-77, 1885 e 1886-89; e deputado federal, de maio de 1891 a dezembro de 1893, na primeira legislatura republicana.

O também advogado Jacinto de Assumpção Paes de Mendonça Castelo Branco foi outro filho de Bernardo Antônio de Mendonça com grande projeção política em Alagoas.  Mais conhecido como Jacinto Paes de Mendonça, assumiu o mandato de deputado provincial pelo Partido Conservador nas legislaturas de 1846-47, 1848-49, 1856-57, 1858-59, 1860-61.

Em 1859 esteve à frente do governo de Alagoas por dois meses. Participou ativamente dos movimentos que entraram para a história de Alagoas como Cabanada e Revolta dos Lisos e Cabeludos. Foi deputado geral de maio de 1861 a maio de 1863 e de maio de 1869 a setembro de 1871.  Nomeado, assumiu o mandato de senador em 15 de maio de 1871, permanecendo neste cargo até a queda do Império em 1889.

Foi ainda deputado estadual na legislatura 1891-92. Durante este mandato, fez parte da Junta governativa que assumiu o poder entre 23 de novembro de 1891 e 28 do mesmo mês.

Manoel Joaquim de Mendonça, nomeado Barão de Anadia em 1870 e também filho de Bernardo Antônio de Mendonça, foi deputado geral nas legislaturas 1850-52, 1853-56, 1857-60, 1861-63, 1864-66, 1867-68, 1869-72, 1876-77, 1878-81, 1881-84 e em 1885.

Mais Mendonças

O padre José Tavares de Mendonça Sarmento é um dos primeiros Mendonças a participar da política alagoana. Era vigários da freguesia de Santa Maria Madalena, em Alagoas, atual Marechal Deodoro. Foi eleito para o Conselho Geral da Província ainda em 1827, onde chegou a ser o vice-presidente. Teve ainda o mandato de deputado provincial nas legislaturas 1835-37, 1838-39 e 1846-47.

Miguel Álvares Teixeira de Mendonça também foi deputado provincial na legislatura 1846/47.

O advogado Inácio José de Mendonça Uchôa era filho de Jacinto Paes de Mendonça e Ana Joaquina de Mendonça Uchôa. Na sua primeira tentativa de um mandato ficou como suplente de deputado provincial na legislatura 1846-47. Foi empossado deputado nas legislaturas 1848-49, 1850-51, 1852-53, 1854-55 e 1856-57. Em 24 de março de 1857 foi nomeado 2º vice-presidente da província, assumindo o governo durante alguns meses daquele ano.

Jacinto Cândido de Mendonça, outro padre da família, também foi deputado provincial nas legislaturas 1852-53, 1854-55, 1856-57, 1858-59, 1860-1861, 1862/63, 1868/69 e 1870/1871.

Afonso José de Mendonça foi deputado provincial na legislatura 1854-55. Mesma legislatura em que Vespasiano A. de Mendonça Sarmento ficou na suplência. Este último era neto do padre Jacinto Cândido de Mendonça.

Tivemos ainda como deputados provinciais José do Rego Barros Mendonça (1858-59), José Antônio Mendonça Júnior (1862-63), Antônio Candido Mendonça (1870-71), Francisco de Vasconcelos Mendonça (1872-73 e 1876-77), Afonso José de Mendonça Uchôa (1882-83 e 1888-89), Jacinto Paes de Mendonça Filho (1882-83, 1884-85, 1886-87 e 1888-89), Bernardo Lindolfo de Mendonça (1888-89) e João Capistrano de Mendonça (1888-89). Pedro Velho Barreto de Mendonça, já no Brasil República, foi eleito deputado estadual para a legislatura 1893-94.

Prefeito Baltazar de Mendonça

Bento Antônio de Mendonça Sobrinho foi deputado geral e representou Alagoas na Câmara Geral nas legislaturas 1885 e 1886-89.

Luiz Antônio Moreira de Mendonça teve participação política durante muitos anos. Deputado provincial nas legislaturas 1870-71, 1872-73, 1876-77 e 1878-79, sempre representando o Partido Conservador. Foi ainda deputado da Câmara Geral na legislatura 1886-89.

