Clube de Regatas Brasil, o Galo da Pajuçara

Um dos primeiros times do CRB
Lafayette Pacheco Fundador do CRB

Lafayette Pacheco, fundador do CRB

O núcleo dos jovens desportistas que viriam a organizar o Clube de Regatas Brasil surgiu durante o processo de fundação do Club Alagoano de Regatas, que aconteceu na sede da Liga Marítima Brasileira, na Rua do Comércio, nº 138, em Maceió, às 13h do dia 14 de agosto de 1910, um domingo.

Lafayette Pacheco Moreira, Alexandre Nobre, Antônio de Bessa e Celso Coelho ajudaram o Club Alagoano de Regatas a dar os primeiros passos. Segundo o jornal O Gutemberg de 21 de agosto de 1910, havia a expectativa sobre a primeira regata que o clube realizaria. “Farão época, colherão êxito belíssimo, e terão a glória de aproveitar as condições naturais da Lagoa Norte Manguaba que se ajusta admiravelmente para este gênero de esporte”.

A Lagoa Mundaú ou do Norte, como indicavam as matérias dos jornais, era o palco ideal para as regatas, como confirma matéria do dia 2 de setembro de 1910 publicada no Gutemberg. “O Club Alagoano de Regatas fará na manhã de domingo vindouro uma excursão a botes ao sítio denominado Vergel na margem da lagoa, pitoresco local onde a diretoria do mesmo Club pretende iniciar suas festas esportivas e que, segundo nos informam, se presta muito bem para tal fim”.

Time do CRB do final da década de 1910

Time do CRB do final da década de 1910

Outro desafio para o recém-criado clube era a aquisição de embarcações. Como a mensalidade era de quinhentos mil réis, insuficiente para a aquisição dos barcos, houve a proposta de aumento dos valores destas mensalidades. A maioria não aceitou e, Lafayette Pacheco, autor da proposição, inconformado, pediu afastamento do clube.

Com o propósito de criar um novo clube que tivesse suas atividades na Pajuçara e com condições de adquirir os equipamentos necessários, Lafayette Pacheco procurou Antônio Vianna e mais sete jovens e organizaram uma reunião para materializar a ideia.

A assembleia de fundação do Club de Regatas Brasil aconteceu na Rua Jasmim, na Pajuçara, no dia 20 de setembro de 1912. O lema da nova agremiação era: Esporte pela Pátria Forte. A ata de fundação foi assinada por Lafayette Pacheco, Antônio Vianna, João Luiz Albuquerque, Waldomiro, Pedro Cláudio Duarte, Tenente Julião, Agostinho Monteiro, Francisco Azevedo Bahia e João Viana de Souza.

Time do CRB em 1926

Time do CRB em 1926. Acervo Museu do Esporte

O primeiro barco de competição foi adquirido em Santos, São Paulo, e custou duzentos mil réis. Os recursos vieram dos sócios e de um empréstimo. A embarcação chegou a Maceió a bordo do navio Itapetinga. Era um oito remos com patrão. Depois, mais duas yoles foram compradas.

Outro desafio para os dirigentes foi conseguir um local para a construção de uma garagem para os barcos. O terreno encontrado ficava no início da Pajuçara, onde funcionou a sede social do clube por muitos anos. Foi Lafayette Pacheco quem convenceu o proprietário a ceder a área para o clube.

Os treinamentos eram realizados no trajeto marítimo da Ponta Verde para Pajuçara. A compra do oito com patrão sensibilizou os desportistas maceioenses e logo conseguiram novos associados como Domingos Souza, Francisco Quintela, Pedro Lima, Homero Viegas, Eduardo Silveira e mais alguns, que aos poucos, foram formando a grandeza do clube.

Surge o futebol

CRB de 1953 Em pé - Mogi. Luiz. Miguel Rosas. Ferrari. Castanha. Tadeu e o técnico Zequito Porto. Agachados - Miro. Perereca. Deluva. Dario e Eraldo

CRB de 1953 Em pé – Mogi. Luiz. Miguel Rosas. Ferrari. Castanha. Tadeu e o técnico Zequito Porto. Agachados – Miro. Perereca. Deluva. Dario e Eraldo. Acervo Museu do Esporte

Foram os irmãos Lauro Bahia Gondim, José Leite Gondim e Abelardo Duarte Gondim, que trouxeram o futebol para o CRB em 1916. Em busca de um espaço para a realização das partidas de futebol nos finais de semana, os irmãos arrendaram o terreno de Maria Torres por trezentos mil réis. Essa área abrigou o Estádio Severiano Gomes Filho por décadas.

No dia 15 de novembro de 1916, uma quarta-feira, o jornal Diário do Povo registra que naquele dia haveria uma partida de futebol entre o Club de Regatas “Brasil” e o Centro Sportivo José Floriano Peixoto, que viria ser o Centro Sportivo Alagoano.

