Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Casa da família de Lourival de Mello Motta doada à Arquidiocese em 1959 e onde funcionou a Escola de Serviço Social
Dom Adelmo Machado, o idealizador da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Dom Adelmo Machado, o idealizador da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

O surgimento da Escola de Serviço Social Padre Anchieta faz parte das iniciativas que a Igreja Católica tomou em Alagoas visando à formação de quadros para ações que envolvessem principalmente as questões sociais.

As incursões da Igreja na educação em Alagoas começaram ainda no período da colonização. Nos cursos superiores, já no século XX, cria os cursos de Teologia e Filosofia do Seminário Diocesano e cinquenta anos após instala a Escola de Serviço Social.

A Faculdade de Filosofia de Maceió surge também neste mesmo período, em 1954, como instituição particular de propriedade majoritária de um padre católico, Teófanes Augusto de Araújo Barros. Mesmo sendo uma instituição privada, era fortemente ligada à Igreja Católica.

O primeiro passo para a criação a Escola de Serviço Social foi dado ainda em 1952, com a criação da Fundação Arquidiocesana de Assistência Social (FAAS). A iniciativa coube ao arcebispo Dom Ranulpho da Silva Farias e tinha o claro objetivo de estruturar uma instituição capaz de conseguir recursos oficiais para as obras de assistência social e educacional da Igreja.

Catedral de Maceió com sede da Ação Católica ao lado, onde também funcionou a Rádio Palmares e foi a primeira dese da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Catedral de Maceió com sede da Ação Católica ao lado, onde também funcionou a Rádio Palmares e foi a primeira dese da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

A FAAS consegue o reconhecimento institucional em 1954, quando o seu registro é aceito pelo Conselho Nacional de Serviço Social, permitindo que o fundo social passasse a receber subvenções oficiais.

Em 1955, o novo arcebispo de Maceió, Dom Adelmo Cavalcanti Machado, propõe a criação da Escola de Serviço Social, tendo a FAAS como instituição mantenedora. Para tal fim, os estatutos da Fundação são alterados, em 2 de dezembro de 1955, e sete dias depois é aprovada a Escola de Serviço Social Padre Anchieta.

A assistente social Zilda Galrão Leite, que dirigia a Sociedade Feminina de Instrução e Caridade, é nomeada diretora da Escola. A elaboração do Regimento ficou ao encargo de uma comissão formada por Dom Adelmo Machado, Zilda Galvão Leite, Roldão Oliveira e Mons. João Batista Vanderlei.

A escolha da Madre Zilda e das demais religiosas Missionárias de Jesus Crucificado se deu por terem experiência na direção de Escolas similares em outros estados da federação. A criação de Escola de Serviço Social em vários estados, também sobre orientação da Igreja, chegou a ser considerada como um verdadeiro movimento de serviço social.

Capa do panfleto que divulgava a Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Capa do panfleto que divulgava a Escola de Serviço Social Padre Anchieta

A conjuntura política e social da época em que foi criada a Escola de Serviço Social em Alagoas era marcada por discussões importantes sobre a abordagem que a Igreja fazia das questões sociais. O assistencialismo era questionado por correntes políticas e religiosas que passaram a discutir a natureza da sociedade.

É nesse período que a Ação Católica começa a ter organismos especializados. O primeiro foi o da Juventude Operária Católica (JOC) masculina. Foi fundada em maio de 1955. Até então a Ação Católica tinha somente a participação de mulheres. Eram tempos de Rerum Novarum e de Leão XIII.

A Ação Católica tradicional, que vinha numa abordagem das questões sociais mais por temer o comunismo, vê surgir novos quadros que colocam o pobre e o povo na pauta das questões sociais.

Encaminhando uma resolução da 1ª Semana de Estudos das Religiosas da Arquidiocese de Maceió, realizado entre 5 e 10 de fevereiro de 1956 e que programou um curso intensivo de Serviço Social, Dom Adelmo Machado vai a Fortaleza três meses depois e convida as Missionárias de Jesus Crucificado para dirigirem o Centro de Assistência Social que seria fundado em Maceió.

