Café Colombo

Reduto de artistas e boêmios, foi referência na vida intelectual de Maceió

Café Colombo em 1905, na Rua do Comércio, Maceió
O Café Colombo ficava na esquina da Rua do Comércio com o Beco São José

O Café Colombo ficava na esquina da Rua do Comércio com o Beco São José

Nas duas primeiras décadas do século XX, Maceió viveu momentos de intensa atividade artística e intelectual. O espírito associativo fazia surgir dezenas de grupos voltados para a literatura, artes ou entretenimento.

É nesse período que o Café Colombo desponta como ponto de encontro e de atividades desse segmento. Inaugurado no dia 19 de março de 1904, suas amplas instalações foram usadas para festas e exposições de arte e até reunião do Tiro Alagoano, em 1909. Os ingressos para teatro e cinema da capital eram vendidos em seus balcões.

Nos períodos de campanha eleitoral, alguns candidatos sempre programavam pelo menos um meeting (comício) para a área em frente ao Café Colombo.

Ocupava o térreo do prédio de dois pavimentos que ficava na esquina da Rua do Comércio com o Beco São José, depois Rua Tibúrcio Valeriano. Era propriedade da empresa A. P. Guimarães Filho e Cia.

O registro mais antigo do Café Colombo foi encontrado no jornal Gutemberg de 13 de janeiro de 1905. Um pequeno espaço publicitário na página quatro anunciava a venda de cigarros Vulcano, Cupido e Ceebres, “cada carteira com uma linda fotografia de elegante mulher”.

No final daquele mesmo mês, o Gutemberg divulga que o Café Colombo recebia a exposição de retratos ampliados do artista Galbiel Jatobá. Em março, o Evolucionista publica nota informando que “diversos cavalheiros resolveram fazer domingo, 12 do corrente, uma batalha de flores, serpentinas e confetti que deverá realizar-se no trecho da rua do Comércio compreendido entre o Café Colombo e o beco do Moeda”. Era primeiro domingo após o carnaval.

Em setembro de 1905 acontece a exposição dos quadros do pintor Carlos Leão Xavier da Costa, e em outubro foi a vez da exposição do busto do comendador Tibúrcio Valeriano de Araújo. Um trabalho em argila do escultor Calheiros Gomes.

Salão de jogos do Café Colombo

Salão de jogos do Café Colombo

Quando o assunto era carnaval, o Café Colombo era a referência e local de reunião da Comissão Organizadora. Armando Wucherer, A. Passos, Ignácio Calmon, Arsênio Araújo, Álvaro Flores, Bonifácio Silveira, Duque de Amorim e Silva Costa eram facilmente vistos ocupando numa mesa e discutindo a folia na capital.

Para 1906, a Comissão definiu que um coreto seria armado à frente do Café Colombo. A programação anunciava que no domingo à tarde, o tablado seria ocupado pela banda de música dos Aprendizes Marinheiros, “sendo provável que a de polícia ocupe segunda e terça-feira”, como de fato aconteceu.

O grande movimento no Café atraia vendedoras com tabuleiros para sua calçada e o local ficava sujo. No dia 3 de fevereiro de 1906, o intendente Dr. Sampaio Marques publica no Gutemberg uma advertência ao vigilante Umbelino Angélico, cobrando dele a proibição da permanência de “mulheres com tabuleiros”, na calçada do Café Colombo, que achava em “estado de imundice“. Há registros também de reclamações quanto a fedentina da sarjeta do Beco São José, ao lado do Café Colombo.

Em setembro deste mesmo ano, os frequentadores foram avisados que haveria uma surpresa. Foram apresentadas “belas projeções luminosas consistindo em chromos, vistas, reclames, etc”. Em outubro houve nova “projeção luminosa” de vistas das cidades importantes do globo. “A entrada é grátis, com a condição de se servirem de um sorvete (ou dois), cerveja, grogs, café, etc”, dizia o anúncio.

Essas campanhas promocionais indicavam que o Café Colombo não ia bem. Em setembro de 1907, no Gutemberg, o estabelecimento é anunciado para ser vendido. “Os seus proprietários não podendo mais continuar com este ramo de negócio, resolveram repassá-lo”, por preço razoável.

