Bloco Vulcão vai completar 80 anos de frevo

Desfile de blocos na Rua do Comércio em 1953
Blocos Tudo ou Nada, Vulcão e Sai da Frente na Rua do Comércio dos anos 60

Blocos Tudo ou Nada, Vulcão e Sai da Frente na Rua do Comércio dos anos 60

Nos anos da década de 1930, Maceió iniciava o período considerado como sendo a época de ouro do carnaval alagoano. Nos clubes e nas ruas, as marchinhas dominavam, mas já começavam a sentir a crescente presença do frevo pernambucano, principalmente tocados pelas orquestras do blocos nas ruas da cidade.

O tradicional Banho de Mar à Fantasia da Avenida da Paz arrastava multidões para as manhãs dos domingos anteriores ao carnaval. Por lá desfilavam blocos, troças, ranchos e mascarados. Do sábado de Zé Pereira até a terça-feira gorda, a festa se transferia para a Rua do Comércio, incluindo a Praça dos Martírios.

Corso no domingo de carnaval na Rua do Comércio em 1958

Corso no domingo de carnaval na Rua do Comércio em 1958

O corso e os carros alegóricos abriam as noites que quase sempre acabavam, para parte da população, nos clubes. Nos bairros, o carnaval acontecia na Praça Moleque Namorador e em Bebedouro, na ainda Praça Major Bonifácio Silveira, que viria a ser a Coronel Lucena Maranhão.

A segurança da folia era feita por patrulhas das diversas corporações militares de Alagoas. Além da Polícia Militar, soldados do Exército, Marinha e Aeronáutica acompanhavam a folia para evitar que os grupos de foliões ligados a estas instituições exagerassem no entusiasmo momesco.

Corso no Banho de Mar à Fantasia na Avenida da Paz dos anos 60

Corso no Banho de Mar à Fantasia na Avenida da Paz dos anos 60

Após o carnaval, os militares da PMAL ficavam reclamando por terem a oportunidade de participar da festa. Assim, em 1936, um grupo de músicos da Banda da Polícia Militar formado por José Francelino Teixeira, Sinfrônio Marinho, José Ernesto, Isaac Galvão Cruz, Alípio Rodrigues e Natanael Azevedo resolveu criar um bloco que desfilasse após o carnaval para atender os militares que trabalharam durante o evento.

Troça no Banho de Mar à Fantasia dos naos 50

Troça no Banho de Mar à Fantasia dos naos 50

Assim nasceu o Vulcão, que imediatamente recebeu o batismo ao som do hino, Vulcão em Chamas, de autoria de um dos seus fundadores, Isaac Galvão. Segundo José Amâncio Filho, em seu livro Fatos para uma História da PMAL, o pessoal da Banda do Exército resolveu também criar um bloco e respondeu com o Tromba D’água, mas não durou muito. Posteriormente, já nos anos 50, ressurge o bloco do Exército com o nome de Bomba Atômica.

No início dos anos 40, o Vulcão teve problemas e não consegui desfilar por alguns anos, só voltando a atividade em 1947, desta vez oficialmente como um bloco da instituição. O comandante geral, coronel Osman Lopes, atendendo ao pedido de um grupo de oficiais, designou o coronel Sampaio para coordenar a volta do bloco às ruas.

Domingo de carnaval na Rua do Comércio em 1958

Domingo de carnaval na Rua do Comércio em 1958

Vulcão voltou as ruas e viveu seu tempo áureo até meados dos anos 60. Foram vários títulos conquistados com o bloco tendo à frente foliões como os coronéis Suruagy, Mário Sampaio e Serafim Dutra. Nesta época, seus estandartes eram confeccionados pelo artista e operador cinematográfico Durval Suruagy de Lira.

Depois de uma nova ausência dos nossos carnavais, em 1974, o coronel José Maia Fernandes resolveu reacender as chamas do Vulcão e entregou a responsabilidade à equipe da 5ª Secção do Estado Maior Geral, mas o bloco logo parou de desfilar novamente. Nesse período, Vulcão ganha de Edécio Lopes o seu novo hino, Toque de Reunir.

Últimos Banhos de Mar à Fantasia no final dos anos 60

Últimos Banhos de Mar à Fantasia no final dos anos 60

A volta definitiva do Vulcão às avenidas de Maceió somente se deu no início dos anos 90, quando o ainda tenente José Maxwell Santos era Chefe da Assessoria de Comunicação Social da PMAL. Ele procurou a organização do Maceió Fest e conseguiu fazer o bloco desfilar no que foi considerada a maior prévia carnavalesca de Maceió. Maxwell também é o criador do Projeto Vem Ver a Banda Tocar em Alagoas.

Bloco Vulcão na Pajuçara em 2015.

Bloco Vulcão na Pajuçara em 2015.

No ano seguinte, já incluído na programação do Jaraguá Folia — que tentava ter desfiles de blocos da quinta-feira até o domingo —, o Vulcão volta a desfilar novamente no domingo de Banho de Mar à Fantasia, na Pajuçara. O Jaraguá Folia não conseguiu manter os quatro dias, ficando somente com desfiles na sexta-feira na Avenida da Paz e Rua Sá e Albuquerque, mas o Vulcão permaneceu aos domingos pela manhã resistindo bravamente e fazendo uma festa cada vez maior.

Em 2016, o Vulcão será o grande homenageado pelo Jaraguá Folia. É o bloco alagoano mais antigo em atividade. São 80 anos de existência, testemunhando os vários momentos dos nossos carnavais, sempre arrastando atrás do seu estandarte os foliões que fazem o carnaval mais seguro do mundo.

Fontes:
– Fatos para uma História da PMAL, de José Amâncio Filho, 1976.
– Sesquicentenário da Polícia Militar de Alagoas: 1832 – 1982. De Elisabeth de Oliveira Mendonça, 1983.

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