As equipes estavam escaladas com os seguintes atletas: CRB com Hoeckel Tavares, Gondim, Homero, Vianna, Raymundo, Quintella, J. Leite, Peter, Aroldo, Calheiros e Oscar. O Centro Sportivo com Hermes Loureiro, Vianna, Grossi, Davino, L. Faria, Alípio, J. Maria, Augusto, Fontan, Arestides (Grillo) e Victor. A partida aconteceu no Alto do Jacutinga, hoje bairro do Farol, e o Centro Sportivo José Floriano Peixoto venceu por 2 a 0.

Arquibancada do CRB em 1928

Arquibancada do CRB em 1928

Em 1917 começam as obras de construção do estádio, mas a primeira partida realizada no campo da Pajuçara só aconteceu três anos depois, quando o CRB enfrentou o Flamengo de Recife. Somente em 1921 é que o primeiro lance de arquibancada foi inaugurado em jogo contra o Centro Sportivo de Peres, também de Recife.

Nos primeiros anos, o futebol do CRB contava com Haroldo Zagalo, pai do tetracampeão mundial Mário Jorge Lobo Zagallo. O time ainda contava com um alemão, extremamente habilidoso chamado Peter, Lauro Bahia e os irmãos Gondim.

Em 1927, o CRB conquista seu primeiro título estadual, só repetindo o feito três anos mais tarde. Na década seguinte, o Clube de Regatas Brasil somou cinco títulos, quatro deles consecutivos (37, 38, 39 e 40). Após o tetracampeonato, a torcida regatiana teve que amargar uma década inteira na fila para poder voltar a comemorar.

Dirceu faz uma defesa no jogo contra o Santos em 1965

Dirceu faz uma defesa no jogo contra o Santos em 1965. Acervo Museu do Esporte

O CRB voltou a conquistar um tetracampeonato alagoano na década de 70, ao faturar o certame estadual de 1976 a 1979. O clube possui o maior artilheiro da história dos campeonatos alagoanos: Joãozinho Paulista, que vestiu a camisa alvirrubra nos anos 80 e marcou 160 gols pelo Galo. O recorde de gols em um único campeonato também pertence ao CRB: em 1995, Inha marcou 37 gols pelo clube na competição.

Em 1994, o CRB faz grande campanha na Copa do Nordeste, sendo finalista da competição. Na decisão do dia 15 de dezembro, no estádio Rei Pelé, o CRB deixou escapar o título ao ser derrotado pelo Sport por 3 a 2 nas penalidades, após o término da partida sem gols.

Hino

logoAo remo! Pois nosso norte
De glórias traçado está.
Façamos o peito forte
Que a pátria forte será.

Argonautas da esperança,
Vamos bem longe embalar
Nosso sonho de bonança.
Ao mar! Ao mar!

Joãozinho Paulista no CRB em 1976

Joãozinho Paulista no CRB em 1976. Acervo Museu do Esporte

Amamos a natureza,
O mar verde e o céu de anil.
Avante! Pela grandeza
De nosso caro Brasil.

Nos momentos mais extremos
A pátria em nós terá fé.
E o futuro esperaremos
Alegres, firmes, de pé.

Em nossas veias ardentes,
De marujo o sangue corre.
Mocidade, pra frente,
Que a mocidade não morre!

Autor: Jayme Altavilla

6 Comments on Clube de Regatas Brasil, o Galo da Pajuçara

  1. Excelente sou regateano mas devíamos saber das histórias de todos os nossos clubes e daqueles que as fizeram.

  2. marcelo peixoto // 31 de janeiro de 2016 em 10:33 //

    É com muita emoção que vejo essas fotos, pois o nosso passado nunca poderá ser esquecido. Grande alagoanos, jovens da época que acreditaram em um ideal.

  3. Alfredo Cortes // 31 de janeiro de 2016 em 11:36 //

    Fantástico, infelizmente pessoas como está turma está difícil de aparecer. Paixão e acreditar que era possível realizar este feito histórico .
    Congratulações a todos envolvidos neste projeto e familiares. Viva o CRB.

  4. Lafayete Pacheco Neto // 1 de fevereiro de 2016 em 06:22 //

    Orgulho de ser regateando e do nosso saudoso avô Faete !!!

  5. J David Pacheco Guerra // 12 de fevereiro de 2016 em 10:43 //

    Valeeeu vovô Fayete!
    Belo exemplo de espírito desportivo e pesserverança!

  6. José Oliveira // 5 de setembro de 2016 em 17:45 //

    Matéria muito fraca, muito resumida e para piorar não publicou o hino cantado e a musica do CRB, como fez com matéria semelhante do CSA.

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