Como nasceu o telefone automático em Maceió

Rua do Sol, antiga Rua 15 de Novembro, no início do século XX, quando surgiram os primeiros telefones em Maceió

Antigos aparelhos telefônicos (2)Bráulio Leite Júnior
(Publicado no livro Outras Histórias de Maceió, 2004).

O alagoano, particularmente o maceioense, sempre se preocupou com o sistema de telefonia. No início do século, o cidadão de nome Souza Leite, mais conhecido como Major Souza Leite, possuía pequena empresa que explorava o ramo deste negócio. Naqueles dias contava Maceió com cento e vinte telefones, aparelhos montados em casas particulares, repartições públicas federais, estaduais e municipais e estações nos municípios de Alagoas (hoje Marechal Deodoro) e Pilar. Nas estações dos referidos municípios, eram tiradas linhas para Usinas Brasileiro, Leão e Wanderley, que conseguia também se comunicar com a Capital do Estado.

Sentia-se o pioneirismo alagoano, pois as linhas aludidas tinham a extensão de 301.500 quilômetros.

Registram os relatórios, do ano de 1902, que as linhas telefônicas estavam assim constituídas.
a) a de Alagoas 55.500
b) a da Usina Brasileiro (Atalaia) 54.000
c) a do Pilar 36.000
d) a da Usina Leão (Utinga) 27.000
e) a da Usina Wanderley (Satuba) 18.000

O Major Souza Leite era para a época, um grande empreendedor. Planificou e fundou estações nas cidades de Atalaia e Viçosa.

Havia, mesmo, um trabalho de idealista. Basta dizer que a Companhia era constituída do seguinte pessoal: Um gerente; Seis telefonistas; Sete empregados externos.

Antigos aparelhos telefônicosA telefônica era uma entidade de direito privado. Funcionava na rua 15 de novembro, hoje João Pessoa, na esquina ao lado esquerdo de quem vem da praia, confinando com o Beco São José, hoje Tibúrcio Valeriano, casa que mais tarde pertenceu ao Cônego João Lyra, pároco da Igreja dos Martírios, Inspetor do Ensino Federal, um dos diretores de O Semeador e major Capelão da Policia Militar.

O Major Souza Leite era um empresário organizado. Em 1901 ele publicava nos jornais da terra a seguinte estatística: Em 1901 foram realizadas 54.629 conversações entre os assinantes, 519 entre particulares, no espaço de 2.694 minutos, e transferiram-se 129 telefonemas com 2. 588 palavras.

Assim caminhou a telefônica pelo seu método empírico de pedir ligações.

Só na década de 1930 surgiria em Maceió o telefone automático. Contavam os cronistas que o abastado Coronel José de Almeida senhor de terras e banguezeiro, criador e mais tarde usineiro, que morava nas suas propriedades em Capela e União dos Palmares, vinha todos os sábados para Maceió, com sua família, assistir a filmes no cinema Floriano, depois São Luiz, de propriedade do senhor Hipólito, pai do poeta Carlos Paurílio. Em 1929 o coronel José de Almeida, assistiu aos festejos de inauguração do cinema falado. Levava-se na época o filme BROADWAY MELODY, com Charles King, Anita Page e Bessio Lovo.

O coronel José Almeida ficou admirado de, como o mocinho falava para a bem-amada de outro Estado.

– Será possível que tal ocorra?

O pioneiro senhor de engenho entusiasmou-se. Comprou a concessão da velha companhia e mandou buscar engenheiros e aparelhagens na Alemanha, instalando-as em Maceió.

É possível que esse pioneiro não tenha nome de rua, de praça. Só Napoleão Barbosa, por sugestão de um antigo cronista gazeteano deu o nome de uma divisão da Telasa ao coronel José Almeida, o pioneiro corajoso que inspirado no primeiro filme falado em Maceió, deu à terra o progresso fruto do seu idealismo e da sua coragem.

É bom que as novas gerações conheçam esta história simples, cheia de beleza, de poesia.

Maceió foi a segunda cidade do Brasil a ter o telefone automático.

3 Comments on Como nasceu o telefone automático em Maceió

  1. Maria da CONCEIÇÃO azevedo // 19 de setembro de 2015 em 20:16 //

    Nós ALAGOANOS apesar de sermos um estado pequeno, saímos sempre na frente em alguns acontecimentos de progresso!!

  2. Fátima Gomes // 20 de setembro de 2015 em 00:04 //

    São ótimas e de grande valia essas publicações sobre a história de Alagoas, leio todas.

  3. ROLAND BENAMOR // 20 de setembro de 2015 em 13:56 //

    Lembro-me, ainda, de dois números de telefones. O dos escritórios da USINA BRASILEIRO na Rua Sá e Albuquerque, 402, vizinho aos Correios era 2 3 9. E o de casa, na Comendador Leão, 82 – hoje uma boate – 6 0 2.

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