Panfleto da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Panfleto da Escola de Serviço Social Padre Anchieta

Quando, em agosto de 1956, Dom Adelmo vai ao Rio de Janeiro para discutir com os órgãos do governo federal a Escola de Serviço Social, madre Zilda Galvão já estava nomeada e acompanhou o arcebispo até a capital.

A autorização para o funcionamento do curso foi aprovada pelo Ministério da Educação em 18 de março de 1957 (Decreto Lei nº 41.160) e naquele mesmo ano a primeira turma recebia aulas na sede da Ação Católica Arquidiocesana, ao lado da Igreja da Catedral. Coube ao professor Lourival de Mello Motta proferir a aula inaugural no dia 19 de março de 1957.

Com exceção das professoras Missionárias, os outros professores foram improvisados entre profissionais alagoanos que não tinha formação em Serviço Social. Nesta época, as duas únicas assistentes sociais no estado eram Magaly Cortez e Otacila Navarro, que trabalhavam na Cruz Vermelha, LBA e SESC.

A primeira turma

Com o anúncio da abertura da Escola de Serviço Social, vários alunos procuraram a sede da Ação Católica para fazerem a inscrição e enfrentarem o cursinho preparatório para o vestibular. Aos poucos, o cursinho foi se esvaziando e dos mais de 40 que iniciaram, somente 18 alunas e um aluno foram aprovados nas provas seletivas.

Ainda no primeiro ano, o curso recebe o reforço da assistente social e professora irmã Maria Gurjão, que veio de Aracaju e perde duas alunas e o único aluno. Entretanto, o que marcou mesmo as alunas foi a tarde do dia 13 de setembro de 1957, quando tiveram que abandonar a Escola sob a proteção do Exército. Aquele dia entrou para a história pelo tiroteio na Assembleia Legislativa, a poucos metros da Escola.

No segundo ano do curso, a turma foi reduzida para 14 alunas. No quarto ano restavam dez e quase todas tinha tido militância na Juventude Universitária Católica (JUC). Almira Gouveia Alves Fernandes foi a primeira presidente do Diretório Acadêmico da Escola de Serviço Social.

Com o crescimento da Escola, que só não recebeu alunos em 1959, ano sem vestibular, havia a necessidade de nova sede. Isso foi resolvido pelo professor e médico Lourival de Mello Motta, que doou à Arquidiocese a antiga residência de seus pais, na Rua Ângelo Neto, 279, Farol.

Madre Zely Perdigão Lopes e Irmã Lourdes Mafra

Madre Zely Perdigão Lopes e Irmã Lourdes Mafra

Também estiveram à frente da Escola a Madre Zely Perdigão Lopes e Irmã Lourdes Mafra, que tiveram um papel destacado na defesa dos estudantes e da democracia no período em que o país viveu sob uma Ditadura Militar.

A primeira turma a concluir o curso era formada por: Magda Almeida Wanderley, Idailza Bezerra Beirão, Maria José Cavalcante, Miltes Santa Cruz, Marisa Costa, Maria do Carmo Veras, Moema Santana Araújo, Almira Gouveia Alves Fernandes, Nadir Barbosa, Maria Nazareth Vasconcelos, Zenides Costa, Zaira de Barros Matta e Cléa Ramos. A formatura aconteceu no Teatro Deodoro, na noite do dia 30 de abril de 1961.

A Escola de Serviço Social Padre Anchieta foi encampada pela Universidade Federal de Alagoas – Ufal em 1972.

Fontes:
– Intelectualidade católica, questão social e serviço social: alguns apontamentos sobre a Igreja Católica e a educação em Alagoas do período republicano, de Fernando Antonio Mesquita de Medeiros, no livro “Intelectuais e Processos Formativos em Alagoas (Séculos XIX – XX), organizado por Elcio de Gusmão Verçosa, Edufal, 2008.
– MULHERES CONTRA O ARBÍTRIO: As Missionárias de Jesus Crucificado e a Escola de Serviço Social Padre Anchieta em Maceió em Tempos de AI5, de MARIA JEANE DOS SANTOS ALVES. Dissertação Apresentada ao Mestrado em Ciências da Religião como requisito à obtenção do título de Mestre em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco.

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