Breno Accioly, o escritor dos personagens melancólicos

Breno Accioly foi escritor, médico e jornalista
Breno Accioly nasceu em Santana do Ipanema e veio para Maceió com nove anos

Breno Accioly nasceu em Santana do Ipanema e veio para Maceió com nove anos

O escritor, jornalista e médico Breno Rocha Accioly nasceu em Santana do Ipanema no dia 21 de março de 1921. Era filho de Manoel Xavier Accioly, que faleceu sem ver o filho, e de Maria de Lourdes Rocha Accioly. Seu pai, nascido em Palmeira dos Índios, foi o primeiro juiz de Direito de Santana do Ipanema e depois desembargador. Pianista e pintora, sua mãe era filha do Coronel Manuel Rodrigues, comerciante e industrial do algodão no município sertanejo. Teve uma única irmã: Eudora Rocha Accioly.

Educado artisticamente por sua mãe, tomou gosto pela música e tocava um dos pianos da casa. Sua primeira professora, no ensino primário, foi Dona Josefa Lima, Zefinha, com quem aprendeu a ser devoto de São José.

Em 1930, quando o escritor tinha nove anos, a família foi morar em Maceió. Seu pai foi promovido a juiz da capital. Continuou seus estudos Colégio Diocesano, onde terminou os preparatórios em 1937. Nesta época começou a escrever para O Semeador.

Na adolescência, manifestaram-se os primeiros sintomas de esquizofrenia. Surgiram as crises depressivas que o levavam a ficar agressivo. Uma simples rejeição de uma dança ou a ideia de que não era amado pela família podiam desencadear uma crise esquizofrênica.

Com 26 anos, Breno Accioly tornou-se médico no Rio de Janeiro

Com 26 anos, Breno Accioly tornou-se médico no Rio de Janeiro

Em 1938 vai para Recife cursar pré-médico no Ginásio Pernambucano. Aprovado, matriculou-se na Escola de Medicina do Recife (PE). Usava a maior parte do seu tempo convivendo com personalidades do meio literário. Não era raro vê-lo conversando com Gilberto Freire, Mauro Mota, Esmaragdo Marroquim, João Cabral de Melo Neto, Vicente do Rego Monteiro e Lêdo Ivo, seu conterrâneo.

Vinculado ao mundo literário, participou do Congresso de Poesias realizado 1941. Na capital pernambucana, escrevia para o Diário de Pernambuco, Jornal do Comércio e Diário da Manhã.

Concluiu o curso na Faculdade de Medicina, em São Cristovão, no Rio de Janeiro, para onde mudou-se em dezembro de 1942. Especializado em hanseníase na Faculdade de Ciências Médicas em 1946, trabalhou como médico da Prefeitura da então capital federal.

No Rio de Janeiro, escrevia para os Diários Associados, Revista do Brasil, e preparava seus livros, mesmo vendo agravar-se os problemas psiquiátricos que lhe atormentavam desde a adolescência, tornando cada vez mais insolente e agressivo. Quando as crises se anunciavam, ele mesmo procurava os hospitais para o tratamento adequado.

Evitava qualquer comunicação com os seus pais e tinha aversão à sua cidade natal. Mantinha correspondência com sua tia Judith, em Aracaju, e sua avó materna, D. Sinhá. Teve várias namoradas, noivas e amantes. No Rio de Janeiro conviveu maritalmente com algumas e delas veio a sua primeira esposa, a quem dedicou seu livro “Maria Pudim“. No final da vida estava ligado a Maria dos Anjos, natural de Arco Verde, Pernambuco.

Breno Accioly faleceu aos 44 anos em 1966

Breno Accioly faleceu aos 44 anos em 1966

Detestando homossexuais e sendo racista, amava Maria dos Anjos, descrita por Heliônia Ceres como “mulata dos lábios grossos”. A ela dedicou o livro “Catavento“. Demonstrava preocupação com o futuro de sua companheira, a quem e referia como “minha mulher, minha santa”, pelo fato de não serem casados.