No início de 1908, um pequeno anúncio em jornal dava a dimensão da crise da empresa. “Café Colombo. Nesse procurado Café vende-se à noite, sorvete a 300 réis o cálix e, durante o dia, geladas de frutas pelo mesmo preço”.

Em fevereiro de 1908, o Café Colombo fecha para reforma, provavelmente já vendido. Somente em abril do mesmo ano é que foi publicada a declaração da firma A. P. Guimarães Filho e Cia anunciando a venda do Café Colombo ao coronel Américo Maia, que era o proprietário da Casa de Bilhar High-Life. Ainda em abril, o Café foi reaberto.

Em agosto do mesmo ano, o coronel Américo Maia faz outra aquisição importante, comprando o Teatro Polytheama. Entretanto, alguns indicativos denunciavam que os negócios não iam bem. Em outubro de 1908, o coronel Américo Maia publica nota divulgando que aceita anúncio e reclames nas paredes internas do Café Colombo e externas do Polytheama.

Aproveitando a passagem do Cometa Halley próximo à Terra em maio de 1910, Américo Maia anuncia que vai inaugurar a Sorveteria Halley, na Rua do Comércio em frente ao Café Colombo. Foi inaugurada exatamente no dia 18 de maio, quando o cometa foi visto.

Como indicam os anúncios posteriores, os sorvetes não conseguiram o sucesso esperado, e no final de 1910 o proprietário do Café Colombo divulga no Gutemberg que “tem a venda magníficos sorvetes de um novo processo rápido e sem trabalho, os quais vende por um preço insignificante. Convém não perder tempo que estão acabando”.

Os últimos registros do Café Colombo são de 1920, em uma citação de Félix Lima Júnior no livro Maceió de Outrora. “No Café Colombo, esquina com a Tibúrcio Valeriano, em 1920, Protásio Trigueiros jogava bilhar, bebendo uísque ou cerveja, marcando os pontos aos gritos, em inglês: one! two! Three! Four! Five!”.

Em uma foto de Antônio Cajueiro, tirada da Rua do Comércio em 1928 de uma manifestação de apoio ao governador Costa Rego, ainda percebe-se o prédio do Café Colombo com a placa tradicional. Mas não se pode afirmar que lá ainda funcionava o café.

Rua do Comércio em 1928, com o prédio do Café Colombo à direita. Foto de Antônio Cajueiro

Em uma foto de Antônio Cajueiro, tirada da Rua do Comércio em 1928 de uma manifestação de apoio ao governador Costa Rego, ainda percebe-se o prédio do Café Colombo com a placa tradicional. Mas não se pode afirmar que lá ainda funcionava o café.

Também não se sabe se nesse período ainda era propriedade de Américo Maia, que no dia 24 de dezembro de 1919 anuncia no Diário do Povo que vende na sua Agência de Liquidações, “quase de graça, grande quantidade de artigos para homens e senhora s próprios para as festas de Natal, Ano e Reis”. A Agência ficava na Rua do Livramento.

O ocaso do Café Colombo parece ter coincidido com o surgimento do Bar Colombo, que se instalou no entroncamento da Rua do Livramento com a Rua do Comércio, em frente ao Relógio Oficial. O mesmo nome dos dois estabelecimentos causou muita confusão entre os historiadores quando se discutia a localização do Café Colombo.

Também não se tem a data precisa de quando o Bar Colombo iniciou suas atividades, mas ele já estava aberto quando inauguraram o Relógio Oficial de Maceió em 21 de março de 1922. Era propriedade de José Moura. Depois de 1930, foi vendido aos irmãos Arthur e Manoel Nogueira. Fechou no início dos anos 60, provavelmente em 1962.

Fonte: Jornais da época.

1 Comentário on Café Colombo

  1. Delma Conceição de Lima // 14 de dezembro de 2015 em 04:53 //

    Que pena, a conservação do Café Colombo, poderia ainda nos dias de hoje ser uma relíquia para nossa querida e linda Maceió!!!.

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