Seu filho, Luiz Antônio Moreira de Mendonça Filho, ainda era acadêmico de Medicina quando foi deputado estadual na legislatura de 1913-14 e 1914-15. Estava também entre os deputados estaduais constituintes na legislatura 1935-37.

José de Barros Wanderley de Mendonça foi o político da família a ter mais destaque na virada do século XIX para o XX. Era filho de Jacinto Paes Mendonça e de Francisca de Barros Wanderley.

Engenheiro, trabalhou na Estrada de Ferro de Caruaru (PE), Estrada de Ferro da Bahia (BA), Estrada de Ferro de Ribeirão (PE) e na Estrada de Ferro de Maceió a Leopoldina. Foi deputado provincial na legislatura 1870-71 e deputado estadual na legislatura 1895-96. Assumiu a Intendência de Maceió de 1901 a 1903. De maio de 1903 a dezembro de 1905 esteve na Câmara dos Deputados.

Entrou para a história de Alagoas principalmente por sua participação no episódio que ficou conhecido como Empréstimo Francês, uma escandalosa operação de crédito de 500 mil libras celebrada em Paris com a Crédit Départémental, no dia 1º de agosto de 1906. José de Barros Wanderley de Mendonça faleceu em outubro de 1928.

Mendonças no século XX

Outros deputados estaduais da família foram: Salustino Tavares de Mendonca Sarmento (1897-1898, 1899-1900 e 1901-1902), Luiz Velho Barreto de Mendonça (1901-1902) e José Antônio de Mendonça Neto (1899-1900 e 1903-04).

Cândido Augusto de Mendonça Sarmento foi deputado provincial nas legislaturas 1886-87; 88-89 e senador estadual nas legislaturas 1911-12; 1913-14 e 1915-16.

Manoel Joaquim de Mendonça Martins foi deputado estadual na legislatura 1913-14, 1914-15 e deputado constituinte na legislatura 1935-38. Deputado federal nas legislaturas 1915-17 e 1918-20. Senador Federal de 1921 a 1930.

Outro membro da família a ter destaque na política no início do século XX foi Presciliano Tavares de Mendonça Sarmento, o Coronel Lelê, criador e exportador de gado na zona da mata. Era filho do padre Jacinto Cândido de Mendonça. Foi senador estadual nas legislaturas 1903-04, 1905-06, 1907-08, 1909-10 e 1913-14. Era o vice-governador do Estado no governo de Euclides Malta.

Antônio Saturnino de Mendonça Júnior

Poeta, jornalista, professor, juiz e advogado, Antônio Saturnino de Mendonça Júnior foi eleito, em 1950, deputado federal pelo PSD. Deixou a Câmara. Em outubro de 1954 tenta a reeleição, mas ficou na segunda suplência, assumindo o mandato nos períodos de fevereiro a abril de 1956 e de julho a agosto de 1957.

Alfredo de Mendonça Uchôa iniciou na política como Secretário da Fazenda no Governo Fernandes de Lima (1919-20). Foi ainda deputado estadual na legislatura 1929-30 e Secretário do Interior, Educação e Saúde, no governo Silvestre Péricles, nomeado em 1º de abril de 1947.

Júlio César de Mendonça Uchôa foi deputado provincial nas legislaturas 1872-73 e 1876-77. Senador estadual nas legislaturas 1891-92, 1893-94 e 1895-96. Deputado estadual nas legislaturas 1923-24, 1925-26, 1927-28 e 1929-30.

Júlio Cesar de Mendonça foi deputado estadual na legislatura 1921-22. Luís Moreira de Mendonça foi eleito deputado estadual constituinte em 14 de outubro de 1934 e para a legislatura 1935-38. Francisco Cândido de Oliveira Mendonça também foi deputado estadual e constituinte na legislatura 1935-38.

O jornalista, professor e advogado José Caralâmpio de Mendonça Braga era filho de Francisco Rodrigues Braga e Antônia de Mendonça Braga. Antes de enveredar pela política foi Promotor Público em Camaragibe, Capela, Água Branca, Rio Largo e Maceió. Foi Juiz de Direito, Juiz de Menores, Procurador de Feitos da Fazenda, Delegado Auxiliar, Chefe de Polícia, Diretor da Imprensa Oficial e do Departamento de Cultura. Era casado com Maria Aída Wücherer de Mendonça Braga, com quem teve três filhos.