Na década de 1950, escrevia para o suplemento dirigido pelo jornalista Arnoldo Jambo no Jornal de Alagoas. Participou do grupo da Revista Branca. Escreveu crônicas para rádios e jornais e foi o patrono da cadeira nº 19 da ACALA.

Faleceu aos 44 anos, no dia 13 de março de 1966, no Rio de Janeiro, vítima de uma doença cardíaca. Sua irmã, Eudora Rocha Accioly, viajou para o Rio imediatamente e de lá voltou com seu anel de formatura, um romance não editado e uma coletânea de aproximadamente 200 contos, que depois subtraídos de sua residência.

Obras

– João Urso, Rio de Janeiro: Edições EPASA, 1944, Prêmio Coelho Neto, Prêmio Afonso Arinos e Prêmio Graça Aranha. O prefácio é de José Lins do Rego;
– Cogumelos, Rio de Janeiro: Edição A Noite, 1949, prefácio de Gilberto Freyre (contos);
– Contos, Rio de Janeiro: Ed. O Cruzeiro, 1953;
– Maria Pudim, Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1955, capa de Poty (contos);
– Dunas, Rio de Janeiro: Ed. O Cruzeiro, 1955 (romance);
– Os Cata-ventos, Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1962 (contos).

Deixou inédito:

Siracusa, Pedras e Izabela, três romances. Foram publicados: Os Melhores Contos de Breno Accioly, seleção de Ricardo Ramos, São Paulo: Global Editora, 1984 e Onze Contos Inéditos, Maceió: Edicultec, 1989, organização de Rommel Acioly, ilustrações de Darel e Bruno Giorgi; Breno Accioly: Obras Reunidas, São Paulo: Escrituras, 1999.

Fonte: ABC das Alagoas e Breno Accioly, de Heliônia Ceres.

3 Comments on Breno Accioly, o escritor dos personagens melancólicos

  1. ———- PARTICIPEM DO NOSSO GRUPO!!!…————-
    ………………. ( Família Accioly no Brasil ) …………………..

    Compartilhem com os “Accioly’s” que você conhece; Convidem à todos!!!…

    “UM POVO SEM MEMÓRIA É UM POVO SEM HISTÓRIA. E UM POVO SEM HISTÓRIA ESTÁ FADADO A COMETER, NO PRESENTE E NO FUTURO, OS MESMOS ERROS DO PASSADO” .

    … # – (Emilia Viotti da Costa – Historiadora brasileira) – # …

    … – Conheça a sua; Jamais renegue a sua origem! – …

    https://www.facebook.com/groups/FamiliaAccioly/
    .


  2. Origem da família Accioly;

    Por Francisco Antonio Accioly Dória;

    Accioly, Accioli, Accioli, são variantes de Acciaioli, Acciaiuoli ou Acciajuoli, nome de uma família florentina patrícia, pertencente ao partido guelfo, de origens muito modestas e obscuras no século XII. Segundo a lenda, certo Gugliarello Acciaiuoli, de uma família de armeiros de Brescia (porque o nome se derivaria de acciaio, aço), sendo guelfo, teve que fugir de sua pátria devido às perseguições de Frederico Barbarroxa, que havia invadido a Itália.

    Gugliarello chega a Florença em 1160, compra terras onde é hoje o Borgo de’ S.S. Apostoli, e no Val di Pesa, onde edifica uma `casa di signore’ nas ruínas do antigo castelo de Montegufoni. Era banqueiro, e comerciante de panos de lã.

    Gugliarello é atestado em documentos (dois, se bem me lembro). O resto é fabulação, tirante as propriedades que se lhe atribuem (até hoje há, perto do castelo de Montegufoni, uma herdade de nome La Gugliarella). O nome da família pode derivar-se de accia, `meada’ (eram comerciantes de panos), ou mesmo de acerola, pois há a forma `Azzaroli.’ Era, de qualquer modo, um personagem modesto, embora rico, esse Gugliarello; uomo di bassa condizione…

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  3. Rommel Accioly // 30 de julho de 2017 em 22:58 //

    Um cardeal Accioly foi papavel . Qual o nome dele ? Qual época ?

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