Filiado ao PSD, foi eleito deputado estadual para a legislatura 1947-51. Ainda em 1951 conseguiu o mandato de deputado federal pelo PST. Em 1954 tentou a reeleição, mas ficou como suplente, porém exerceu o mandato por toda a legislatura 1955-59. Nesse mesmo período ocupou a Secretaria de Estado dos Negócios do Interior, Justiça e Segurança Pública do governo Muniz Falcão.

O advogado pernambucano de Quipapá, Antônio Baltazar de Mendonça, chegou a Maceió e se juntou à Campanha Civilista em apoio a Rui Barbosa, criando o jornal A Reação em 24 de setembro de 1909. Participou ainda da mobilização política contra Euclides Malta, em 1912, sendo um dos redatores do Correio de Maceió, sob a liderança de José Fernandes de Barros Lima.

Após flutuar entre situação e oposição por alguns anos, foi eleito deputado estadual com uma candidatura avulso que recebeu apoio dos líderes do comércio retalhista. Assumiu o mandato para a legislatura 1921-22. Por motivos políticos foi residir em Recife onde fundou o jornal Norte do Brasil.

Durante a campanha da Aliança Liberal e a Revolução de 30, conviveu com Juarez Távora e recebeu deste o apoio para assumir a Prefeitura de Maceió, cargo que ocupou de 14 de outubro de 1930 a 6 de janeiro de 1933.

Em 1934, voltou a Recife e foi eleito deputado estadual para a constituinte e legislatura 1935-38. Em 1941, retornou a Alagoas, ocupando o cargo de Procurador da Fazenda. Foi um dos fundadores do PSD no Estado, partido pelo qual se elegeu para a Assembleia Legislativa, no período 1947-51.

Após apoiar Silvestre Péricles rompeu com o governador e formou uma bancada independente na Assembleia. Se envolveu na campanha de Arnon de Mello ao governo e como presidente da Assembleia foi quem tomou o compromisso do governador eleito.

Mendonça Neto na campanha de 1978. Foto José Feitosa

O jornalista e advogado Antônio Saturnino de Mendonça Neto nasceu em Rio Novo, Minas Gerais, quando seus pais, Antônio Saturnino de Mendonça Júnior e Clorípes Matos de Mendonça, lá moraram. Iniciou sua vida profissional no Rio de Janeiro como jornalista no Diário de Notícias.

Após passagem destacada pelas revistas O Cruzeiro e Manchete, volta para Maceió em 1973 e funda o semanário O Estado de Alagoas. Em 1974, elege-se deputado estadual pelo MDB, para a legislatura 1975-78. Em 1978, ainda pelo MDB, elege-se deputado federal.

Após a extinção do bipartidarismo, é um dos fundadores do PMDB. Em 1982, é novamente eleito deputado estadual, agora pelo PMDB. Nas eleições de 1986, disputa o mandato de senador sem sucesso.

Deixou o PMDB em 1988 e filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), onde recupera o mandato de deputado federal nas eleições de 1990. Permaneceu até o fim do mandato em janeiro de 1995, mas somente voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em outubro de 1998, obtendo apenas a suplência.

Em 2002 volta ao PMDB e disputa sem êxito um mandato de deputado federal. Na eleição de outubro de 2010, filiado ao PSOL, tenta o cargo de deputado estadual, mas já muito doente, praticamente não fez campanha. Faleceu dias depois da eleição, em 10 de novembro de 2010.

Foi o último representante da família Mendonça a participar com destaque da vida política alagoana.

1 Comentário on Famílias na política alagoana do século XX (IV): Mendonça

  1. Sandra L Sarmento // 28 de novembro de 2017 em 22:01 //

    Sou bisneta de Cândido Augusto de Mendonça Sarmento e sobrinha neta de Vespaziano de Oliveira Sarmento e prima/ bisneta de Basiliano O. M. Sarmento………

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